Por: Victor Cabral

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Mais sublime que as sagradas escrituras
O milagre da beleza de suas curvas
Os seus cantos e perfumes de romã
Todo o drama da poesia do islã

A serpente que criou os desertos
Os dedos que te tocariam, ainda que incertos,
Tocam as músicas que os Valar compunham
Amando os amores que os amantes dispunham

A grande explosão do primeiro dia
A perfeição que é você enquanto se despia
Manisfesto universo criado pra nós

O preto no branco, as rimas do verso
A cor do seu olho, olhada de perto
O prazer de estarmos nus e a sós

Agora eu juro que vou

Por: Priscila Menino

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Agora eu juro que vou.

A amizade é algo realmente intrigante. Somos seres humanos, com histórias diferentes, famílias distintas, crescemos em meios diferentes, vivemos cada qual a sua caminhada e mesmo assim a gente vive amizades que parecem mais encontros de almas.
Quando jovens, a gente quer ter mil amigos, estarmos rodeados de barulho e agitação, sempre planejando a próxima “social” para reunir o pessoal. Nossas preocupações eram saber qual a mãe mais legal e liberal, para que este ser humano tão imaculado intervisse por nós com as outras mães. Ah, como eram momentos de tensão até sair o esperado veredito. Quando tínhamos a sonhada permissão, comemorávamos de forma tão radiante quanto um gol aos quarenta e cinco do segundo tempo na final da Copa.
Acontece que os anos vão passando e, de forma imperceptível e inconsciente, os caminhos se desencontrando em meio às obrigações que vão surgindo na medida em que vamos envelhecendo. Agora temos a liberdade de ir e vir sem a permissão dos nossos pais, mas nos falta tempo.
Hoje, em meio ao isolamento social, eu senti falta mesmo foi de poder encontrar meus amigos, de poder viajarmos juntos e compartilharmos muitas e muitas risadas e rodadas de cerveja em um copo sujo.
Isso me fez refletir a importância que tem a amizade nas nossas vidas e a importância que tem no cultivo delas.
Eu não vou negar que por várias vezes eu tive preguiça social e inventava uma desculpa esfarrapada para não estar naquele encontro marcado há um mês atrás. Ah, se eu pudesse imaginar o quanto eu sentiria falta deles, eu não hesitaria em estar presente.
Quando tudo isso passar, eu quero mesmo é receber amigos em casa, abastecidos com nosso arsenal etílico e com músicas tão ecléticas que mais parece ser uma playlist de uma pessoa com sérios conflitos de identidade (desculpe, Freud).
Quem diria que esses pequenos detalhes seriam tão importantes?
Fica o ensinamento da importância do agora, de aproveitarmos ao máximo a companhia daqueles que amamos e dos sorrisos que compartilhamos. Me aguardem, amigos, em breve teremos muitas viagens com boas histórias para me inspirar a escrever.


Créditos da imagem: oldwellPro por Pixabay 

Poema do Verso Demudado

Por: Diogo Verri Garcia

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POEMA DO VERSO DEMUDADO

Foi
Raiz da causa que apressava a alma,
Ainda que assim tão pura,
De tão aguda, antes já me desfez a calma
Feito a luz de uma cheia lua,
Feito dia, ampara e enternece.
Entretece a luz pequena de uma chama em vela,
Luminosa pouco quão, que na luz maior desaparece.
Aquela chama curta era meu peito antes de tal alma,
Agora que permite anseios, como antes nunca quistos.
Nem em sonhos se emaranhou em olhares, tanto a olhos vistos.
E de repente, nota que o bem maior a si também acontece,

Com isso, redesenha a intenção
Em construir, no chão de mares, Edifício.
Admirou-se pelo só lugar no mundo e no peito
Onde há algum frio desde o verão até o inverno.
Depois de tanto conhecer olhares,
não se fez tão a esse alheio,
Eis que nada é firme, nem eterno.
E nela, a incerteza sã, jogou-se à fé, à busca,
Sem dúvidas, sem partes dúbias,
Feito um carril na ladeira,
Frente à flama que era.
E sem freios.

Fez-se o bom lugar,
Que trouxe todo um novo mundo, em uma só comenda.
Um dia, olhou nos olhos, que amou demais.
E até a razão, que lhes deu tanto cartaz, não perquiriu emenda.
Chocou-se por perceber tal sorte, tão rápida, tão forte,
Como de uma só vez.
Hesitou jamais, mas sei que a concepção tão mais incapaz
Não compreendeu os ademais, nem os porquês.
Assim, veio ao verso exprimir a direção do andor.
Já que todo início mostra ser o fim melhor,
Pois vai, que o verso vai, que o amor passou.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 13/06/2020)


Créditos da imagem: Julie Rose por Pixabay 

Apenas certezas

Por: Bianca Latini

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Apenas certezas

Já parou para pensar que quando estamos em dúvida, temos, na verdade, uma certeza?
Sim. Uma certeza de que algo não é.
Porque quando algo é alguma coisa, ele simplesmente é e ponto.
Já o que não é, é que não se sabe o que é.
Quando estamos diante de 3 caminhos e temos dúvidas sobre qual caminho tomar, provavelmente, nenhuma das 3 opções é boa. Daí ficamos em dúvida qual seria a menos pior. Se, dentre uma das 3 opções, uma fosse, de fato, boa à nossa percepção, haveria apenas essa certeza sobre o ÚNICO caminho a seguir, eliminando-se os demais,os quais não seriam opções e sim exclusões.
Assim, teríamos 1 certeza e 2 impossibilidades, 2 descartes, 2 cartas fora do baralho, entende?
Quando não decidimos algo, na verdade, estamos escolhendo: decidindo que nada daquilo queremos.
É bastante simples: onde há dúvidas, há um certeza negativa e onde há certeza, há uma certeza positiva.
E não confundam as coisas: quando falamos de certezas, não estamos falamos de imutabilidade, permanência, eternidade…
Nossas certezas são o retrato das nossas verdades naquele momento; nossos sentimentos, entendimentos, nosso mundo interior naquele exato quadrante de tempo. São a tradução do motivo pelo qual nosso coração pulsa.
Na vida: “tudo muda o tempo todo” e “tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo”…
O que não quer dizer, também, que o que é agora e o que é daqui a um segundo são coisas antagônicas e excludentes. Podem ir numa constante crescente, numa contínua decrescente ou mesmo intermitente descontinuidade…
Mas lembre-se: em nosso caminho, dúvidas não há. Apenas certezas.

Especial dia dos namorados (“Namorar”, por Bianca Latini)

Caros leitores, publicamos hoje o especial Dia dos Namorados, do Literarte, com o poema “Namorar”, de Bianca Latini. Vejam também o vídeo.

Por: Bianca Latini

NAMORAR

Namorar é fitar o outro
Falar pela íris
Sorrir pelo olhar
Namorar é farejar seu encantamento a quilômetros de distância
É sentir o coração, na primeira estirada, acelerar
e na continuação da jornada, aquecer
É querer tatear
Ter alguma superfície de contato: mãos, falanges, coxas e até dedões do pé
Namorar é querer agradar
com mimos, flores, camafeus, aromas e principalmente sorrisos
Namorar é ter protocolo de comunicação
Ser surpreendido com beijo no cangote
Ser tirado para dançar
Bem no meio do salão
Namorar é suspirar pela lua
Enxergar o brilho de cada estrela
Namorar é rir de algo tão bobo, até doer a barriga e depois ter esse dia para lembrar
Namorar é deixar bilhete debaixo do travesseiro, na porta da geladeira, mensagem no celular
É Perceber os detalhes
Estar atento a cada movimento
Ter um dossiê das preferências do par
É esquecer do tempo, perder a hora, ficar vidrado naquele momento
Namorar não tem idade
Tem encantamento, envolvimento, presença, identidade
Namora-se até velhinho, desde que a criança marota e o adolescente audaz
não se calem dentro de ti jamais.

A justiça e seus sabores e dissabores

Por: Priscila Menino

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Eu me peguei pensando no motivo de ter escolhido a minha profissão: advogada.
Se eu fosse bem racional e ignorasse meus devaneios, pensaria que na minha família não tinha ninguém advogando e seria, a princípio, mais árduo e penoso galgar o meu espaço no mundo juridiquês.
Hoje, com o advento de um auto conhecimento maior, percebo que foi uma forma pessoal de buscar ajudar o mundo com menos injustiças, pois essa pequena, mas impactante palavra me incomoda profundamente desde quando me entendo por gente.
Lembro-me quando me deparei na minha profissão com a primeira injustiça que vivi na pele, me rendeu boas noites de insônia e uma dor estranha latente no peito por indignação.
Ocorre que o conceito de injustiça é absoluto e simplista segundo o Aurélio, mas na prática é tão relativizado.
A nossa sociedade possa por mudanças constantemente e podemos afirmar que já evoluiu bastante na busca da garantia de uma mínima justiça. Hoje, por exemplo, negros e mulheres têm direito a ter voz ativa, independente do gênero, cor ou crença (ou deveriam ter, ao menos).
Me dói sentir a dor da injustiça em tantos casos que vemos por aí, saber que ser advogada não me dá superpoderes mágicos para mudar tanta coisa que vejo constantemente que me causam uma sensação desesperadora de que a vida humana não importa tanto quanto deveria nesse sistema louco que se diz civilizado.
Já nos alertava Lulu Santos: “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade”.
Bem, mas enquanto não posso mudar o mundo, posso, pelo menos, usar meus textos para levar um pouquinho de amor e de afago para quem ele alcance, afirmando que a injustiça será sempre dura para aqueles que tem empatia ao próximo, mas vamos fazer a nossa parte, mesmo que pareça ser apenas um grão de areia no meio do deserto do Saara.
Afinal, desde sempre e até que se prove o contrário, o amor e o sorriso são contagiantes e, ainda melhor, não custam nada. Um gesto de gentileza pode salvar a vida de alguém, um tratamento humanizado pode trazer esperança.
Meu desejo, minhas intenções, minha orações e meus pensamentos positivos é que estejamos caminhando para um mundo cada vez melhor, onde os Josés, os Joãos, as Marias, os Moisés, os Georges e todos nós sejamos tratados com humanidade, respeito e paz, até lá, nos perdoem… não percamos o otimismo e a fé.

Verso Encaminhante

Por: Diogo Verri Garcia

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(Verso Encaminhante)

Desceu a rua inteira,
Só por tentar caminhar.
Passou, insistiu e voltou,
Só para tentar ver o mar.
Aquele momento tão preso,
Tornado e tornava-se tormento.
Deixava a vida vazia
Sem cor, de uníssono sabor
já ansioso,
mais insólito e isento.

Ao menos, por sentir a vida por lá,
tão perto do mar,
caminhou tanto, e assim viu o céu, se expôs mais ao sol.
Faz dias que não notava alguma gente.
Não sentia aquela rasa corrente
Que corta logo em frente à praia.
A qual refresca,
Tudo aquilo e tudo mais quer que saia, porta afora.
Há algum movimento.

Queria ter o som da chuva a explodir no para-brisa,
Queria a mais sutil surpresa, daquela que não se avisa.
É a profunda beleza que há no redescobrimento.
Notando, só de sair ao vento,
Que existia um mundo em linguagem nada concisa.
Sentia falta da brisa,
Sentia falta, lá fora, da vida.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 03/06/2020)


Créditos da imagem: pixabay

Ignorância

Por: Mauricio Luz

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Ignorância

A um sábio perguntei
Como o coração dominaria.
Por violência ou magia
O que fazer eu teria?

Sem olhar para mim
Ele me respondeu:
“Como tantos no mundo
Você ainda não entendeu”

“Se não pode o navegante
Mudar o rumo dos ventos
Como pode você querer
Dominar seus sentimentos?”

“Faça como o marinheiro inteligente
Ou a gaivota que no ar flutua
Ajuste as velas! Solte as asas!
Apenas sinta o vento, e flua!”


créditos da imagem: pixabay

Quem Grita?

Por: Bianca Latini

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QUEM GRITA?

O tempo está girando rápido
Feito catavento em litoral
Pulsando frenético feito placa luminosa em curto circuito
Ele está gritando com a gente!
Fazendo-nos seguir ritmo de preparação física de atleta para as olimpíadas
Ele corre e tentamos ir atrás
Ele urge e escapa das nossas mãos
Entramos em transe, em parafuso
Achando que fizemos pouco
Que não somos capazes
Que somos ineficientes e lentos
Que somos correntistas negativados, devedores, insolventes
Hoje em dia não chove mais canivete
Chove downloads, informações, notícias
Novidade da novidade, previews, tendências, papers, videos, lives…
E só de saber que todo dia vai chover na tv, no celular, até nas conversas de bar
Fico querendo ir para algum lugar onde não chova essa chuva
Queria muito poder ter tempo para ouvir a chuva de outrora, com barulho de água batendo na folhagem verde, levantando cheiro de terra
Mas daí eu te pergunto:
Será que o tempo está mesmo gritando com a gente ou somos nós que gritamos com ele?


Créditos da imagem: pixabay

Perspectivas #0 a #3

Caros leitores,

Publicamos agora no site os quatro primeiros textos do projeto Perspectivas, já anteriormente apresentados em nossa conta de Instagram (@literarteweb). A seguir:

  • Perspectivas #0Carta em Entrevista, poema de Diogo Verri Garcia, declamado em três vozes (de Bianca Latini, do próprio autor e de Erika Nunes, nossa leitora);
  • Perspectivas #1Fotografias, texto de Bianca Latini, em duas vozes (da própria autora e de Rodrigo Cabral);
  • Perspectivas #2Varias Queixas, poema de Victor Cabral, em três vozes (das leitoras Angela Maria Cabral, Manoela Magalhães e do próprio autor);
  • Perspectivas #3Nada mais, só o tempo, poema de Diogo Verri Garcia, em duas vozes (da leitora Thais Velloso e do próprio autor).

O projeto perspectivas, sob curadoria de Bianca Latini, visa permitir nosso leitor emprestar sua voz aos poemas do Literarte.

Relembrando que, para participar do projeto, é só escolher um dos poemas dos nossos autores e enviar o áudio (pode ser uma gravação simples em Whatsapp, no que recomendamos que o telefone seja posto em modo silencioso, para assim evitar o som das notificações, além de o leitor procurar um local sem ruídos). Ao recebermos dois ou três áudios de um mesmo poema, será inserido o vídeo no ar: no Instagram e também aqui.

A produção do vídeo é nossa: aos nossos leitores, cabe só a interpretação do texto (fale conosco por direct do Instagram ou por aqui, para informarmos o número para envio).

Ao fim, o vídeo de apresentação do projeto, por um dos nossos autores, Thiago Amério.