Exala
Postado no 22 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Exala
Hibisco que me devora
Me consome a mora
Habita-me
Expulsa-me desta fôrma
Que me encurrala, me soterra e me cala
Seja quem és: afrodisíaco, fúcsia, pitaya, jambo, mambo, mango, salsa, pinacolada
Tiro o salto e requebro os quadris de pés descalços
Como quem lambe o chão
E exala os sentidos, a força interna
O calor existencial
O fogo matricial
As mãos que dançam no sentido que lhes puxam
O cabelo embolado pelo suor da nuca
Evidencia vida, chama
Derrama!
Como cera queimando, escorrendo
Deixando derreter as inconsistências, as incongruências, os pudores
Que fique apenas os amores, os ardores, os rubores, os impulsos redentores
Ressaca do mar, onda que estoura em maré cheia
Delineia a tua faísca
Evapora e não demora em sua combustão
Lua tinindo
Noite de verão
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Intempérie
Postado no 17 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Intempérie
Ferida aberta, sangrando
Pulso pulsando
Coração desfibrilando
Arritmia
Agonia
In -tem- pé- rie
Falta Brisa
Falta vento
Falta catavento em ar fresco de litoral
Almejo o sal, a sede, o manancial
A natureza viva, perpetuando
Agora também está sangrando
Porque o fora é reflexo do dentro
E o dentro é espelho do fora
Quem sou agora?
Sou o dentro, ou o fora?
Onde estou eu agora?
Quem brotou primeiro?
Quem migrou?
Quem é o estrangeiro?
Onde está a sentença?
A premissa?
A noviça e o padre?
Onde está o julgador, o culpado, o redentor?
Desapega dos papéis
Incinera os quartéis
Desfaz-se dos anéis
E e enudeça-se em flor
De amor
De naturalidade
De musicalidade
Deixa brotar…
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Conexão
Postado no 12 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Conexão
Quando, de olhos abertos,
Eu não vejo o mundo
Adormecido estou.
E ao respirar,
Não sinto o ar que me alenta.
Morto insepulto estou.
Caminho, e no caminhar,
Não sinto a terra que sustenta meu andar.
Eu estou inerte.
O Sol me ilumina
E não sinto o seu calor e o seu poder.
Porque nas trevas da inconsciência
Estou mergulhado.
A poesia nasce no olhar
Daquele que a reflete
Em uma folha de papel,
Ou no sorriso que acende seu rosto
E aquece os corações à sua volta.
O homem apressado
Avistou uma estrela cadente
E a estrela cadenciou
Sua vida para sempre
Todos temos uma sede
Que somente o Fogo pode saciar
Deixe este Fogo abraçar você,
Consumi-lo total e integralmente!
E de olhos fechados,
Será capaz de enxergar o mundo,
Do jeito que você É.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Cultivo
Postado no 8 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Eu quero alimentar meus sonhos
E não deixá-los morrer de inanição
Que eu tenha arte, fé, peito, coragem,
Para reconhecê-los, entendê-los, explorá-los
Que eu não os compare, nãos os julgue, não os abafe, achondo-os tolos, inadequados, inalcançáveis
Eles vieram a um propósito e dizem muito sobre mim, minha jornada
Maluquice? Insanidade?
Não! Verdade.
Resistência, punição, fricção, cheque-mate: é o que costumamos fazer em relação aos nossos impulsos peristálticos, nossos movimentos orgânicos e naturais
Nossas mandalas da vida são caleidoscópios, aparentemente, sem lógica
De forma mais profunda, há um desenho minucioso, uma impressão digital singular, uma sutil e perfeita correspondência com o nosso DNA espiritual, nossas memórias celulares, vivências intra uterinas, nosso sopro de vida, além-corpo, transcasca.
Muitas vezes, seguimos, anti-maré, nadando para onde não dá pé, sabemos que vamos imergir, naufragar, sufocar…
Que possa eu enxergar, mesmo debaixo d’água e fure ondas, nadando bem rente ao fundo, sabedoura do caminho de volta da anti-essência para o que, magistralmente, faz sentido ao sentir.
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Unsplash
Pausa para o Café
Postado no 5 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Pausa para o Café
Respiro profundamente o seu perfume
Envolve-me em sensações que apenas você
É capaz de provocar.
Duas colheres, colocadas no leito de pano
Escurecido pelas vezes que amou a água.
A água! Ela borbulha, dengosa e lasciva,
Exalando vapor e calor, no ponto ideal…
Une-se a você em uma ardente comunhão.
Sua fragrância se espalha no ar
Enquanto uma parte sua repousa
No recipiente que serve de abrigo
após o amor tão quente e intenso.
Mas seu descanso é breve.
Logo o convido para encontrar-se comigo…
Nada de açúcar, por favor! Nada que mascare a sua essência!
Alguns diriam que “amarga, basta a vida”
Mas o bom barista sabe que amargo
É não perceber a doçura que até o amargo tem.
Uma pequena xícara, que meus lábios beijam
Minha língua sente o teu gosto
Tão amargo, tão sublime, tão intenso
Meus olhos se deliciam com a dança de seu aroma
Segundos de prazer e volúpia,
Forte como amor enjaulado,
Gostoso como beijo roubado.
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Planta dos meus pés
Postado no 4 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Juliana Latini

Planta dos meus pés
A planta dos meus pés precisa encontrar o chão.
Sentir a terra.
Enraizar-se.
Parar, aquietar, respirar até se perceber.
Desligar-se do mundo exterior por uns minutos.
Identificar em qual estação está,
Se no inverno com “galhos secos”,
Se na primavera, “com flores”,
Se no verão, “com frutos” ou
Se no outono, “desfolhando”.
Observar se necessito de água, sol, vitaminas e minerais.
Conectar com a essência, ainda que precise regar com lágrimas.
Mergulhar em mim.
Fluir em amor e aceitação até encontrar algo precioso: aquele reloginho que bate, às vezes, fora do compasso e me acelera.
Preciso reprogramá-lo até sincronizá-lo com o meu tempo interno.
Não ser uma “folha” conduzida pelo vento do mundo exterior, mas uma “planta’ com raiz firme e saudável.
Mesmo que venham tempestades, ter equilíbrio interior
e continuar plena quando tudo passar.
Até que eu sinta a harmonia de toda a sinfonia que sou.
Até que eu expresse e manifeste aquilo que cabe a mim fazer neste mundo.
Até que repouse em mim pássaros na busca de abrigo, alimento e paz.
Juliana Latini
Créditos da imagem: Pexels
Postado no 3 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Sempre quererei ouvir-te por notas musicais
Há dias subindo e descendo por escalas menores
Escalada de temores
Provando os sabores de cada toque marcado
Ardendo em chamas ou em cortes salgados
Pingando com lembranças de afago
Sangrando por entre pêlos eriçados
Com a saudosa lembrança do que não ocorreu
Antes fosse tudo, quisera eu
Antes de tudo, fôssemos nós
Ante o tempo, fosses veloz
Ante a dúvida, uma linha
e a caneta que escreve:
Era uma vez.
Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Pinterest
Meu armário
Postado no 1 de novembro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Meu armário
Porque roupas não são apenas roupas
São uma forma de expressão
Um veículo de comunicação com o mundo
Um grito
Uma manifestação
Um falar calado, um outdoor que não tem voz, mas grita
Um chamamento para si: ei, olha! Estou aqui e tenho algo a dizer!
Através da vestimenta
Escancaro a minha criatividade
Posso ser hippie, chic, brega
executiva, dar uma de esportista…
Posso ser romântica, poeta, diva
Posso ser cada coisa de uma vez ou tudo ao mesmo tempo
Vai depender de quem sou eu naquele momento
Diversidade, humor, contraste, sair do óbvio, do previsível, desconstruir, romper, encantar, trazer alegria, colorir, perfumar
Personalidade em invólucro
Metamorfose vestida
Pessoa em trânsito
Alma querendo se achar, se ver traduzir, decodificar.
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: https://www.advanced.style/
Quando?
Postado no 29 de outubro de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Quando?
Há poemas que são gritos
Cristalizados em verbos e advérbios
Palavras que ferem como farpas
As máscaras que uso e me usam
Suave violência de versos
Como a planta que rompe concretos
Os gritos me lembram o que sou
Me dão pistas do vim aqui fazer
Mas… apesar de altos e vibrantes
São abafados pela surdez causada
Pelas rotinas aceitas e pelas contas mal-pagas
“Pare de gritar comigo, Poesia!”
“Eu sei como agir! Eu sei como ser!”
“Só não posso hoje! Só não posso agora!”
“Amanhã eu começo. Amanhã eu faço. Amanhã eu me torno.”
“Como eu te disse ontem.”
“Amanhã… Amanhã…”
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Escrever
Postado no 26 de outubro de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Escrever
Escrever é vômito
É desobstrução
É respiração boca a boca
Desfibrilação
Escrever é desague
Desmanche
Reconstrução
É esvaziar
É ir, deixar ser
Permitir-se o lado mais obscuro
É contar segredo no papel
E dizer as maiores verdades
Aquilo que se esconde de si mesmo
É Confessionário
É encaixe: tradução do sentir em palavras Estas que, uma vez escritas, aliviam um pouco o que se passa dentro
Pode ser alívio por partilhar algo tão belo que não merece ser guardado egoisticamente
Pode ser alívio pela retirada de estaca no peito
É como se as palavras fossem escavadeiras
Que te escavam por dentro e tiram a terra para alcançar o substrato
Deixam respirar o que estava quase sem oxigênio
Deixam brotar o que estava espremido, bem no chakra cardíaco, represado no plexo solar
Escrever é florescer
Regar
Jardinar
Escrever é vida
Liberdade
Voo
Encontro com sua essência
Escrever é intimidade, clareza, prazer em conhecer seu avesso
Sua beleza
Sua expressão reprimida
É deixar vir à tona seu vazio existencial
Seu manancial de potencialidades adormecidas
É encantar-se com tanta delicadeza do que sai de você
E também espantar-se com tanta dor!
Escrever é oráculo, mistério
Hemisfério
Desopilador
Por Bianca Latini
Créditos da imagem: Unsplash
