Desperto num sonho acordado

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Desperto num sonho acordado

Numa esbelta e quotidiana ilusão

Sonhava que um néctar inebriante e encantado

Jorrava incessantemente da fonte deste coração

E que o líquido tinha sua própria vontade

Seguindo seu fluxo, extravasava por todo o ambiente

E o que dele se ensopava, exaltava sua bondade

Por meio de um sorriso ameno e de um olhar ardente

E ao despertar deste sonho, ainda meio sonhando

Pude sentir esta essência, docemente palpitando

Então, levantei do sonho e segui peregrinando

Pois notei que a realidade do amor, estava naturalmente despertando.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Desperto num sonho acordado. www.tadany.org®

 

O acabar da euforia

Por: Diogo Verri Garcia

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Escrevo a ti, é quarta-feira.
Não a de cinzas, mas a seguinte e regular, dia morno e de labor.
Hoje há falta de chuva, de cansaço e de moleza,
Em perceber que abandonou-se a alegoria,
Que cedeu lugar à tristeza.
O carnaval, enfim, terminou.

Sobra o acaba da euforia
Que teria lugar por mais dias.
Lamenta o que jaz até quem, tal qual a mim, descansa.
Em meio ao repinique que rastilha,
Eram lampejos de alegria.
E folião se empolgava quase feito criança.

Caminhantes por caminhos e ladeiras,
Vestidos de heróis e faladeiras
Com bolhas nos pés a sustentar.
Entre porteñas que já não cantavam tango,
Alemães já quase mancos,
com as pernas tortas, a cansar.
Juntando esforços, corrente humana e virtuosa,
Sempre vagante, fervorosa por samba, itinerantes entre os blocos.
Começando os dias passados,
terminando com eles já tortos.
Vestindo camisas vistosas, exuberantes colares,
Cultivando sorrisos expostos,
Feito estandartes aos ares.

Mas o que há no carnaval
se os dias são poucos,
Se o trânsito no Rio é louco
Se a cidade toda para?

É incerto; sei que o mundo foge do igual.
Mesmo para quem não se importe,
Ainda quando há chuva, quer nos refresque ou incomode.
Nada é comum,
Não há paz ou euforia que baste,
Quando jaz carnaval.

(Diogo Verri Garcia, 05/03/2019)


Créditos da imagem: pixabay

 

Sonho perdido

Por: Mona Vilardo

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– Veja o sol dessa manhã tão cinza: Foi o que pensei no dia seguinte daquele dia triste.

– Então me abraça forte: Foi o que disse um pai ao abraçar outro pai, na tarde daquele dia sem respostas.

– Mas deixe as luzes acesas agora: Foi a fala da mãe que queria ver a foto do filho na estante, no anoitecer daquele mesmo dia, como se fosse uma despedida.

– Sempre em frente: Era o lema daquele jovem que acreditava num sonho, até aquele dia que onde tudo virou cinzas.

– Não temos tempo a perder: Era o que pensava aquele rapaz que tinha fome de vitória todos os dias.

– Temos nosso próprio tempo: Dizia o amigo quando consolava aquele colega que pensava em desistir dia após dia.

– Nosso suor sagrado é bem mais belo: Pensava o garoto que sentia saudade de casa diariamente.

– Selvagem: Foi a maneira que eles foram tirados dos seus sonhos, dos seus pais e do mundo. Do Ninho!

– E o que foi prometido, ninguém prometeu: É o que acontece em nosso país, estado e cidade cada dia mais.

– Somos tão jovens, tão jovens: Poderia ser o grito de guerra daqueles 26 garotos um dia antes do incêndio acontecer. Eles eram mesmo tão jovens!

Fevereiro acabou, mas para aquela legião de sonhadores do clube rubro negro, o mês mais curto do ano foi ainda menor, terminou dia 8, numa sexta de manhã;

– Nem foi tempo perdido: Foi tempo doado e sonho roubado.

Sonho perdido


Crédito da imagem: pixabay

Pelo que foi, é e será – Thiago Amério

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Ontem já passou a história
e respirando naquela nostalgia
que outrora conduziu, in memoriam,
diversos sons, feitios e magias
sob músicas de Cazuza, Chico e Legião
os momentos que nunca voltarão,
indago a existência do tempo e do calor…
 
Porque a chama apagada é o passado,
que só se reacende na cabeça da gente,
e só perdura enquanto está quente.
 
Já que o que é é o mais importante,
porquanto faz do presente momento
a maior dádiva no andar do caminhante,
posto que é nesta hora que tudo se decide
ou vai-se para direita ou no extremo se distancia
daquilo que poderia ser o melhor do que havia
de ser… mas não é ou não foi. E agora?
 
O que será será. Não dá pra se prever…
apenas agradeça a chance de estar vivo
respirando e estando por completo
já que um dia daqui partiremos,
e não traremos o que foi, será ou é,
apenas viajaremos na bagagem do incerto.

A Chuva choveu

Por: Diogo Verri Garcia

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Quem vê quando ela chamou
Para perto do mar?
Para passear…
A brisa bateu, o vento voou
E a gente, ali a passar.

Ondas que nascem, por dentro das águas.
O tempo se ergueu, ficou a espreitar.
Depois só choveu,
A garoa afinada que mal sabe molhar.

É ela a brisa que vem,
Que refresca as tardes e a noite também.
Dá tempo ao lugar, para se arrumar,
vestida de gala só pra iluminar.

E acontece que só ilumina
A quem aquiesce o brilho no olhar.
Chega a noite, feito gente
que sorri pra gente e convida a passear.

O que importa é que o vento ventou,
a chuva choveu,
o tempo passou,
o olhar se envolveu
e um beijo feliz ela me deu.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 2018)


Créditos da imagem: pixabay

Cantina do Prazer

Por: Tadany Cargnin dos Santos

Estrelas brilham na camiseta

Seios úmidos dançam nos lábios

Calor fascinante esconde-se dentro da bragueta

Orgia física no mundo dos sábios

Bundas curvilíneas seduzem a imaginação

Corpos em um movimento ardente

Olhos fogosos cheios de tesão

E a volúpia é a onipresença da gente

Cabelos ao vento que a todos encantam

Pernas torneadas por mãos divinas

Alegria carnal que a todos fascinam

Luxúria é o que se encontra nesta cantina

A simplicidade reina neste recinto

O prazer físico-visual é o alimento

Aproveite ao máximo, pois tudo é sucinto

E viva apenas para este momento.

 

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Cantina do Prazer .www.tadany.org®

Flávia Beatriz Borges, autora convidada (parte 2)

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Sem transgressões ao novo convite…

Ele é de bom alvitre pois não sei se poderei ficar

Meus conterrâneos são realmente bons, dialéticos,

profundos e eu só tenho um exemplar

Para dizer que não estou triste, só um palpite, me deixe estar.

Quem sabe eu melhore, me estenda, ganhe mais brilho e possa me perceber dentro do seu olhar

Plateia querida, crítica aguerrida

Olá, como é bom aqui me apresentar!

Espero mesmo evoluir, encantar, subir e realmente poder ficar…

(Flavia Beatriz Borges, 03/02/2019)


Sobre a convidada:

Flávia Beatriz Borges Bastos de Oliveira é Juíza de Direito e está muito feliz em apresentar seu intento poético ao Literarte.

O ar condicionado que pega fogo – Thiago Amério

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É tudo a moda Bangu.
Fazem de qualquer jeito
e alguém segura o caju
ou o fogo no meio do peito.
 
É tudo feito no jeitinho
fio por cima de água
choque na mão pra testar
amperímetro só pra fingir
e e.p.i. só pra sair na foto.
 
Aliás, admira muito o fato
de não acontecer mais desgraça
porque do jeito que a coisa é feita
era pra ter fogo de segunda a sexta.
 
Mas vou fazendo a minha parte
e se um dia o incêndio bate
mesmo daquilo que deve fazer frio
saio correndo primeiro
não sou metido a herói bonzinho.
 
Ps. Engraçado que ninguém tem culpa
e é tudo impune

Desinspirado

Por: Diogo Verri Garcia

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Sigo sem inspiração
A ponto que a palavra não garante
Nem bom som, nem confortável situação,
Para que se siga adiante.

Nesse intendo de fazer poesia,
Vejo que não é todo dia que frases e versos vêm.
Têm humor próprio, daqueles que fazem pinima,
Versos querem seu tempo, sua boa rima.
Não obedecem a ninguém.

Pensei em escrever coisas fáceis,
Mas elas deixam o que faço sem brilho, pouco sincero.
Escrevo e escrevo,
e os rascunhos são cada qual tão menos afáveis.
Faço dúzias de pausas, suscito dúvidas, espero.

Retomo o poema, e não basta.
Hoje ele não quer, porque não quer,
Ao menos por mim, ser escrito.
Deixo as causas, mudo os temas,
as dubiedades, as pausas.
Finalmente, contrariado, assinto.

(Diogo Verri Garcia, 31/01/2019)


Créditos da imagem: Pixabay

Simples Poeta

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Um poeta escreve

Descreve

Prescreve

Mas, além disso, com palavras

Ele canta

Encanta

Espanta

E, com os sons, ele escuta

Labuta

Transmuta

E, com a humanidade, ele observa

Reserva

Minerva

Para que sozinho, ele imagine

Fascine

Ilumine.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. Simple Poeta.www.tadany.org®