El puente de Santiago

Por: Diogo Verri Garcia

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Sólo mirar las tinieblas al lado.
No hay ninguna luz,
Pero de lo alto
En el reposo nocturno, es clara la nieve.
Pasando por ella, veo.
Y sé que llegué a Santiago.

Cuando abren las puertas y atravesa el frío,
llegando al interior del alma,
Hacer la paz de calma helada.
Sienten tanto la friage los pensamientos,
que se forman
como un espacio vacío.

No he tenido tiempo de irme ni de llegar.
Ni siquiera la oportunidad de caminar a
ningún lugar.
Solo veo mis palabras ya sueltas,
lenguas otras, el derecho siendo comparado.
Veo búsquedas en ahijamiento,
El frío que hace frío, en cualquier compartimento.
Y en cada momento percibo las Cordilleras al lado:
Por ahora, solo así sé que estoy en Santiago.

Aún sin saber los vinos,
Ojos a nuestros vecinos
E ya pienso en formar un puente,
aunque sea de lo alto, que sea,
en la alternativa de pretender volver
– todos nosotros, en ideales, pensamos:
De vuelta a Santiago, pero no solo por volver.

(Diogo Verri Garcia, Santiago, 03/07/2019)


imagem: pixabay

É dia de Feira…não importa a Feira!

Por: Mona Vilardo

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Se tem algo que me atrai, digamos assim, é Feira, de qualquer tipo. Comida, roupa, livros e por aí vai. Uma feira de antiguidades é praticamente um Parque de Diversões pra mim…aqueles vinis, alguns bonecos do “Comandos em Ação” – que não tem jeito, sempre me fazem recordar a infância ao lado do meu irmão… colecionador de todos aqueles mini bonecos de guerra.

Talvez esse amor por Feiras possa ter surgido também na infância, nas minhas idas e vindas à famosa e tradicional Feira da Glória aos domingos.

Comer pastel de queijo com meu pai, colocar limão no caldo de cana. Comprar flores num dia especial, conhecer o cara que vende a melhor banana, e claro, escolher a dedo a dúzia de ovos vermelhos da moça simpática que fala: – Carrega com cuidado!

Pois é, a Feira da Glória era um point pra mim. Hoje, ainda passeio bastante por lá, mas devo admitir que minha sobrinha pegou o bastão. Giovanna é a princesa da feira. Meu pai? Não tem mais nome, virou o avô da Gigi e ponto final. Sem a neta, ele não agrega valor à feira…rsrs

E, se depender da considerada “dona do pedaço”, o vendedor de melancia vai à falência, distribuindo pra ela fatias finas e doces daquela fruta que é o seu ganha pão.

Depois de ter escrito um livro sobre memórias, parece que cada dia mais observo como elas são preciosas naquilo que estampa algumas capas de revista: A busca pela felicidade.

Mas nenhuma revista fala isso pra você, elas preferem que continuem correndo maratonas atrás da felicidade e comprando mais revista. 0 próximo passo?  Provavelmente alguns remédios.  Mas conectar memórias com felicidade? Nunca…já ficaram pra trás.

Quanto engano!

Memórias fazem parte de uma felicidade que não precisa ser buscada à todo momento, ela já fez parte e quando é boa, faz um bem danado recordar. Quem nunca se pegou gargalhando ou chorando de emoção recordando um acontecimento? A tal felicidade das capas de revista também está aí. E é nesse momento que, muitas vezes, ligamos pra um amigo que está distante ou, em alguns casos, pode-se até mesmo, pedir perdão.

Voltando às Feiras, muitas boas memórias vieram de diversas feiras que frequentei. Inclusive quando viajo, tenho a preocupação de procurar saber se naquele lugar existe alguma Feira…seja ela qual for. Assim, sigo colecionando memórias…

No início do mês levei meu livro para a Feira do Livro de Resende. Eu e minha mãe ficamos lá durante 2 dias.  Há muito tempo não ficava apenas com minha mãe. Eu e ela. Sem maridos, sem irmão…sem neta pedindo vovó!

Seria tão bom se, quando adolescentes, tivéssemos a noção de que um dia sentiríamos tanta saudade de estar só com a nossa mãe. Mas adolescentes estão pensando em outra coisa praticamente o tempo todo. Desconto dado.

Nesses dois dias juntas, demos gargalhadas, tiramos fotos, dividimos o mesmo quarto (Ela fez um resumo da novela que eu nunca vi, mas quis acompanhar naquela noite) e saímos para jantar no shopping da cidade sem nos preocupar que, naquele shopping beeeeemm caseiro, não tinha nada que a gente gostasse de comer. Tudo bem… estávamos ali: Minha mãe e eu! Só nós!

Não me importei em ser “obrigada a ver novela”, a ter que dormir de janela aberta e nem tampouco ter levado 50 livros e vender muito menos do que esperava.

O melhor da Feira não era a Feira. O melhor da Feira era a minha mãe.

Sabe…em se tratando de estreitar laços e cultivar memórias, todo dia poderia ser dia de Feira.

Entre mim e a minha mãe, aniversariante da semana que vem, a felicidade está garantida, sem precisar ir muito longe.

O CANDIDATO MATUTO – Autor convidado – David Dias Fidelis

Como a arte em conjunto é muito mais forte, inauguro neste espaço, em nossa quinta-feira, o terreiro do artista. Desta vez é do companheiro David. Seja bem-vindo e que a arte sempre seja reposta! E vamos de cordel! (Thiago Amério)

Candidato Matuto

Certo dia me chamaram pra ser vereador

Nem sabia que podia, eu matuto boia fria

Achei que politicagem era coisa de doutor

Sou um  homem que pouco come

Só sei desenhar meu nome, nunca tive professor

“É só isso que preciso” – disse o homem do partido

Se a proposta te interessa quero ser teu assessor

Eu fiquei meio cabreiro, pedi um tempo primeiro

E fui vendo que o acordo parecia tentador

Encuquei numa questão, nunca gostei de eleição

Sou ruim na dicção e de palanque tenho pavor

O assessor bem prestativo começou tratar comigo

Me chamava de amigo e tudo era por favor

Nunca vi mais educado, homem é bicho danado

Quando quer alguma coisa todo mundo vira ator

Na reunião do partido antes da candidatura

O povo soltando fogos, caixa com som nas alturas

Fiz um único pedido

Não quero meu nome metido com nenhuma falcatrua

Pode ficar sossegado o homem apertou minha mão

Você vai mudar a história do povo dessa nação

Eu logo me enchi de orgulho

Mal poderia esperar o resultado dessa eleição

Assim que começou a corrida eleitoral

Eu fiquei meio acanhado, tudo novo, é natural

Mas logo peguei o jeito com meu santinho no peito

Tinha até frase de efeito “Pra tudo ficar perfeito, vote 30130 vereador Juvenal”

Lá pro final da campanha eu já tava querendo festa

Tomei gosto pela coisa, nunca fiz tanta promessa

Se ia cumprir não sabia, era o voto que eu queria

Quanto maior a família maior era minha remessa

No dia da apuração todo mundo muito nervoso

Roendo as unhas da mão quase que cheguei no osso

Eu não entendia nada, vendo os números na tela

Esperei o assessor me dar o resultado dela

Foi a grande comoção no final daquele dia

Acabou a apuração venceu a democracia

Com o sorriso no rosto o assessor anunciou

Fui eleito pelo povo, Juvenal vereador

Achei foi muita moleza essa história de legislar

O partido me indicava e eu só ia lá votar

Era tudo sim ou não

No fim do mês um montão de dinheiro pra eu gastar

O soldo era 9 mil só que entrava mais de cinquenta

O assessor disse:

“não esquenta, isso aí não é dilema, quem pariu mateus que embale

Se entrou mais que o combinado já não é nosso problema”

A verdade é que o problema só apareceu depois

Acusaram esse matuto de crime de caixa dois

Nem caixa um eu conhecia quanto mais sua companhia

Me expliquei pro delegado mas de nada me servia

O delegado pelo jeito não era bom da cuca

Tinha uma mania estranha de chamar o povo de fruta

Disse que eu era o laranja, chamei ele de banana só pra não contrariar

Antes mesmo de terminar levei um tapa na nuca

Apanhei feito um cachorro por causa do desacato

Era soco de cima embaixo e chute de tudo que é lado

Disse: “Eu fui vereador!!”

Aí que desandou, bateram com mais vigor pois tinha acabado o mandato

Me jogaram num quadrado iluminado a luz de vela

Um frio de congelar baba, a sede secando a guela

Pensei em ser deputado mas vou ficar sossegado

Prefiro fazer cordel sentado na minha cela.

Poema às pressas

Por: Diogo Verri GarciaIMG-20180924-WA0035

Somente preciso fazer um poema,
Pois me fiz esquecido da data certa
Ou mesmo tão ocupado, sem mal ter dormido
Sem tampouco poder ter parado,
em um esforço aguerrido,
que passou por mim, passado e batido,
o momento que o verso esperava
de porta aberta.

O verso esperou e cansou,
eu nem percebi
Em meio a papeis retocáveis,
autores e petições
O verso prometeu ser tenaz
Mas havia Tribunais
e deles eu quis fazer citações
em meio a acórdãos, autores e réus – não réis
Pois hoje foi dia sem dó, nem dores, sem sono
Devotado a desalojar argumentos
dos conhecidos aos novéis,
A compreender não amores, mas jurisdições.

Por causa disso o verso zangou-se,
Ficou triste comigo,
E por se ter encontrado afrontado
levou embora as outras palavras,
deixou-me quase desarmado,
pensem em um advogado
cujas frases acordaram
e foram.
E por culpa do enciumado verso,
Não raro tenham partido.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 26 de junho de 2019)


Crédito da imagem: arquivo pessoal

Pontuações

Por: Diogo Verri Garcia

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Um ponto
parou frente ao fim da frase,
Sem base para tornar-lá um conto,
Sem instrumento para constitui-la
em algo que bastasse.
Nem crase socorria-lhe ao encontro.

Até que aos poucos, outros pontos juntaram,
vieram palavras novas,
pontuações,
que chegaram meio fora de hora,
Mas formaram algo grande, pois não buscavam ir embora,
Tão só lhe quiseram acudir.

O ponto não soçobrou, houve fim ao entrave.
Enfim criou corpo bastante para dar forma a um tema.
Ganhou rima,
pronto a achegar-se.
O ponto não virou conto,
mas virou poema.

(Diogo Verri Garcia, Rio 18/06/2019, 23h13)


créditos da imagem: pixabay

Poema de uma só passagem

Por: Diogo Verri Garcia

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Tento fazer um poema de uma só passagem
Na tentativa de fazer com que qualquer verso
que me venha à boca
e que da alma saia
exprima-se em suas letras,
Expresse sempre a melhor tiragem,

Traga a todos a melhor imagem.
Um poema que tenha sonoridade
Daquelas que jamais se fez tão benquista.
Que fale de tudo mais que aprouver,
Notando como a vida sobra e alegra
quando a paz, em si, é sentida
e bem vista.

Procuro um verso
que detenha o bom declamante, uma voz.
Falo de um poema que não precise de remendo,
Que não dê azo a referendos
que não desfrute de nós.

Nos primeiros passos, tanto os versos bem correm
que até assustam e motivam,
Feitos as noites que naturalmente vão,
até o sono incidir.
Assim segue, segundo os planos, o verso,
Como as palavras fortes de um refrão,
as tardes longas no verão,
ou o vindouro inverno a se fazer sentir.

São novas rimas, que pouco a pouco,
de alma boa e boêmia se autoapetecem.
Se socorrem da boa palavra, entretêm e entretecem.
Que se acolhem nos seus próprios cantos,
e nada há de queixumes ou reclamos:
Até agora, o tal poema acontece.

Mas o que haverá se eu retomar o início
e deixar inacabado, posto de lado,
tudo aquilo que já registrei?
Será que o mesmo papel aceita tal como eu assinto
ser reescrito,
ou é ar que gradualmente estraga o vinho tinto?
Será que porta-se em propagar tal como, versando, rezo?
Em anotar como eu versei?

Era só tentativa de um poema
Feito de uma só passagem,
Ainda que a criatividade não me honrasse,
nem me desse hospedagem,
Insistiria tentando, ao menos, em tentar.

Em pensar em algo que é bom e que caiba ao verso,
Sem um intento não só de sucesso;
nada oportuno: apenas tentando em escrever, a levar…
Mesmo quando não há nem brisa, nem a menor aragem a abrandar.
São versos de passagem:
então, sem paixões, que os deixemos ficar
Ou que o vejamos amargar.

E, ansioso, questiono
se gostarão dos meus versos, ou não,
de passagem.
Fico inoportuno, em sondagem, inquieto a saber.
Por certo, hoje, apegado, a resposta correta não tenho.
Mas amanhã saberá, nunca eu:
só conhecerá quem os ler.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 22/02/2019)


Créditos da imagem: pixabay.

Momento Sui Generis

Por: Tadany Cargnin dos Santos

Um Senhor sentado numa esquina fumando um charuto

Questionou por que passamos a vida procurando adquirir

Se no final nem o mais rico nem o mais astuto

Levam consigo suas possesões quando deste plano partir

Comentou sobre o desespero que sente

A pessoa que espera algo suceder

Mas que se pode mudar a monotonia

¨Porque quem faz a hora não espera acontecer¨

Disse que a vaidade, a justiça e a coragem

São virtudes tão voláteis quanto um gás

Que para um andarilho não existe paragem

E que o entendimento e a tolerância levam a paz

Quando seu charuto estava chegando ao fim

O ansião disse que o iluminismo mudou nossos ideais

E que o renascimento transformou a realidade num jasmin

E profetizou que a filosofia voa pelo mundo com os pardais.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Momento Sui Generis.www.tadany.org®

Encontre Deus na imagem

Por: Mona Vilardo

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Em maio, completei 30 anos como cantora. Comecei a cantar profissionalmente aos 8 anos e fui descoberta pela freira da escola onde eu estudava. Minha vida escolar foi em colégios religiosos, o que justifica eu ter passado por todos, digamos, protocolos católicos romanos…. Batizado, primeira comunhão, crisma, grupo jovem, missa todos os domingos e por aí vai. Na minha cabeça de criança, Deus era um senhor de barba branca muito comprida, sentado numa nuvem, segurando um cajado/tridente e olhando todos nós de “lá de cima”, que no caso era o céu… Lugar que todos nós iríamos um dia se fôssemos legais uns com os outros…

Sei que no momento em que coloco um cara de barba branca sentado numa nuvem e segurando um cajado/tridente, pareço confundir o tal Deus da minha infância com vários outros “personagens” que conhecemos: São Pedro, Poseidon e até mesmo Papai Noel. Mas por que não?

Hoje eu já não tenho mais aquela imagem de Deus na minha cabeça, posso até afirmar que não sei se acredito em Deus (mas eu sou legal, gente, acreditem). Independente de acreditar ou não, tenho a noção e o respeito que o Todo-Poderoso do meu porteiro, da minha vizinha e do cara que vende água de coco na minha esquina são completamente diferentes entre si, em suas criações imaginárias da figura representativa de um Deus. Resumindo: cada um tem o Deus que acredita e lhe convém.

Muito bem, onde eu quero chegar com isso? Com certeza não é fazer ninguém desacreditar do seu Deus e muito menos fazer alguém acreditar na imagem que eu criei quando era criança, uma mistura de Pedro, Poseidon e Papai Noel.

Essa semana fui ‘perseguida’ por uma pessoa que contatei para fazer um serviço, com mensagens religiosas pelo WhatsApp, e a primeira delas era uma canção religiosa (muito bonita por sinal) onde um pavão branco ia abrindo suas penas conforme os acordes da música iam ficando mais fortes e intensos e, fechando suas penas, nas partes mais ‘melancólicas” da música….praticamente uma orquestração “pavônica” religiosa, sei lá!

Não respondi a mensagem e fiquei tentando entender onde Deus estava representado ali naquele animal. Ok, eu conheço uma galera que posta foto de montanha, de pôr do sol no Arpoador com a hastag#presençadedeus. Eu também acho isso estranho, além de mega cafona…mas posso até fazer um esforço para aceitar que belas montanhas ou um pôr do sol possam significar para alguns (não para mim) a presença do cara lá de cima. Cada um no seu quadrado.

Mas um pavão? Enviado às 22h por uma pessoa que eu mal conheço? E pior, o pavão acompanha os acordes da música num misto de androgenia com uma montagem barata de uma filmagem.

Que Deus é esse que nem pede licença pra entrar no meu zap?

Pois é, na minha humilde opinião, pessoas assim (juntamente com aquelas que enviam correntes dizendo que se você não passar, Deus vai te castigar, ou você vai ter uma notícia terrível em 24 horas) são as mais afastadas de Deus – mesmo achando que são unha e carne com Ele. Tolinhos…

Sou muito mais da opinião de que, se eu quiser falar com Deus, “tenho que ficar a sós, que apagar a luz e calar a voz” como lindamente interpreta Gilberto Gil.

Mas em tempos de laços tecnológicos eu diria mais: se eu quiser falar com Deus, não é legal mandar mensagem para quem eu nem sei a religião, para quem eu não tenho a mínima intimidade, e muito menos mostrando um pavão se contorcendo.

Tem gente que diz: Deus está nas pequenas coisas. Verdade, mas principalmente Deus está em pessoas que não são pequenas e nem aborrecem desconhecidos às 22h.

E fiquem com Deus (o Deus que cada um escolhe para si, mas respeitando o próximo)!

PS: Acabou que não fechei negócio com a moça que me enviou o Deus dela.

Putz, ás vezes Deus atrapalha um pouco o fechamento de negócios, em alguns casos a primeira impressão é a que fica.


Crédito da imagem: acervo pessoal

19 horas.

Por: Diogo Verri Garcia

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Funcionava enquanto a gosto.
Desandou quando tendeu a ser proposital.
Vingou-se da boca como do rancor amargo de um preposto
Que consentiu o que não foi consensual.
De quem tantas vezes falou coisa pouca,
Palavreado fácil, frases soltas,
Sem afago, nem apelo;
Sem tempero.

Quando terminou, sussurrou-me falas boas,
Embora talvez pensasse, em verdadeiro desejo,
Dedica-me o pior e mais mesquinho mal,
Mal verídico, e não só qualquer malfazejo;
Não males pequenos e paráveis
de uma tristeza constante e geral.

Quanto a ela, antes houvesse
algo mais que o olhar pálido enraivecido.
Preferia as palavras soltas de fúria, gritadas;
Os desabafos medonhos, verdadeiras lâminas de navalha,
Às boas lembranças de um adeus agradecido.
Tudo seria preferível ao dubitável fim,
tão maduro, educado e formal,
Que ela rapidamente aquiesceu, face a mim.

Percebi nos abraços os embaraços que,
quando afastados, causavam alívio.
Com ela vividos que nas viradas amorosas,
em um calor que já era mais gelado que o frio.
Nem nos corpos enlaçados,
não mais se esquentavam,
nem mesmo no verão do Rio.

Balançadas em anseios internos
Estavam às portas as opiniões.
Que encaminham a tudo, confundindo mais
Que a razão e a emoção juntas,
E nos impõe ter quase que uma fé.

O que sufoca não é secreto, nem quieto
É um incômodo constante,
que desafia a calma, torna a presença pedante.
E que tão logo afoga, tão mais
que mal se apercebe o que é.

Feito a água que encharca aos poucos as paredes,
A excessiva presença de quem nem tanto mais se quer,
causa suador, agonia.
É confessional do excesso de intromissão.
Maltrata o interesse, que desalinha.
E se aparece outra feito ela,
o velho quadro se alinha:
Entre o certo e o errado,
entre o acabado e o então.

Quando beijou, plantou a armadilha
Mas não soube levar:
sufocou quem até então esperava
– e que hoje, dela, quase nada espera.
Quando nos braços sobrou,
não sabia: mais dia, menos dia,
Beijo bom, se é de amor, não tarda;
Mas no excesso, mata tudo; emperra.

(Diogo Verri Garcia. Rio de Janeiro, 19/08/2018 , 00h59)


Créditos da imagem: pixabay

Veni Creator Spiritus*

Por: Tadany Cargnin dos Santos

Chegará o dia em que…

Os deveres serão tão importantes quanto os direitos

A verdade tão verbalizada quanto à mentira

A razoável fé tão incentivada quanto à fé cega

A paz será tão praticada quanto à guerra

A liberdade tão admirada quanto o condicionamento

A luz será tão estimada quanto à escuridão

A inocência das crianças tão enfática quanto à hipocrisia dos adultos

A caridade será tão sagaz quanto à cobiça

A consideração tão palpável quanto o desrespeito

A justiça será tão obedecida quanto à injustiça

A natural esperança tão praticada quanto o ludibrioso desespero

A fraternidade será tão desejável quanto o despotismo

O conhecimento tão promulgado quanto à ignorância

O espiritual será tão objetivo quanto o material

E o amor tão perseverante quanto o ódio.

Neste dia…

Todo o ser humano será um iniciado nos sublimes ensinamentos da natureza

Onde o pinheiro da vida mescla-se com o carvalho da sabedoria

A robustez da serenidade adorna a delicadeza da tolerância

A transcendência do discernimento guia a impetuosidade do desejo

A virtude da imaginação ilumina a venerável senda dos valores

E a imanente Luz Divina individual irradia livremente de cada essência.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Veni Creator Spiritus.www.tadany.com®

*Latim:Venha Espírito Criador.