Simples Poeta

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Um poeta escreve

Descreve

Prescreve

Mas, além disso, com palavras

Ele canta

Encanta

Espanta

E, com os sons, ele escuta

Labuta

Transmuta

E, com a humanidade, ele observa

Reserva

Minerva

Para que sozinho, ele imagine

Fascine

Ilumine.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. Simple Poeta.www.tadany.org®

BBB 2019

Por: Mona Vilardo

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Terça-feira à noite, ligo a televisão (momento raro numa casa que privilegia o silêncio) e vou guardar a bolsa.  O som que escuto na TV é do programa Big Brother Brasil, onde o apresentador com uma voz (muito) animada, dá boa noite aos heróis do Brasil.

Fecho os olhos e crio na minha imaginação, o meu BBB 2019.  Nele eu coloco meus próprios escolhidos, meus próprios heróis.

Brumadinho: Devastada, submersa em lama. A quantidade de heróis que eu vejo é gigantesca. São bombeiros, famílias e pessoas de outros estados do país. Todos ali, sem nenhum ego inflado por ser chamado de heróis em capas de revistas ou jornais, apenas querendo salvar vidas. Renascer uma cidade. Heróis com H maiúsculo.

Depois, no sofá da casa, senta Boechat: Boechat que não chegou para o almoço em casa. Boechat da certidão argentina e coração niteroiense. Da língua afiada, da opinião bem formada e do jogo honesto na bancada do jornal. A âncora que prendia todos nós pelo ouvido de manhã cedo, o Âncora adorado por todos.

Numa entrada triunfal, adentrando a casa mais vigiada do Brasil, chega Bibi: Bibi de Procópio. Da arte latente. Que deu voz à Aldonza do “Homem de La Mancha”, passando por Piaf, Amália Rodrigues e Dolores Duran. Bibi de Flávio Mendes. Bibi do segundo ato de “Gota d’água”. Bibi: dona de todos os atos.

Dia de prova do líder. Prova essa que não tem um vencedor. No meu BBB é muito herói para apenas um vencer. Todos têm função de líder no meu programa.

Paredão. Que difícil escolher quem vai embora da casa, uma casa tão bem frequentada.

Toca o big fone e ninguém corre pra atender. Ele continua tocando.

Abro os olhos e percebo que é o meu telefone que está tocando dentro da bolsa que guardei quando cheguei em casa.

Droga, o barulho do meu telefone acabou com o meu BBB heróico.

– Alô, alô?

– Olá, nosso banco gostaria de…

Banco essa hora? Não tá vendo BBB? – Penso eu.

Desligo!

Na televisão o Big Brother também já acabou. Quem me dera um BBB da maneira que eu imaginei, com verdadeiros heróis eu assino até Globo play para dar “aquela espiada”.

O que me resta é concluir que algumas pessoas a gente nem conhece direito mas admira muito (Os salvadores de Brumadinho).

Outras, mesmo deixando de dar o “bom dia” que você espera a caminho do trabalho, te fazem parar para pensar em tudo o que acontece ao redor, e que a vida é um sopro realmente. (Boechat)

E as mais elegantes, saem de cena cantando até o fim, mantendo a certeza de que o show tem que continuar. (Bibi)

BBB 2019 imaginário – a melhor edição de todos os anos!


Crédito da imagem: pixabay

Flávia Beatriz Borges, Autora convidada.

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Transformações, transformações!

Eis a linha da evolução.

Tristezas, dor, trauma e coração despedaçado

São alguns caminhos que percorri no passado

Agora se fazem novos tempos, novo prumo, nova alçada

E o que prepondera neste momento

Até mesmo é somente o caminho, a boa passada

Passada pela vida

Rumo à evolução, pela transformação

Que nos fará subir mais um piso no altar

Da Glória de cristo

Pois nada mais há a despedaçar, vamos rumo adiante!

Que tal (re)começar?

(27/01/2019, Flávia Beatriz Borges Bastos de Oliveira)


Sobre a convidada:

Flávia Beatriz Borges Bastos de Oliveira é Juíza de Direito e está muito feliz em apresentar seu intento poético ao Literarte.

Senhora da Passagem (Visita-se a Vida)

Por: Diogo Verri Garcia

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Se a vida fosse justa, não seria vida.
Justeza verdadeira há só na morte,
Que leva a todos: a ti, a ele, a outros.
Garante uniformemente a mesma sorte.

Assim, a senhora da passagem recebia
todos quantos chegavam, sem pesares, nem contras, nem prós.
Por vezes, vezes e vezes, seu verso repetia.
Recebeu poetas, malandros, pessoas nossas, fidalgos, heróis.

Até ela, porém, não mais admite
Que todos tantos vão e vêm,
E a vida, inquietante que palpita, só assiste.
Feito turista, encantou-se pelo que outros acham ser corriqueiro,
Queria ter um mês ou dois; ou mês e meio

Para sentir a brisa no rosto,
Para pisar na água que molha a areia do mar.
Para ver, só por ver o mundo que rumina,
assistir crianças e meninas,
perceber o tempo passar.

E, assim, declarou aos atentos e aos dispersos
Que teria plenas horas vagas, na vida, à passeio.
Todo mês, nem menos que um dia, nem muito mais que um dia.
Exatamente: um dia e meio.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 2018)


Créditos da imagem: Pixabay

Este Quadro

Por: Tadany Cargnin dos Santos

Neste quadro, que não me enquadro

Me encarcero, me desespero, me desterro

Tão bonita moldura, me tortura, que loucura

Suas cores, meus temores, minhas dores

 

Pendurado numa parede hostil e deserta, quanta sede

Suas pinturas enganosas, tenebrosas, desgostosas

Suas imagens petulantes, desconcertantes, escalofriantes

Quem me impôs este quadro, maltratado, desgraçado?

 

No entanto, ele parece caber em mim, docemente

Mas eu não caibo nele, me sinto doente

Como quebrar esta moldura que me aprisiona,

Para abrir esta consciência, ampla como uma sanfona?

 

Ainda não tenho respostas, mas as dúvidas estão expostas

E o medo da dor da mudança, já partiu, doce pujança

Então, entre lágrimas e sorrisos, meu mundo reviso

Pois agora estou consciente, de que neste quadro, não mais me enquadro.

 

Como citar este poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. Este Quadro. www.tadany.org®

 

Alerta off-line?

Por: Mona Vilardo

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 “Depois vem chorando desculpas, assim meio pedindo, querendo ganhar um bocado de mel.

Assim nossa vida é um rio secando, as pedras cortando e eu vou perguntando: Até quando?

São tantas coisinhas miúdas! Arrasando aos poucos o nosso ideal. Num jogo de culpa que faz tanto mal.

O copo está cheio e que já não dá mais pra engolir.

Veja bem, eu busquei a palavra mais certa. Vê se entende o meu grito de alerta!

Essa vida da gente gritando que não” (Trechos da música “Grito de Alerta”, de Gonzaguinha)

Existem diversos sites e aplicativos que funcionam para avisar de passagens aéreas baratas. É bastante eficaz, eu mesma recebo algumas boas dicas de preço, promoções e destinos dos sonhos, vamos dizer assim. É um “Alerta de passagens aéreas”.

Outro dia eu li sobre o cadastro no “Alerta celular”. Você cadastra um código que tem no seu aparelho celular para, em caso de roubo ou furto, tornar mais fácil a recuperação do mesmo. Só em Pernambuco, em setembro passado, foram recuperados mais de trezentos celulares. Eficiente, não?

Um amigo me contou sobre o “Alerta: seu carro sempre em dia”. Esse, te informa sobre débitos e licenciamentos relacionados ao seu carro. O site para cadastro trava às vezes (quem nunca?), mas o alerta funciona.

A questão é: parece que os únicos alertas que não funcionam nesse país são os relacionados às tragédias naturais. Essas tragédias que rompem barreira em Brumadinho e que uma chuva aterrorizante simplesmente para o Rio de Janeiro. Cadê o alerta que tava aqui? Nem o gato comeu, ele não funciona mesmo.

Mas nada em casos como esses acima é “simplesmente”.

Na falha desse tipo de alerta, não se perde promoções de passagem, não se deixa de recuperar o celular da noite para o dia e muito menos o seu carro fica com os pagamentos no negativo.

No alerta que não toca, vidas vão embora e se tornam estatísticas. Vidas humanas não são nada simples.

Ah, o porquê da música no começo do texto? É que na verdade, peço licença para modificá-la um pouco:

“Depois vem chorando desculpas, assim meio pedindo, querendo ganhar um bocado de votos.

Assim nossa vida é um Brasil transbordando, as pedras rolando e eu vou perguntando: Até quando?

São muitas coisinhas enormes! Arrasando aos poucos o nosso ideal. Num jogo de culpa que faz tanto mal.

O povo está cheio e já não dá mais pra engolir.

Veja bem, eu busco a resposta mais certa. Vê se entende o meu grito de alerta!

É muita vida de gente gritando por atenção!


Créditos da imagem: pixabay

No encanto da verdade – Thiago Amério

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Se a verdade é um encanto,
E…  nunca terei a certeza,
quero é me apaixonar…

Pois, sem refletir um tanto,
Em reflexo, sem frieza…
a magia é de se encantar.

Se o encanto é de verdade,
E… nunca terei a certeza,
quero é me entregar…

Pois, vagando pela tarde,
E… sempre com firmeza,
o que vale é amar.

Vou na magia da verdade,
virtude como a bondade,
procurando, sim, felicidade.

Verdade, como diz?

Falando tudo que pressente?
Às vezes de modo eloquente?
Mas na essência: não mente?

Ah… a resposta da gente:

O encanto da verdade traz a paz…
a mentira em qualquer canto: jamais!

A Flor e o Serrador

Por: Diogo Verri Garcia.

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A Flor olhou para o alto,
Viu mato que se pusera a reinar.
Desconcertante aquele verde.
Um ponto frio, sem importância,
um minúsculo vazio, um ressalto.
Era sua cor naquela mata a vigorar.

Pensou sozinha: o que há comigo?
Se há desabrigo, maior deles é a solidão.
Não se vê mais cor, não há mais brilho
neste solo vazio de outra flor alçada do chão.

Temerosa, percebeu um tom esquisito,
Nem rosa, nem lírio, nem nada mais.
Só sabia que era um tom bem mais bonito
Que a imensidão verde, que aqui jaz.

Percebeu que outros tons se aproximavam,
Junto de um som pouco crível de devassidão
Enquanto a mata tremia, a flor se alegrava.
Um cheiro estranho o vento trazia, desconhecido então.

O ponto lustroso reluzia ao sol,
De jeitos de prata e de amarelo vivo brilhante
A mata caía, a flor perguntava:
Que será tanto brilho? Mais flores, ou não?

Finalmente, tão perto da flor,
Não era uma máquina só, mas outras quantas.
Chegou o estrondoso som, chegou a cor.
Feriu-se a mata, teve a flor sua pétala caída.
Em fim de vida,
Passado o tremor, não há mais flores tantas.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 04/02/2019).


Créditos da imagem: Nauana Macedo (Leitora). Flor em São Paulo. 30 de janeiro de 2019. Iphone 8, sem edição e tratamento.

A Dúvida de uma imaginada Traição

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Ele acordou sem sono, tinha vontade de levantar, um intenso desejo de sair da cama, mas algo lhe prendia, havia um magneto irresistível e aterrorizador. A desgraça tinha caído sobre sua psique tão intensa e voraz como a lava ardente de uma explosão vulcânica. E tal desgraça tinha um nome, chama-se dúvida. Ela havia chegado um pouco mais tarde, a aparência estava distinta, o olhar mais brilhante, o trejeito um pouco indiferente, o beijo foi mais curto e seco, o abraço foi distante e a conversa foi monossilábica. Ele sentiu-se um extra num filme que estava acostumado a ser protagonista e, ao perder seu papel principal, os alarmes de sobrevivência da espécie dispararam no meio da noite. Então, no silêncio amedrontador da escuridão noturna, seus olhos esbugalhados inventavam fantasias enganosas, sua respiração curta tentava encontrar uma explicação para a situação atual, seu irrequieto coração latejava sons de traições extravagantes e suas pernas jaziam letárgicas frente ao desesperador inferno das hipóteses, ao exagerado tumulto emocional de suspeitas questionáveis. Cada segundo era uma eternidade em sua surreal e noturna dor. Naquele turbilhão de pensamentos, às vezes a certeza de uma traição parecia um relaxante alívio em comparação com os pavores da dúvida. Enquanto isto, ela dormia um sono leve e descompromissado, daqueles que são livres das sôfregas respirações que afligem os sonos infiéis, ela respirava com a branda tranquilidade de um sono natural. Mas ele seguia irrequieto, preso por temores e tremores que não conseguia controlar, muito menos explicar. Logo, o sol apareceria pela janela e traria um novo dia, um amanhecer com novas perguntas, provavelmente sem respostas, de uma vida que não era só dele e que nem ele sabia se ficava ou continuava, pois a desgraça da dúvida, havia batido à porta de sua imaginação. 

PS: Para citar este Texto:

Cargnin dos Santos, Tadany.A Dúvida de uma imaginada Traição. www.tadany.org®

A dizer sobre o verso

Por: Diogo Verri Garcia

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A dizer sobre o verso,
Certa vez expuseram
Que melhor poeta vive da tristeza,
Pois narrar em vida grandeza
não marca e não graceja
tanto quanto falar da saudade.

Que poesia boa ou é tragédia ou é autoajuda,
Que o verso a si mesmo desnuda: é escrito porque há vaidade.

Expuseram que o poema é perda de tempo,
que serve de alimento para quem nada tem ou quer.
Que é só palavras em andamento, assentada sem intento,
Que não acresce, não cria aquisições
e ilude feito uma fé.

Alegaram que poesia amorosa é desgraça,
É o arrojo de um sem graça, incauto pelo que não viveu.
Ou pior, que a poesia afrontosa é pirraça,
tamanho o dano de arruaça,
plasmado em alguém que algo ou muito perdeu.

Dispuseram que em ocupada vida
não há tempo hábil para fazer poesia,
tentativa de impor ao mundo sua própria desordem.
Mas se esquecem que a palavra que amargura, igualmente reata,
Que a poesia, por si, não diz nada,
Quem dita o caminho é que o percorre.

É inato: não procuramos o verso,
ele é quem nos procura.
É Inoportuno, justo quando não se consente,
Quando a tristeza é premente
ou quando é nulo o luto,
ele vem.

E sem descalabros nem cerimônias ao procurar,
faz-se em rimas,
rimando o anverso de tudo o que há
E procurando, sabe bem por quem:
por alguém, o poeta.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 03/01/2019)


Créditos da imagem: Pixabay