Desnaturalização: a infância sem ar
Postado no 21 de dezembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini
Desnaturalização: a infância sem ar
Nesse mundo verticalizado
Espaços sintéticos, sintetizados
Crianças espremidas, encaixotadas
Criatividades esmagadas
Na frente das telas são hipnotizadas
Pela tecnologia, absortas, vampirizadas
O medo impera
A preocupação é gigantesca
Eis o pavor do fora
É preciso estar dentro!
Seguro
Cerceado
Gradeado
M-i-n-i-m-i-z-a-d-o
A natureza é uma beleza à parte, longínqua
Algo que se vê apenas pela fresta da janela
Dos altos prédios monitorados
Rezo, ao menos, para que reste, ainda, imaginação a estas almas curiosas por natureza
Quem sabe elas não contem uma história, fingindo estarem presas num castelo, no alto da torre, do qual precisam ser libertadas?!
E quem sabe, também, um pingo de consciência não caia sobre a cabeça de seus pais neurotizados por segurança e paz?
Quem disse que a natureza é suja, perigosa e um programa que tanto faz?
Ela é essencial, vital, restaurativa, educativa, sensorial, crucial, evolutiva, manancial
Ela brinda esses novos seres que chegam ao mundo
E oferece todo seu espaço, seu corpo, sua integralidade, diversidade, beleza e espiritualidade
Permite a esses novos pequeninos viajantes desenvolverem-se e entenderem o planeta onde fincarão seus pés
Descobrindo o modo como lidarão com seu próprio corpo, com o outro, com o sistema
Desvendando a maneira como tudo se integra e se relaciona, se autogoverna
A visão é macro e astuta e não diminuta!
Tolher uma criança do convívio com o natural é não deixar florescer nela toda sua potencialidade de conexão, ancestralidade, geneticidade, liberdade
É arrancar, desses recém chegados humaninhos, a qualidade pura de serem verdadeiramente crianças
Com olhos de encantamento e necessidade de experimentação
É fazer morrer o cientista, o explorador, o testador, o alquimista… antes mesmo deles se inventarem
É fazer, na selva de pedras,
no mar de concreto,
no tecido árido,
A infância perder o ar.
(Texto inspirado no filme ” O começo da vida 2 – Lá fora , produzido por Maria Farinha Filmes )
@ocomecodavida
@mariafarinhafilmsbr
Os melhores “piores”
Postado no 14 de dezembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Os melhores “piores”
Eu agradeço por tudo que entra e sai do meu caminho
Agradeço pelo que permanece
Agradeço pelo que se esvai e pelo que não perece
Agradeço o coxo, o riso, o são, o adoecido, agradeço ao que ” deu errado” e ao que se sustenta sadio
Agradeço a farpa no dedo, o cisco no olho
Agradeço às intempéries, à revolta e o seu consequente mergulho na minha zona cinzenta e sombria
Agradeço o que me traz inquietude, curiosidade, insatisfação e gera reclamação
Pois estes são puro clarão de uma não decifrada ruminação
Agradeço pelo que não sou e pelo que quero me tornar
Agradeço às descrenças, às desconfianças, à fé oca
Que me fazem perceber que potes ainda devo encher
Agradeço ao prego não pregado, ao martelo ainda não achado
Ao caso não solucionado e ao conselho não escutado
Agradeço pelos melhores “piores”
Pois sabe o que é o melhor??
O que vem para a gente:
Situações, coisas e pessoas
Que nos fazem entender quem somos nós
O que nosso peito sente enquanto semente Convidam-nos a olhar para dentro
e assim saborear a vida, a brindar a autoconsciência: esta que nos revela a ciência de nós mesmos
A festejar os aceites e as acolhidas que nos catapultam para inesperadas transformações e holísticas percepções.
Crédito da imagem: pixabay
Postado no 11 de dezembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Victor Cabral

Tu nem sabes o que sinto de ti
São tantos presentes que, passado, perdi
Pensando o motivo por qual não te segui
Fiquei perdido pelo caminho
Acho que te fiz mal em não me decidir
Aguardei que a vida fizesse por mim
Se ontem soubesse que hoje é assim
Seria mais homem, menos menino
Não vejo sentido em tentar redimir
As ações de um eu que não vive aqui
Espero que faça sentido
A culpa é motivo pra não desistir
Haverá ser em vão tudo que vivi?
Que meu erro não seja sempre repetido
Créditos da imagem: o próprio autor (arquivo pessoal)
Desafio
Postado no 10 de dezembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Desafio
O que você quer me dizer
Com sua aparência de dificuldade?
O que há por trás da cortina
do que eu penso ser azar, infortúnio, injustiça, maldade?
Qual é o seu convite para mim, neste instante?
Que óculos devo vestir para, enfim, enxergar o que pretende me escancarar?
Por trás da lamúria, esbravejamento, zanguices, lamentação
Hei que descobrir a lição do dia
O trabalho interno deste momento
A caixa que preciso abrir
Para depois, verdadeiramente, fechar
O tom que devo corrigir
Para, enfim, cantar
As feridas que necessito expor, para, ao final cicatrizar
Os obstáculos que tenho de vencer
Para, de fase, passar
Não; não é um jogo de competição!
É o jogo da vida
O propósito da evolução
Ser melhor do que ontem
Discernir sombra e luz
Bordar estudos de viabilidades
Abrir caminhos para as possibilidades
Fazer expurgo, filtrar, clarificar, transpor, ultrapassar
Olhar pro avesso e ver que ele é o certo visto de outro ângulo
Entender que o manancial
Sobrevém ao meandro
Superar a si mesmo
Abrir os seus baús
Revirar as suas gavetas
Livrar-se de suas pesadas maletas
Fazer faxina interna paulatinamente
A cada etapa, suas sujeiras
A cada limpeza, ultrapassada uma barreira
Até que o campo volte a ser estéril
Inóspito de vermes, entulhos, bagulhos que não nos servem, mas serviram…
Como caminho de busca
Jornada de procura
Motivo de incomodação
E assim, você, meu caro amigo disfarçado,
É trampolim da minha existência
Envergador da minha resistência
Soldador da minha resiliência
Construtor de paciência
Libertador das minhas limitações
Escada para meu aprimoramento
Rumo, não à chegada,
Mas ao ponto de partida
À gravidade zero
À Original Programação.
Crédito da imagem: pixabay.
O grande mistério
Postado no 30 de novembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

O Grande Mistério
Eu sou eterno viajante
Para sempre buscador
A jornada nunca termina
A vida é um mistério
E nós somos a magia
Somos gota no oceano
Folha na Floresta
Somos a vida em festa
Presença
Inteireza
Transformação
Raiz, terra, elucidação
Somos água, sede, manancial
Somos fogo, calor, acolhimento
Somos ar, respiração, ir e vir
Ventania, calmaria
Somos tudo e nada
Eu e nenhum
Somos campo, povoamento,
Vácuo quântico.
Créditos da imagem: pixabay
Pinceladas do Tempo
Postado no 23 de novembro de 2020 1 Comentário
Por: Bianca Latini

Pinceladas do Tempo
Tem tempo de parar
Tempo de começar a andar
Tempo de ser espera e enaltecer paciência
Tem tempo que é para apenas tomar ciência
Tempo de ouvir e os lábios costurar
Tempo que é só para brincar
Tempo de deixar o tempo rolar
Tempo de deixar a cachoeira secar e depois aproveitar a cheia, a corredeira, a rolagem de barreira
Tem tempo que é tempo de pedir tempo
Tempo de doar tempo
Tempo de ser remédio Tempo de ser veneno para erva daninha
Tempo de ficar consigo sozinha
Tempo de bordar
Tempo de remendar
Tempo de costurar
E tempo de libertar todas as costuras do bastidor
Tempo de fazer furor e festejar todas as primaveras
Tempo de fazer lampejo
Tempo de brindar eras
Tem tempo que é tempo de cochilo
De olhar pro vazio
E depois sair preenchendo os espaços penetráveis
Deixando intacto os intocáveis
Tem tempo de adentrar em novos horizontes
De construir novas pontes
Tempo de fazer travessias e esgotar seu vigor físico e maestria mental
Tempo de enfrentar o vendaval
Tempo de não ter medo
E tempo de se render as vulnerabilidades
Tempo de acarinhar todas as saudades
Tempo de espantar as tristezas
E tempo de acolher as cinzentas incertezas
Nelas fazendo morada, esperando as obscuridades fazerem clarão
Tempo de tecer tempo
Ou esquecer dele
Por que não?!
Por Bia Latini
Crédito da imagem: pixabay
Postado no 20 de novembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Victor Cabral

Várias voltas à meia luz, sua boca rosa
Os ruídos cinzas, suas unhas em minhas costas
A fumaça leve e a força da (nossa) gravidade
Registros de baixa fidelidade
Trinta e três por minuto, suada revolução
Entrego a ti o controle e a direção
Toca-me as notas que mais te satisfaz
Cantemos as belas odes, capaz
De você me deixar sem fôlego
Perna fracas, andar tropego
Deixa-me deitar um pouco mais
Domina-me em vestes de vinil
Em torpor quase febril
Quero teus sons um pouco mais
Créditos da imagem: próprio autor (acervo pessoal)
Amor e seus sabores excêntricos
Postado no 19 de novembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Amor e seus sabores excêntricos
Acho que posso me atrever a dizer que nosso amor é como aquelas improváveis combinações de comidas excêntricas, tipo misturar macarrão e feijão.
Quem está de fora, acha nojento e improvável a mistura.
Não assumem, mas tem um vontade enrustida de experimentar uma combinação ousada assim.
Quem já experimentou e não gostou, criticará o nosso gosto peculiar e sairá por aí dizendo que não vale a pena nem tentar.
Mas, enquanto isso, nós dois estamos aqui com nossa improvável aventura culinária que deu certo e se encaixou perfeitamente no nosso paladar. Nos apetece.
A gente, em primeira impressão, estaria encaixados em mundos opostos, com valores calóricos distintos, formatos, modelos, cores e tamanhos anatomicamente antagônicos. Mas quando a mistura aconteceu, ali surgia uma combinação tão nossa, tão atípica, tão cheia de sabores, que não há mais como se apartar.
Há quem olhe até hoje e diga que a combinação não tem qualquer lógica ou chance de vingar, pobres tolinhos, mal sabem eles como a gente é feliz com nossa combinação descombinada e saborosa. Tomara que tenham sorte de encontrar o sabor que agrega amor original no tempero deles, pois, afirmo, vale a pena!
Créditos da imagem: pixabay
Silêncio
Postado no 16 de novembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Silêncio
Essa mordaça da paz
Que faz calar a palavra contumaz,
aquela que sozinha nunca satisfaz
e é antecedida por julgamento, pensamento,
Insensatez
Aquela que, nos seus atropelos,
Estilhaça, destrói, corrói, divide, separa, gera hiato, abismo, penhasco
O silêncio vem embalar, ninar, cantigar
No deserto da calmaria
No horizonte do preenchimento
Sentimento de pertencer…
ao quieto, ao nada, ao vazio
Solitude, magnitude, completude
Você e você mesmo
Sem som
Porque este não é preciso
O silêncio fala com sabedoria
Sem dialeto
Sem secreto
Apenas nos faz sentir
Que a ausência de fonema
É a presença de tudo.
Créditos da imagem: Pixabay
Postado no 14 de novembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Passe, passe e impasse.
Passo o passo em impasse.
De passo em passo,
Passadamente
Passa
Mas apressa-se
A posse do passe.
Que pausa
Em pose.
Um close.
O reflexo
E o adeus.
Passa o passo em passe.
Que, então, passarás
Em paz.
Créditos da imagem: pixabay
