MAR EM ORAÇÃO

Por: Diogo Verri Garcia

MAR EM ORAÇÃO

Seja forte, como o mar é forte,
Mas te amolde e te quebre como as ondas que batem.
Seja leve, como o mar é leve,
Com ondas breves, como as que rompem a tarde.

Seja bravo e te defenda do argumento,
Quanto te calarem o pranto e te pretenderem agonia.
Seja estupendo, feito o mar em tormento,
Se te transgredirem a luz, não permaneças em calmaria.

Veja a onda que explode e prensa o rochedo:
Seja fereza sem raiva; tem equilíbrio, tem paz.
O mar que alimenta e refresca: é servidão sem medo.
O mar que retira, repõe – nas ondas de leva e traz.

E quando o sublime solar pelo céu se exaltar,
Seja como o mar e reflita a luz que lhe toca.
Se acerque dos que te doam a paz sem te cobrar,
Tal qual um corpo de água salgada,
Que se cerca de terras nas bordas.

Mas se o céu te parecer mais cinza,
Não o espelhes na dúvida, olhe para o mais profundo de ti.
Não te tornes pedante, descrente ou ranzinza.
E te acalme: contenha-te do furor, do desamor, do frenesi.

Seja leve, como o mar é leve.
Feito as águas que chacoalham ao vento,
E que repousam tão logo a brisa pausar.
Trazem paz alheia ao amalgamento.
Seguem mansas e resilientes.
Sem apatia, são benevolentes.
Fortes e calmas, bem sabem:
Tudo tem o seu tempo.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 16/08/18).


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DESCREDENCIADO POETA

Por: Diogo Verri Garcia

DESCREDENCIADO POETA

A poesia, quando sai do poeta,
É livre, sem responsabilidade.
Quem assume seu próprio risco é o leitor
Que lê o que quer, adota suas próprias verdades.

Descredencia cada palavra dita,
Que não pertence mais a quem as fez.
Os prantos podem se tornar sorrisos;
Os risos, desatar de vez.

As saudades, que eram felizes em mesa de chope,
Lembram palavras tristes, ofensivas e torpes.
A dor, que quem escreveu quis contar,
Pode virar samba de Chico, ao som de “Vai passar”.

A poesia, quando ab-roga seu dono,
É livre, nunca será de mais ninguém.
É feito o amor que traz ao mesmo tempo beijo e abandono:
Ama instantes a ti, ama logo mais outro alguém.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 11/08/18)


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A céu aberto

Por: Bia Latini

Não é sobre velocidade
Não é sobre quantidade
Não é sobre idade
Nem sobre riqueza
Não é sobre tempo, espaço, compasso
É sobre escorregar em arco-íris e chuva prateada
É sobre sapatear contente com tantos estalidos
E ver a lua com toda sua luminosidade e crateras
É sobre deitar-se debaixo das estrelas e agasalhar-se no sereno
É sobre desaguar-se em choro de gratidão e salgar lágrimas de presença
É ir deitar leve …
Depois de perceber que o mundo não tem teto.

Por Bianca Latini


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Amar

Por: Valéria Shirá

Amar

Amar é quase Mar

Contemplação e Combate no mesmo Navegar

Amar!
É só um silêncio antes da volúpia do Mar
É
Ah…Mar!

Valéria Shirá


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PONTUAÇÕES

Por: Diogo Verri Garcia

PONTUAÇÕES

Um ponto
parou frente ao fim da frase,
Sem base para torná-la um conto,
Sem instrumento para constitui-la
em algo que bastasse.
Nem crase socorria-lhe ao encontro.

Até que aos poucos, outros pontos juntaram,
vieram palavras novas,
pontuações,
que chegaram meio fora de hora,
Mas formaram algo grande, pois não buscavam ir embora,
Tão só lhe quiseram acudir.

O ponto não soçobrou, houve fim ao entrave.
Enfim criou corpo bastante para dar forma a um tema.
Ganhou rima,
pronto a achegar-se.
O ponto não virou conto,
mas virou poema.

(Diogo Verri Garcia, Rio 18/06/2019, 23h13)


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POEMA AO VERBO NAMORAR

Por: Diogo Verri Garcia

POEMA AO VERBO NAMORAR

Namoro aquela cuja alma me agrada,
Cuja paixão me afaga
E me faz, em manter presença, teimar.
De razão tão franca,
A ponto de ter a doçura mais fácil e sincera;
É a personificação da insistência severa,
De mesmo, às minhas tolices, amar.

Namoro – aquela que me acode e que tanto valoro –
Quase uma parte de mim mesmo,
Que se vê tão completa em outra pessoa.
É a certeza de que tudo passa,
Mas nem sequer o percebo;
Se me quedo ausente, é abalado, tão assim, meu sossego;
Mas, perto, as desimportâncias se aquietam,
Para longe revoam.

Namore, se entrelace, valore,
Para que o tempo não roube de ti a saudade daquele momento;
E dele, tu nunca exijas piedade, ao te faltar – feito ar –
O aprazível e aprazável alento,
Da vontade que te açode a alma,
Por não ter o sincero enamorar.
É o amor, que desejo, não te haverá de faltar.
Namorar edifica, solidifica,
É cimento.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 09/06/2021)


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Por: Mauricio Luz

Em minha direção você caminha
Altiva, decidida, sedenta,
E eu, homem menino obediente,
Inebriado de tanta beleza e desejo,
Espero sua vontade, que também é minha.
Você me toca, me abraça,
Sinto o calor e maciez de seu colo.
E antes que meus lábios possam explorar
Os frutos quentes que se oferecem,
Você se esvai.
Sonho, tudo era um sonho,
Tornado pesadelo quando acordo
E você não está ao meu lado.
Que faço para você sair de mim
Quando não estou em você?
Que faço para que eu possa domar essa chama
Mesmo quando não está ao meu lado?
Pensamentos dançam no teto do quarto,
Enquanto espero o ardor de minha pele esfriar
O Sono sorri por ter sido derrotado
Por tão doces e quentes devaneios.
É o que me resta: fechar os olhos, mergulhar na saudade,
Torcer para que Morfeus cumpra seu trabalho,
E esperar para tê-la em meus braços,
Até o frustrante momento de despertar.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

O QUE VAI ALÉM DAS COLHEITAS

Por: Diogo Verri Garcia

O QUE VAI ALÉM DAS COLHEITAS

Saiba dar a mesma desimportância
Que outros e tantas circunstâncias
Na vida vão lhe dar.
Não dedique estoque para palavras alheias
Pois nem no plantar, nem nas colheitas,
Os calos que são teus, poderão suplantar.


Não percas a tua elegância,
Nem te ponhas em inconstância
Com as certezas que na alma tens,
se não são teus os pensamentos.
Saiba que flores não morrem de espinhos
Mas despetalarão sozinhas
Eis que ninguém lhes segura ao vento.


Afinal, tem gente que pilota a vida
Como parca aventura, mostra-se desinibida,
Que nunca nota gente amiga, que lhes tenta alertar.
É um fluxo tão assim desgovernado,
Que por pouco não termina errado,
Entre alguns prantos e um penar.


Por isso não se iluda
com as multidões das avenidas,
Que lhe sopram ideias, dizem-se sabidas.
Siga a vida como quem já quer aonde chegar.


Se tuas metas deixarem-te desacompanhado,
Não se acanhe, adite o planejado.
Pois todos tem defeitos – só para avisar.
Nem tudo são acertos – só para aceitar.
Há sempre um outro jeito – só para quem tentar.


(Diogo Verri Garcia, 25/04/2019)


Créditos da imagem: Unsplash

Por: Mauricio Luz

Você se despe, e se mostra inteira,
Além da sua pele macia e quente.
No seu abraço eu sinto
Os elementos pulsando em você.
O furacão de seus beijos me colocam em turbilhão,
Tornado que torna o respirar,
O delicioso exercício de dois
Que desejam se tornar um.
O fogo me queima inteiro,
E em brasas renasço para arder
Na pira que se tornou seu leito.
Sob as camadas de tecido algo mais se revela.
Sem máscaras, sem rodeios,
Sem formalidades compridas a serem cumpridas,
Eu a vejo como é:
Intensa, inteira, indomável!
Um espírito livre que se finge aprisionar
Apenas para voar ainda mais alto,
Rindo daqueles que tolamente achavam
Que a tinham prendido.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Por: Mauricio Luz

Vamos, me conte seus defeitos
Confesse algo que me faça
Nunca mais olhar para você.
Diga-me que é pedófilo,
Que envenena velhinhas,
Que solta gatos em aviários,
Que rouba dinheiro do vigário!
Vamos, me diga algo inconfessável,
De horrorizar o próprio demônio!
Fale-me algo que me permita,
Odiá-lo a ponto de não olhar mais em seu rosto,
Querer jogá-lo pela janela!
Você não pode ser tão perfeito.
A dose exata e inebriante,
De luz e sombra,
Remédio e veneno,
inferno e salvação…
A ponto de fazer a minha vontade a sua vontade!
Vamos, por favor, me diga!
Salve-me de mim e de você,
Salve-me do seu maior pecado,
Que é ser a realidade em carne
Do que sempre sonhei encontrar.

Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay