Mudou dentro, muda fora
Postado no 6 de dezembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Mudou dentro, muda fora
O cenário é o mesmo
As pessoas são as mesmas
As circunstâncias são iguais
Lá fora tá tudo igual!
Só que daqui…do meu ponto de vista…
Está tudo diferente
Mudou dentro
Então, muda fora
É como um botãozinho
Uma chave que vira
Basta um novo sentir, um novo encarar
Uma desimportância com o que era exagero
Um acalmar do desespero
Uma nutrição do que estava deserto
Um acalentar do choro
Um desacelerar da afobação
Um ninar da própria razão
Magia? É não!
Sabedoria
Discernimento
Percepção
Pausar
Refletir
Entender
Se posicionar
Impor limites
Parar de ouvir tantos palpites
Olhar pra dentro
Ver horizonte inteiro
Encarar toda a floresta
Escanear todos os transeuntes e personagens,
Entender suas mazelas
Deixar com eles o que é deles
Levar apenas suas bagagens
E, mesmo assim, não levá-las para todo lugar
Saber a hora de partir e a hora de chegar
Saber muito bem onde aportar e ter o tempo certo das lentes dos óculos trocar
E não só isso: saber, ainda, quando parar de enxergar para apenas sentir e respirar.
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Pixabay
O Voo do Falcão
Postado no 3 de dezembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

O Voo do Falcão
Voe, Falcão, voe.
Voe sereno e tranquilo nos ares que te pertencem
Abra as asas, conquista o espaço que é seu.
Mostre-me quão alto eu posso chegar
Se abro minhas próprias asas
E sigo a trilha que deixas no vento.
Una sua visão à minha
Permita-me que eu enxergue além do horizonte
E veja onde posso chegar
Se amorosa é firmemente,
Lançar-me na direção que o coração aponta.
Voe, Falcão, Voe!
Que suas asas o levem às estrelas
E tão leve quanto uma de suas plumas,
Assim seja minha alma,
Levando o poder do sonhar
Aqueles que não tem esperança.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Crianças nos ensinam o óbvio
Postado no 30 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Crianças nos ensinam o óbvio
O que a vida reserva para mim?
É difícil saber…
O que não está bem na minha frente?
O que ainda não consigo ver?
O que ainda não manifestei?
Que mergulho ainda devo dar?
Será que o que falta é soltar?!
Como se sente mais do que se pensa?
Como se para de tudo racionalizar?
Um dia perguntei ao meu sobrinho por que ele gostava de algo
E ele, sabiamente, respondeu:
“Ué?! Gosto porque gosto”.
Simples assim!
Tão óbvio: não tinha um porquê
Foi uma grande bofetada
Me senti uma criança, falando com um adulto!
Por que nas escolas não nos ensinam o silêncio, a sentir o que nos afeta, como nos afeta?
Por que não nos ensinam a arte da percepção, a não ser dual e nem totalmente condicional?
A reconhecer o que se passa dentro de nós e como nossas células falam
A enxergar mais do que os olhos e muito além dos julgamentos mundanos?
Por que só pensam em nos ensinar que não sejamos profanos, sem saberem, o que, de fato, é sagrado em cada um de nós?
Benza Deus, temos as crianças para nos mostrarem o óbvio: nem tudo tem explicação, mas tudo tem repercussão em cada individuado coração.
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Google Imagens
A Mensagem da Pequena Planta
Postado no 26 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

A Mensagem da Pequena Planta
Olho a fila de carros formados
Quantos homens e mulheres formados
Ali estão conformados
Convivendo com sonhos deformados
Corações e mentes reformados
Para caberem em um padrão formulado?
Vejo o andar de seres dotados
Vivendo vidas datadas
Respirando sonhos adotados
Existências entregues em dotes
Por proventos dotalizados
A pequena planta rompe o concreto. Respira.
Busca o Sol, suspira.
A quem a vê, concede cor e inspira.
A buscar a luz que tanto aspira
Ardendo em si mesmo em sua própria pira.
Murmura a planta:
“Sorri. Conspira.
E transpira.”
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Tempero da Vida
Postado no 25 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Juliana Latini

Tempero da Vida
Existe uma forma de interpretar quem somos por meio dos temperamentos.
Nasci com o meu tempero forte, expressivo, criativo e quente.
Com o tempo, com os dissabores e reboliços da vida, instintivamente, fui criando crostas duras para sobreviver.
Na tentativa de me proteger fui, pouco a pouco, adequando minhas características natas.
Passei a ter temperos mais brandos, mais reflexivos e levei um bom tempo para processar alguns acontecimentos.
A líder espevitada do tempo de criança ficou sem saber para onde ir, quem era e tantas outras dúvidas.
A busca pela minha identidade passou a ser uma grande questão. Na tentativa de ter mais clareza e conexão com o meu interior, buscava encaixar as peças desse “quebra-cabeça”.
Nesses encontros com o meu eu, percebia o quanto eu tinha me anulado. Mas, para a minha surpresa, ainda havia o tempero original em mim, como que aguardando pacientemente, para ser redescoberto e usado.
Entendi que para acessar a nossa essência é preciso derrubar “muros de proteção” que erguemos diante dos traumas, perdas e decepções.
Se de um lado, eles nos dão certa segurança; por outro, nos sufocam, nos atrofiam e impedem a luz de entrar. Como se fôssemos o prisioneiro e o carcereiro ao mesmo tempo.
O custo de fugir dos outros e de mim mesma não compensava mais.
Passei a adotar um novo lema: encarar a realidade, mesmo com seus riscos e dores, abraçar a vida, acreditar no melhor das pessoas e mostrar ao mundo os meus verdadeiros temperos.
A vida passou então a ter um gosto especial e
a cada dia sinto muita gratidão em desfrutá-la.
Juliana Latini
Créditos da imagem: Pexels
O Infinito Momento da Existência
Postado no 23 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

O Infinito Momento da Existência
A areia molhada acaricia meus pés
Enquanto o astro rei surge no horizonte.
O céu se pinta de laranja e vermelho para recebê-lo.
A Lua se despede, enquanto Vésper lhe sussurra segredos
Que apenas os astros podem entender e compartilhar.
As ondas rosnam e me provocam.
Convidam-me a sentir a carícia da água fria e sedutora.
Como grafite, os dedos; Como papel, a areia…
Escrevo um poema na beira do mar.
Que uma vaga logo abraça e apaga
Deixando vaga a lembrança dos versos
Levados que foram pelo oceano inquieto.
Diz-me o vento:
“Talvez seja você um poema escrito
Por dedos misteriosos
Nas areias do tempo.
“Também será você
Apagado pelas ondas dos anos que virão.
“Mas nenhum elemento será capaz de apagar
Os segundos que o poema lá esteve,
Eternamente tatuado na pele
Do Infinito momento da existência.”
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Exala
Postado no 22 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Exala
Hibisco que me devora
Me consome a mora
Habita-me
Expulsa-me desta fôrma
Que me encurrala, me soterra e me cala
Seja quem és: afrodisíaco, fúcsia, pitaya, jambo, mambo, mango, salsa, pinacolada
Tiro o salto e requebro os quadris de pés descalços
Como quem lambe o chão
E exala os sentidos, a força interna
O calor existencial
O fogo matricial
As mãos que dançam no sentido que lhes puxam
O cabelo embolado pelo suor da nuca
Evidencia vida, chama
Derrama!
Como cera queimando, escorrendo
Deixando derreter as inconsistências, as incongruências, os pudores
Que fique apenas os amores, os ardores, os rubores, os impulsos redentores
Ressaca do mar, onda que estoura em maré cheia
Delineia a tua faísca
Evapora e não demora em sua combustão
Lua tinindo
Noite de verão
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Intempérie
Postado no 17 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Intempérie
Ferida aberta, sangrando
Pulso pulsando
Coração desfibrilando
Arritmia
Agonia
In -tem- pé- rie
Falta Brisa
Falta vento
Falta catavento em ar fresco de litoral
Almejo o sal, a sede, o manancial
A natureza viva, perpetuando
Agora também está sangrando
Porque o fora é reflexo do dentro
E o dentro é espelho do fora
Quem sou agora?
Sou o dentro, ou o fora?
Onde estou eu agora?
Quem brotou primeiro?
Quem migrou?
Quem é o estrangeiro?
Onde está a sentença?
A premissa?
A noviça e o padre?
Onde está o julgador, o culpado, o redentor?
Desapega dos papéis
Incinera os quartéis
Desfaz-se dos anéis
E e enudeça-se em flor
De amor
De naturalidade
De musicalidade
Deixa brotar…
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Conexão
Postado no 12 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Conexão
Quando, de olhos abertos,
Eu não vejo o mundo
Adormecido estou.
E ao respirar,
Não sinto o ar que me alenta.
Morto insepulto estou.
Caminho, e no caminhar,
Não sinto a terra que sustenta meu andar.
Eu estou inerte.
O Sol me ilumina
E não sinto o seu calor e o seu poder.
Porque nas trevas da inconsciência
Estou mergulhado.
A poesia nasce no olhar
Daquele que a reflete
Em uma folha de papel,
Ou no sorriso que acende seu rosto
E aquece os corações à sua volta.
O homem apressado
Avistou uma estrela cadente
E a estrela cadenciou
Sua vida para sempre
Todos temos uma sede
Que somente o Fogo pode saciar
Deixe este Fogo abraçar você,
Consumi-lo total e integralmente!
E de olhos fechados,
Será capaz de enxergar o mundo,
Do jeito que você É.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Cultivo
Postado no 8 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Eu quero alimentar meus sonhos
E não deixá-los morrer de inanição
Que eu tenha arte, fé, peito, coragem,
Para reconhecê-los, entendê-los, explorá-los
Que eu não os compare, nãos os julgue, não os abafe, achondo-os tolos, inadequados, inalcançáveis
Eles vieram a um propósito e dizem muito sobre mim, minha jornada
Maluquice? Insanidade?
Não! Verdade.
Resistência, punição, fricção, cheque-mate: é o que costumamos fazer em relação aos nossos impulsos peristálticos, nossos movimentos orgânicos e naturais
Nossas mandalas da vida são caleidoscópios, aparentemente, sem lógica
De forma mais profunda, há um desenho minucioso, uma impressão digital singular, uma sutil e perfeita correspondência com o nosso DNA espiritual, nossas memórias celulares, vivências intra uterinas, nosso sopro de vida, além-corpo, transcasca.
Muitas vezes, seguimos, anti-maré, nadando para onde não dá pé, sabemos que vamos imergir, naufragar, sufocar…
Que possa eu enxergar, mesmo debaixo d’água e fure ondas, nadando bem rente ao fundo, sabedoura do caminho de volta da anti-essência para o que, magistralmente, faz sentido ao sentir.
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Unsplash
