Flávia Beatriz Borges, autora convidada (parte 2)

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Sem transgressões ao novo convite…

Ele é de bom alvitre pois não sei se poderei ficar

Meus conterrâneos são realmente bons, dialéticos,

profundos e eu só tenho um exemplar

Para dizer que não estou triste, só um palpite, me deixe estar.

Quem sabe eu melhore, me estenda, ganhe mais brilho e possa me perceber dentro do seu olhar

Plateia querida, crítica aguerrida

Olá, como é bom aqui me apresentar!

Espero mesmo evoluir, encantar, subir e realmente poder ficar…

(Flavia Beatriz Borges, 03/02/2019)


Sobre a convidada:

Flávia Beatriz Borges Bastos de Oliveira é Juíza de Direito e está muito feliz em apresentar seu intento poético ao Literarte.

O ar condicionado que pega fogo – Thiago Amério

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É tudo a moda Bangu.
Fazem de qualquer jeito
e alguém segura o caju
ou o fogo no meio do peito.
 
É tudo feito no jeitinho
fio por cima de água
choque na mão pra testar
amperímetro só pra fingir
e e.p.i. só pra sair na foto.
 
Aliás, admira muito o fato
de não acontecer mais desgraça
porque do jeito que a coisa é feita
era pra ter fogo de segunda a sexta.
 
Mas vou fazendo a minha parte
e se um dia o incêndio bate
mesmo daquilo que deve fazer frio
saio correndo primeiro
não sou metido a herói bonzinho.
 
Ps. Engraçado que ninguém tem culpa
e é tudo impune

Desinspirado

Por: Diogo Verri Garcia

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Sigo sem inspiração
A ponto que a palavra não garante
Nem bom som, nem confortável situação,
Para que se siga adiante.

Nesse intendo de fazer poesia,
Vejo que não é todo dia que frases e versos vêm.
Têm humor próprio, daqueles que fazem pinima,
Versos querem seu tempo, sua boa rima.
Não obedecem a ninguém.

Pensei em escrever coisas fáceis,
Mas elas deixam o que faço sem brilho, pouco sincero.
Escrevo e escrevo,
e os rascunhos são cada qual tão menos afáveis.
Faço dúzias de pausas, suscito dúvidas, espero.

Retomo o poema, e não basta.
Hoje ele não quer, porque não quer,
Ao menos por mim, ser escrito.
Deixo as causas, mudo os temas,
as dubiedades, as pausas.
Finalmente, contrariado, assinto.

(Diogo Verri Garcia, 31/01/2019)


Créditos da imagem: Pixabay

Simples Poeta

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Um poeta escreve

Descreve

Prescreve

Mas, além disso, com palavras

Ele canta

Encanta

Espanta

E, com os sons, ele escuta

Labuta

Transmuta

E, com a humanidade, ele observa

Reserva

Minerva

Para que sozinho, ele imagine

Fascine

Ilumine.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. Simple Poeta.www.tadany.org®

BBB 2019

Por: Mona Vilardo

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Terça-feira à noite, ligo a televisão (momento raro numa casa que privilegia o silêncio) e vou guardar a bolsa.  O som que escuto na TV é do programa Big Brother Brasil, onde o apresentador com uma voz (muito) animada, dá boa noite aos heróis do Brasil.

Fecho os olhos e crio na minha imaginação, o meu BBB 2019.  Nele eu coloco meus próprios escolhidos, meus próprios heróis.

Brumadinho: Devastada, submersa em lama. A quantidade de heróis que eu vejo é gigantesca. São bombeiros, famílias e pessoas de outros estados do país. Todos ali, sem nenhum ego inflado por ser chamado de heróis em capas de revistas ou jornais, apenas querendo salvar vidas. Renascer uma cidade. Heróis com H maiúsculo.

Depois, no sofá da casa, senta Boechat: Boechat que não chegou para o almoço em casa. Boechat da certidão argentina e coração niteroiense. Da língua afiada, da opinião bem formada e do jogo honesto na bancada do jornal. A âncora que prendia todos nós pelo ouvido de manhã cedo, o Âncora adorado por todos.

Numa entrada triunfal, adentrando a casa mais vigiada do Brasil, chega Bibi: Bibi de Procópio. Da arte latente. Que deu voz à Aldonza do “Homem de La Mancha”, passando por Piaf, Amália Rodrigues e Dolores Duran. Bibi de Flávio Mendes. Bibi do segundo ato de “Gota d’água”. Bibi: dona de todos os atos.

Dia de prova do líder. Prova essa que não tem um vencedor. No meu BBB é muito herói para apenas um vencer. Todos têm função de líder no meu programa.

Paredão. Que difícil escolher quem vai embora da casa, uma casa tão bem frequentada.

Toca o big fone e ninguém corre pra atender. Ele continua tocando.

Abro os olhos e percebo que é o meu telefone que está tocando dentro da bolsa que guardei quando cheguei em casa.

Droga, o barulho do meu telefone acabou com o meu BBB heróico.

– Alô, alô?

– Olá, nosso banco gostaria de…

Banco essa hora? Não tá vendo BBB? – Penso eu.

Desligo!

Na televisão o Big Brother também já acabou. Quem me dera um BBB da maneira que eu imaginei, com verdadeiros heróis eu assino até Globo play para dar “aquela espiada”.

O que me resta é concluir que algumas pessoas a gente nem conhece direito mas admira muito (Os salvadores de Brumadinho).

Outras, mesmo deixando de dar o “bom dia” que você espera a caminho do trabalho, te fazem parar para pensar em tudo o que acontece ao redor, e que a vida é um sopro realmente. (Boechat)

E as mais elegantes, saem de cena cantando até o fim, mantendo a certeza de que o show tem que continuar. (Bibi)

BBB 2019 imaginário – a melhor edição de todos os anos!


Crédito da imagem: pixabay

Flávia Beatriz Borges, Autora convidada.

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Transformações, transformações!

Eis a linha da evolução.

Tristezas, dor, trauma e coração despedaçado

São alguns caminhos que percorri no passado

Agora se fazem novos tempos, novo prumo, nova alçada

E o que prepondera neste momento

Até mesmo é somente o caminho, a boa passada

Passada pela vida

Rumo à evolução, pela transformação

Que nos fará subir mais um piso no altar

Da Glória de cristo

Pois nada mais há a despedaçar, vamos rumo adiante!

Que tal (re)começar?

(27/01/2019, Flávia Beatriz Borges Bastos de Oliveira)


Sobre a convidada:

Flávia Beatriz Borges Bastos de Oliveira é Juíza de Direito e está muito feliz em apresentar seu intento poético ao Literarte.

Senhora da Passagem (Visita-se a Vida)

Por: Diogo Verri Garcia

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Se a vida fosse justa, não seria vida.
Justeza verdadeira há só na morte,
Que leva a todos: a ti, a ele, a outros.
Garante uniformemente a mesma sorte.

Assim, a senhora da passagem recebia
todos quantos chegavam, sem pesares, nem contras, nem prós.
Por vezes, vezes e vezes, seu verso repetia.
Recebeu poetas, malandros, pessoas nossas, fidalgos, heróis.

Até ela, porém, não mais admite
Que todos tantos vão e vêm,
E a vida, inquietante que palpita, só assiste.
Feito turista, encantou-se pelo que outros acham ser corriqueiro,
Queria ter um mês ou dois; ou mês e meio

Para sentir a brisa no rosto,
Para pisar na água que molha a areia do mar.
Para ver, só por ver o mundo que rumina,
assistir crianças e meninas,
perceber o tempo passar.

E, assim, declarou aos atentos e aos dispersos
Que teria plenas horas vagas, na vida, à passeio.
Todo mês, nem menos que um dia, nem muito mais que um dia.
Exatamente: um dia e meio.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 2018)


Créditos da imagem: Pixabay

Este Quadro

Por: Tadany Cargnin dos Santos

Neste quadro, que não me enquadro

Me encarcero, me desespero, me desterro

Tão bonita moldura, me tortura, que loucura

Suas cores, meus temores, minhas dores

 

Pendurado numa parede hostil e deserta, quanta sede

Suas pinturas enganosas, tenebrosas, desgostosas

Suas imagens petulantes, desconcertantes, escalofriantes

Quem me impôs este quadro, maltratado, desgraçado?

 

No entanto, ele parece caber em mim, docemente

Mas eu não caibo nele, me sinto doente

Como quebrar esta moldura que me aprisiona,

Para abrir esta consciência, ampla como uma sanfona?

 

Ainda não tenho respostas, mas as dúvidas estão expostas

E o medo da dor da mudança, já partiu, doce pujança

Então, entre lágrimas e sorrisos, meu mundo reviso

Pois agora estou consciente, de que neste quadro, não mais me enquadro.

 

Como citar este poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. Este Quadro. www.tadany.org®

 

Alerta off-line?

Por: Mona Vilardo

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 “Depois vem chorando desculpas, assim meio pedindo, querendo ganhar um bocado de mel.

Assim nossa vida é um rio secando, as pedras cortando e eu vou perguntando: Até quando?

São tantas coisinhas miúdas! Arrasando aos poucos o nosso ideal. Num jogo de culpa que faz tanto mal.

O copo está cheio e que já não dá mais pra engolir.

Veja bem, eu busquei a palavra mais certa. Vê se entende o meu grito de alerta!

Essa vida da gente gritando que não” (Trechos da música “Grito de Alerta”, de Gonzaguinha)

Existem diversos sites e aplicativos que funcionam para avisar de passagens aéreas baratas. É bastante eficaz, eu mesma recebo algumas boas dicas de preço, promoções e destinos dos sonhos, vamos dizer assim. É um “Alerta de passagens aéreas”.

Outro dia eu li sobre o cadastro no “Alerta celular”. Você cadastra um código que tem no seu aparelho celular para, em caso de roubo ou furto, tornar mais fácil a recuperação do mesmo. Só em Pernambuco, em setembro passado, foram recuperados mais de trezentos celulares. Eficiente, não?

Um amigo me contou sobre o “Alerta: seu carro sempre em dia”. Esse, te informa sobre débitos e licenciamentos relacionados ao seu carro. O site para cadastro trava às vezes (quem nunca?), mas o alerta funciona.

A questão é: parece que os únicos alertas que não funcionam nesse país são os relacionados às tragédias naturais. Essas tragédias que rompem barreira em Brumadinho e que uma chuva aterrorizante simplesmente para o Rio de Janeiro. Cadê o alerta que tava aqui? Nem o gato comeu, ele não funciona mesmo.

Mas nada em casos como esses acima é “simplesmente”.

Na falha desse tipo de alerta, não se perde promoções de passagem, não se deixa de recuperar o celular da noite para o dia e muito menos o seu carro fica com os pagamentos no negativo.

No alerta que não toca, vidas vão embora e se tornam estatísticas. Vidas humanas não são nada simples.

Ah, o porquê da música no começo do texto? É que na verdade, peço licença para modificá-la um pouco:

“Depois vem chorando desculpas, assim meio pedindo, querendo ganhar um bocado de votos.

Assim nossa vida é um Brasil transbordando, as pedras rolando e eu vou perguntando: Até quando?

São muitas coisinhas enormes! Arrasando aos poucos o nosso ideal. Num jogo de culpa que faz tanto mal.

O povo está cheio e já não dá mais pra engolir.

Veja bem, eu busco a resposta mais certa. Vê se entende o meu grito de alerta!

É muita vida de gente gritando por atenção!


Créditos da imagem: pixabay

No encanto da verdade – Thiago Amério

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Se a verdade é um encanto,
E…  nunca terei a certeza,
quero é me apaixonar…

Pois, sem refletir um tanto,
Em reflexo, sem frieza…
a magia é de se encantar.

Se o encanto é de verdade,
E… nunca terei a certeza,
quero é me entregar…

Pois, vagando pela tarde,
E… sempre com firmeza,
o que vale é amar.

Vou na magia da verdade,
virtude como a bondade,
procurando, sim, felicidade.

Verdade, como diz?

Falando tudo que pressente?
Às vezes de modo eloquente?
Mas na essência: não mente?

Ah… a resposta da gente:

O encanto da verdade traz a paz…
a mentira em qualquer canto: jamais!