Em Garopaba

Por: Diogo Verri Garcia

whatsapp image 2019-01-05 at 11.33.29

Em Garopaba, até dia chuvoso encanta,
Observar baleias-francas no mar que tanto agrada.
O pesqueiro branco, de nome rubro Agostinho,
Do mar não volta sozinho,
O vento forte o afaga.

De montes verdes, areia escura e água clara,
O mar em Garopaba compete a beleza com o sol.
Por entre as praias, a vida encontrou enseada:
serena, tem tempo que não se acaba, na paciência da rede ou do anzol.

Por agora, faz-se intenso o céu cinzento.
As águas seguem o tempo briguento,
Espelham a cor, moldam-se ao vento,
Grisalho se torna o mar.
Se faz calor, em Garopaba também faz frio.
Não é viver janeiro no Rio, onde a brisa se recusa a gelar.

Despede-se o poeta que escreve a Garopaba.
Lugar a que não foi.
Por quem fotografou, conheceu:
O barco, a chuva e o vento em Garopaba,
o mar que não se acaba,
o mar que almiranta.
E escreveu: em Garopaba, até dia chuvoso encanta.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro – Garopaba, 05/01/2019)


Nota do autor: os versos foram inspirados na imagem do fotógrafo gaúcho e amigo de longa data Ricardo Moglia Pedra. O clique, segundo ele, dado despretensiosamente, enquanto passava o fim de tarde em Garopaba, com sua família, retratou o barco branco (o pesqueiro Agostinho), o mar de Garopaba e o dia chuvoso. Logo abaixo da foto, foi posta por ele a legenda: “Em Garopaba, até dia chuvoso encanta”.


Créditos da imagem: Ricardo Moglia Pedra (@ricardomogliapedra). Acervo pessoal. Praia de Garopaba.

A Estrela

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Uma estrela caiu no chão

Ela veio de outras galáxias, abrindo novas porteiras

Veio intensa, brilhante como um lampião

E ao bater no solo, seu calor gerou uma tímida fogueira

Ao que assisti como profunda admiração

E pensei ser uma cósmica e mística brincadeira

Então, nela joguei toda minha preocupação

Tudo o que era desnecessário, todas as asneiras

Cada deslize, cada dor e cada aversão

Cada papel inútil de dentro da carteira

E o que era uma singela chama, virou um fogueirão

Porque havia acumulado, mesmo sem querer, tanta besteira

Mas que a partir de agora, não mais existirão

Pois foram todas incendiadas, restando apenas uma bela clareira

Um novo espaço para reerguer a sagrada construção

Da estrela que quer brilhar, cintilar sem fronteiras.

 

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. A Estrelawww.tadany.org®

 

A metamorfose do silêncio

Às vezes o silêncio vale mais do que mil palavras.
Torna-se o grito mais alto.
O som que contagia a melodia se disfarça em pausas.
Em constantes inspirações a arte respira.

Inspira. Infla.
Pira. Esvazia.
Preenche. Completa.

Surge a música do compasso desfeito.
O poema do papel abandonado.
A dança do sono estático.
A pintura do quadro desbotado.

Fartura.
O vazio se transforma. 
E a arte-resposta revive. 
Da voz da própria boca-muda,
Que ao falar colore o mundo. 

 

 

 

No tédio da realidade

 

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

No tédio da realidade

Encontro razões para a rebeldia

Dos pecaminosos pulpitos da mediocridade

Consegui desde há muito minha divina alforria

Das garras agourentas da licenciosa sociedade

Desvencilhei-me com encantadora alegria

Na tristeza peçonhenta da crueldade

Descubro avalanches de rancorosa covardia

Nos lentos e tediosos instantes da normalidade

Acho que a vida inexiste, humana desvalia

Nestes gloriosos segundos de inspiradora espontaneidade

Em palavras me desnudo, escravo eterno da poesia.

 

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.No tédio da realidade.www.tadany.org®

 

À Zero Hora

Por: Diogo Verri Garcia

sparkler-677774 (1)

O tempo é estampido
Quando o relógio vira,
Os fogos queimam e ascendem,
Um novo tempo almeja-se,
Os festejos transcendem.

Percebemos que doze meses atrás
Um pouco de mais era almejado.
Também fizemos promessas.
Talvez menos ou mais festejado.

Mas nada mudará; talvez tudo mudou.
Certamente um reluto, e o entusiasmo vigora como a mola da alma.
O propósito é como o vapor, um foco resoluto.
Engaja e impulsiona,
e vistas as resoluções, acalma.

Com o mesmo entusiasmo de hoje,
Doze meses atrás, era esperado o momento.
Como se um algo novo bastasse, pondo finda a vigência do que houve em outrora.
Por si, nada muda: a intencionalidade é irmã do tempo.
Mas já basta, a vida passa.
O relógio soa: zero hora.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 29 de dezembro de 2018)


Créditos da imagem: pixabay

Correio versus Noel.

Por: Mona Vilardo

WhatsApp Image 2018-12-26 at 10.02.15

Final de ano é tempo de repensar valores, promessas, sonhos. Tentamos construir em nós uma confiança sempre maior no ano que vai começar!

Confiança: normalmente pensamos nessa palavra quando falamos de traição amorosa entre homem e mulher, ou algo mais perto disso, como traição entre amigos. Mas hoje quero falar de confianças que quase nunca pensamos, e que estão diariamente acontecendo ao nosso lado.

Semana passada coloquei uma encomenda importante no correio e sai de lá praticamente achando que estava mandando a minha mãe embalada pra presente! Na minha cabeça eu falava: – Não desvia a minha mãe, moço do correio. Tô confiando em você!

Sério, saí de lá pensando muito nisso. Se o moço do correio decidisse, da cabeça dele, colocar minha mãe, quer dizer, minha encomenda em outro lugar, lote ou destino. Já e-r-a!!!!!!!! Então eu estava depositando ali não só a minha encomenda, mas toda a minha confiança naquele moço que eu vejo esporadicamente. Tipo nunca.

Querem mais um exemplo? Eu confio de olhos fechados no açougueiro do mercado de bairro. Se eu pedir um bife de alcatra e ele cortar acém, eu não vou desconfiar, acredito que nem na hora de comer! Eu não sou nada boa para cortes de carne, só sirvo para saborear e dizer se gosto ou não. No máximo identifico um cupim, uma língua…que é fácil de saber, concordam?

Criamos relações de confiança diariamente, às vezes sem perceber. E pra essas confianças banais, parece que não damos tanto valor.

Mas a verdade é que ninguém iria gostar de ter o paladar trapaceado pelo açougueiro ou a “mãe” não enviada pelo moço do correio.

Agora tô pensando aqui com as minhas desconfianças: – Será que quando não ganhei do Papai Noel o coelho que pedi no Natal de 1991 foi culpa do moço do correio? Porque no Papai Noel eu sempre confiei!

– Papai Noel, ano que vem te mando um zap! Correios, nunca mais.

Esse texto é dedicado à todas as crianças que propagam a magia do bom velhinho.

A Contenda Perfeita

Por: Diogo Verri Garcia

christmas-3012862

Não se contenha em esperar que a vida
Seja a ementa perfeita dos anseios teus.
Leia tudo: não faça resenha corrida,
Pois os votos de Deus são mais extensos que os meus.

Neles haverá acalanto e resposta,
Muito embora não seja clara a leitura.
Neles se esperará que a vida por ti seja sempre proposta,
Com espírito leve, de tenaz aventura.

Exigirá desapego, resistência à dor.
Haverá pranto contumaz,
Surtos de paz e de leveza no amor.
Como tudo, não se mantenha à espera
Que a vida caminhe plena, para só fazê-la dar certo.
Não se envergonhe ou acanhe, vá!
Nem sempre a pausa é a razão dentre um compasso experto.

O tempo é caminho ligeiro e corre
na certeza incerta que o tempo sequer se percebeu.
Quem espera sua espera, de Deus um dia se socorre.
Mas este também te expecta e espera:
tolo daquele que jamais se resolveu.

Beija os que devas beijar
E abrace forte em ti os que desejas trazer.
Porque hoje é Natal
e amanhã logo será carnaval.
Agarra e abra: a vida é teu presente, outro melhor não há.
E ela passa voante, célere.
Por isso, não se contenha.

Diogo Verri Garcia, Rio, 25/12/2018


Créditos da imagem: pixabay

Venturoso

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Os pés estavam cansados de caminhar pelas mesmas ruas

O coração estava exausto de amar a mesma deusa

Os braços estavam depauperados de abraçar os mesmos corpos

As mãos estavam enfastiadas de cumprimentar os mesmos sorrisos

Os olhos estavam entediados de observar a mesma paisagem

Os ouvidos estavam desesperados de ouvir a mesma ladainha

A mente estava esgotada de pensar na mesma rotina

Foi quando o corpo decidiu partir

Então, os pés recobraram a avidez de peregrinar

O coração pulsou por um novo sonho

Os braços agarraram-se a nova brisa que soprava

As mãos tocaram extasiadas as novas silhuetas que brilhavam

Os olhos cintilavam com o novo desenho terrenal

Os ouvidos exaltaram-se com a nova sinfonia

A mente renasceu com a nova aurora que se apresentava

E o corpo, ditoso, pensava exultante na próxima partida.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Venturoso .www.tadany.org®

Feliz Natal!

Por: Literarte

BeautyPlus_20181225000522649_save

Caros amigos leitores,

Desejamos um Feliz Natal a todos. Que seja uma noite de paz e de luz para todas as famílias. Que o mundo seja regado de versos, e que nossos risos sejam crônicas, contadas para toda a vida.

Um abraço,

Literarte.


Créditos da imagem: arquivo pessoal DVG

Sejamos trapezistas

Por: Mona Vilardo

circus-835705

Essa semana assisti um filme que não era bom. Tentei mais que a metade do filme, mas desisti. Ainda bem que já estou praticamente de férias, porque quando isso acontece quando estou cheia de coisa para fazer, a frustração é maior. Perder tempo assistindo filme ruim quando não se tem tempo a perder é o fim!

Mas, uma frase do filme ficou marcada em mim. Num certo momento o personagem principal precisa tomar uma decisão sem pensar muito, é quando o companheiro dele diz: – É quando pensa muito que o trapezista cai.

Pronto, ali estava a frase que eu precisava para escrever meu texto dessa semana.

– Obrigada, filme ruim! Tudo sempre serve para alguma coisa, até mesmo o que é ruim!

Na próxima semana é Natal. Acho que é a data que menos temos que pensar. Veja se você concorda comigo:

Se a gente pensar demais, desistimos de ir na festa de Natal que aquela tia – que você nunca vê durante o ano – organizou. Coitada das tias, elas são sempre colocadas nessa situação de promoverem “festa estranha com gente esquisita”. Quase sempre é na casa da tia que essas festas acontecem. Pois é … se pensarmos muito, desistimos de ir, e também não iremos ver aquele primo que tem tanta coisa pra lembrar da época da juventude, ou aquela avó que todo mundo pensa que vai ser o último Natal dela.

Então, não pense muito e vá na festa de Natal! Ela poderá ser a sua última também. (Momento “Cruzes, Mona, sai pra lá”). Mas o dia de amanhã ninguém sabe, certo?

Confraternize, diga que sente saudades, distribuía sorrisos e agradeça a sua tia pois só ela consegue reunir toda a família nessa data.

Outro assunto que é melhor não pensar muito é a crença religiosa de cada um. Imagina na mesma família que tem católico, evangélico, macumbeiro e espírita? Vá pelo sentimento de amor, esse sim é a crença que une todo mundo. A crença em A, B ou C, você deixa em casa na noite de Natal e nem pense em impor ela quando seu primo (aquele das histórias da juventude) pede mais uma taça de vinho. É um momento de confraternização e não de debates ou convencimentos. Ah, isso vale para política também, claro! Diria até que é uma boa data pra você fazer as pazes com aquele parente que tem o voto diferente do seu.

Por fim, me direciono à tão famosa rabanada. Minha opinião é que você não fique pensando se come ou não a segunda, a terceira, quiçá a quarta rabanada. Esse delicioso prato natalino só aparece nessa época do ano … se permita. Nem se incomode que o ano novo está aí e você precisa caber no vestido branco que comprou.  Vai lá e coma a sua rabanada.

Pensar demais numa noite de Natal não é a melhor coisa para fazer, talvez o melhor da data seja isso: pensar de menos e sentir demais! Se jogue sem pensar, assim como faz o trapezista!

Um Natal cheio de sentido e menos pensado para todos os leitores do literarte.art


Créditos da imagem: pixabay