Leitor Também Escreve: Luisa Almeida

Entra no salão

Um passo de salsa
Plié improvisado
Saia rodada, sem farsa
Sapatilha ou sapateado
Leveza de um giro
Cinco, seis, sete, oito,
Um ritmo, um suspiro
Laço bem feito
Enfeitando, eu respiro
Em cor-de-rosa ou perfume de rosa
Ballet, tango ou bolero
Ah, como quero!
A doçura da bailarina
A precisão da dançarina
É o ritmo da festa
O brilho em cada fresta
Samba devagarinho
Bem soltinho
Quem conta
Em pé e meia ponta
A coreografia da poesia
A verdade da saudade
É dança, entra no salão!

Luisa Almeida


Créditos da imagem: Unsplash

Frases curtas, vida rasa

Por: Bianca Latini

Frases curtas, vida rasa

Minha alma dói, às vezes
Dor profunda
Me afundo
Eu me frustro
Me decepciono
Me entristeço
Tudo eu…
Como vejo e sinto as coisas
Sei que não é culpa de ninguém
Sinto não ser deste mundo…
Deste aqui, de plástico, de papel
Torre de Babel
Pessoas não gostam mais de pessoas, de contatos humanos, de telefonemas, de troca olho no olho
Elas não tem tempo, nem paciência
Muito menos vontade
Mensagens: só pelo whatsapp
Frases curtas
Sejam escritas ou de voz
Escritos com mais de cinco linhas: elas não lêem
Gravações com mais de 30 segundos: elas não vão nem perder o seu rico e escasso tempo!
Vira a página, passa para a próxima fase!
Pisca e está tudo certo!
Vida acelerada
Consumo acelerado
Informações rápidas, mastigadas
Reflexão: ahhh… não! É muita viajada!
Coisa pra hippie, cigano, monge tibetano
Aqui é necessário resultado
Investir na bolsa é a grande sacada
Se matar de ganhar dinheiro a-g-o-r-a, para um dia…. aproveitar!
Mas, provavelmente, lá neste tão sonhado dia…não se tenha mais saúde, nem energia, muito
menos esperança, confiança, alegria, temperança…
Neste dia, você já terá perdido a sua criança
Ela deverá estar tão longe de casa
Que vai dar muito trabalho encontrá-la e resgatá-la de volta….
E se vai dar trabalho….
Ahh…eu já sei!!! Você não quer nem ouvir falar, pensar, imaginar….
Acertei?!
Mas, por enquanto, ainda estamos falando aqui, neste exato momento chamado presente
Que tal começarmos a desembrulhá-lo, vagarosamente?
Atentos ao laço de fita
Sua cor, seu toque, sua extensão
Sem pretensão
Sem senão
Sem afobação
O que tem lá dentro é o que menos importa
Não é sobre o que você vai ganhar
É sobre como abrirmos o presente.

Bianca Latini


Créditos da imagem: Pixabay

A Branca Folha Plena de Poesia

Por: Mauricio Luz

A Branca Folha Plena de Poesia

A branca folha de papel
Nunca está em branco.
Ela já contém todos os versos,
Histórias e sonhos
Que nela serão desvelados.
A mão que nela escreve
Apenas revela ao mundo
As linhas que estavam escondidas
Na enganosa branquitude da folha.

Por: Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Razão…

Por: Diogo Verri Garcia

Razão…
Que razão que tu tens a quedar-me
Em tua alma a condição de espreitar-me
Pelo tempo do senão que tu tens?
Não és nada mais…
Não és ninguém,
A pretender ter certeza do quanto vale
meu bradar, teu soluço ameno, ou meu sorriso.
O notar se agi de bom ou mau juízo,
Isso porque, tão só porque, a verdade não tens.

Como pretendes adentrar com cinismo em minh’alma
E afirmar que há sinistro na calma,
Sendo que, nem amargura, quanto a tudo, revelas…
Porta-te como um passante
que se pôs a parar,
por só instante
à janela,
E quer contar a justeza
do que passa cá dentro e lá fora
em todo o mundo.

Afirma haver onde não estará,
E porque não há,
A certeza plantada manténs…

Precipitação…
É do que te acuso, em defesa do meu
orgulho já remido.
Pela devoção do momento, tão bom,
perdido em tão vão ruído.
Eis que ouves
o discurso incauto de alguém.
E te reforças, na tua crendice, então…
Só porque tens razão.
Sem leveza, sem senão.
Só a razão que, ninguém mais,
só tu tens.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 27/04/2021)


Créditos da imagem: Pixabay

Voos de balão, voos da vida

Por: Priscila Menino

Voos de balão, voos da vida

Fiz um passeio de balão recentemente e lá de cima me permiti ser tomada por uma reflexão.
Pensei na fragilidade da vida, estava eu ali sendo conduzida por um tecido gigante e uma cestinha de madeira nos céus, totalmente sem qualquer forma de plano b, se algo desse errado ali, não sei se estaria aqui escrevendo essa crônica.
Ironicamente pensei sobre o motivo que me leva buscar esportes e hobbies com altura. Senti que, em certa medida, a altura me mostra que há sempre uma forma de ver acima, enxergar além. Olhar as copas das árvores e saber que há sempre, pelo menos, um outro ponto de vista, basta eu querer ver.
Pensei em quantas pessoas vivem uma vida inteira sem enxergar sob outra ótica, sem mudar seu foco de visão, vendo sempre da mesma maneira vertical.
Pensei ainda no fogo que é o que move o balão, dá força para alcançar os céus.
Nesse momento, me indaguei qual é o fogo que me impulsiona, que me faz alçar voos mais altos e mais elevados.
Aliás, lidando com o fogo, é preciso ainda cuidado com os excessos, afinal, se houvesse fogo demais ali, o tecido do balão poderia se queimar e deixar de voar, causando um possível desastre.
Como é tênue a linha entre engajamentos e excessos, não é mesmo?
Saber dosar todas as possibilidades, voando e aterrizando no momento ideal é um desafio constante e talvez seja aí que more nossa evolução como ser humano.
Ainda bem que, diferentemente do balão, na jornada do voo da vida a gente pode até ter eventuais excessos ou escassez no fogo e ainda assim permanecermos vivos, talvez com alguns arranhões, mas vivos.

Por Priscila Menino


Créditos da imagem: Arquivo pessoal

Leitor Também Escreve: Marcielio Nascimento

Chama Viva

Manter a chama
Me chama no choro
Me chama no riso
Somos feitos de improviso

Engatamos no enguiço
Somos mestiços
Místicos e misturados
Seres adaptados

Com chegadas e partidas
Somos partido Alto
Nem direita, nem esquerda
Somos do centro do coração

Atemporais, dos mundos
Fundos de quintais
Das ruas, nuas
Despidas de preconceitos

As vezes lentos ou ligeiros
Somos do aqui
Somos agora
Não ligamos pro tempo ruim

Espíritos eternos
No corpo que finda
No relógio, na inércia, ócio
Ainda assim seguimos

Na odisseia da vida
Sendo atores, cantores
Tenores ou jogadores
Atletas da sobrevivência

Respiramos, Aspiramos
Reclamando ou Gratos
Vamos rodopiando
Na aspiral do tempo eterno

Que sejamos sonhos
Desejos, alegrias, ventos
Leves, elevados, superados
Sigamos nossa viagem

Com raça, saúde
Esperança e talento
Se precisar, me chama
A chama não pode apagar…

Marcielio Nascimento


Créditos da imagem: Unsplash

Na Virada da Curva

Por: Bianca Latini

Na virada da curva

Ninguém é tão fechado, que não possa ser aberto
Ninguém é tão antiquado, que não possa ser moderno
Ninguém é tão retrógrado, que não possa andar pra frente
Ninguém é tão ranzinza, que não possa se alegrar
Ninguém é tão normal, que não possa ser maluco
Ninguém é tão habitual, que não possa dar rompante
Ninguém é tão adormecido, que não possa despertar
Há que se achar o ponto de inflexão, a brecha, o gatilho de mutação
Na virada da curva: aquela percepção
A caída de ficha
Às vezes até de orelhão!
Pode ser na caminhada em contramão
Na invertida de ponta-cabeça
No canto de um pássaro
No incrível pôr do sol
No sussuro da cigarra
Pode ser um nascimento
Uma morte
Um soneto
Um grave ou o mais elevado soprano
Pode ser a chuva que cai
O caldo que entorna
A separação
A frustração
A doença
A desceleração forçada
Pode ser um baita susto
Um revés financeiro
Um reencontro
Um desencontro
Uma confusão
Um pegar de sopetão
A oportunidade que despenca na sua mão…

Afinal, todo dia é dia
Todo tempo é tempo
De refletir, perceber, se autoconhecer
Não gostar do que se vê
Ressignificar, mutacionar,
virar do avesso
Demolir, reconstruir
Romper, decodificar
Depois silenciar, agregar, evoluir
Seguir a caminhar…
Continuada e descontinuadamente
Vai depender da vertente
Mas, SEMPRE, conectado com o que se sente
Com o pulsar da semente, do grão
Do polén
Do embrião

Bianca Latini


Créditos da imagem: Unsplash

Clássicos da Literatura: Lev Tolstoi

“Levine erguera-se para cumprimentar a senhora e, fitando muito o oficial, disse depois para consigo: Deve ser o tal Vronsky! E para certificar-se olhou para Kitty. Esta já tinha tido tempo de olhar para os dois rapidamente. Mas Levine percebeu que ela amava o outro pelo brilho dos olhos… Então quis conhecer bem aquele homem. Muitas pessoas à vista de um rival afortunado negam todas as qualidades que lhe renderam o seu bom êxito e, com o coração dilacerado, julgam-se inferiores a ele. Levine era assim e atentou na fisionomia insinuante e simpática de Vronsky que, a par da senhora que entrara, se dirigiu à princesa, e logo a Kitty. Pareceu-lhe que ao inclinar-se diante dela os seus olhos tomavam uma expressão de ternura e que o seu sorriso revelava a maior felicidade.”

Lev Tolstoi (Ana Karenina)


Créditos da imagem: Pixabay

Para nossa pequena Nina…

Por: Priscila Menino

Para nossa querida Nina…

Sabe, pequena, eu queria te dizer umas coisas.
Primeiramente, seja bem vinda a esse mundo louco.
Você não faz ideia do quanto a você foi esperada e sonhada.
Todos sonhamos juntos com o dia que seguraríamos as suas pequenas mãozinhas e sentiríamos a gratidão de saber que tudo tem seu momento e hora certa.
A gente sabe agora que você estava lá nos braços do criador se preparando pra vir fazer transbordar alegria na vida de todos.
Vou te contar um outro segredo, você tem os melhores pais que alguém poderia ter.
Sua mãe tem a força de uma leoa e a delicadeza de uma flor do campo, não há nada nesse mundo que você não poderá contar com a ajuda dela.
Seu pai é companheiro e dedicado, saberá dosar as medidas certas dos temperos que você precisará na sua jornada que está mal começando.
Ah, você tem um lindo irmãozinho canino também, não é Buarque, mas é um Chico arretado também.
Seu avô é um guerreiro como aqueles dos filmes que você vai ver, você nem imagina quantas aventuras te esperam com ele.
E sua vó, eu tenho certeza que você a conheceu no céu e seu que já brincaram juntas em algum balanço celestial imaginando como seria linda a sua vida aqui nesse plano.
A sua Tia também está preparada para te ajudar em tudo, com “Belinhas” doses de cuidado que ela tem, trará acalanto pra qualquer arranhão no joelho e DANEm-se os outros, ela vai se jogar no chão e deixar você fazer dela uma aviãozinho.
E pensando nisso tudo, eu também teria antecipado minha chegada, imagino que deva ter sido difícil se conter naquele casulo dentro da mamãe por meses, sabendo quanta coisa boa estava aqui a sua espera do outro lado.
Mais uma coisa: não se preocupe, daqui a pouco esse mundo pandêmico vai passar e vamos viajar para tantos lugares juntas, a tia já está animada traçando os destinos.
E não contarei pra sua mãe quando a gente tomar aquele picolé antes do almoço, não se preocupe, também não contarei quando te emprestar meu batom preferido para te deixar brincar de se maquiar.
Nina, você é só amor em cada detalhe, em cada pessoa, veio ninar nossas vidas em um sonho sonhado de olhos abertos. Estaremos sempre aqui para te ninar também, gratidão pela sua vinda e sinta-se em casa no seu novo lar.

Por Priscila Menino


Créditos da imagem: Pexels

O que eu aprendi com as dores de parto?

Por: Juliana Latini

O que eu aprendi com as dores de parto?

Vivemos em uma sociedade que desaprendeu a sentir dor. Sentimos medo da dor e, quanto possível, remediamos essa sensação. Mas, ela tão presente na história da humanidade, o que tem para nos ensinar?
Conhecia a dor do parto pessoalmente e vou te contar o que eu aprendi. Era uma tarde fresca e ela chegou. No início, reagi como sempre aprendi, fugi dela! Até que a voz da experiência me orientou: “Não fuja da dor, não fuja da dor. Quanto mais fugir dela, mais tempo vai demorar”.
Como em transe, respirei fundo. Contei até 10. Lembrei que Deus não nos dá nada que não possamos suportar e me abri para a dor. Ela veio. E veio com muita intensidade.
Eu conversei com ela e perguntei o seu nome. Ela respondeu: ”Dolores”. Eu dancei com ela e aprendi que podia sorrir, pois ela também era a força da vida. Que se eu fosse junto com ela, juntas chegaríamos ao destino tão desejado: o fim da dor para a chegada de uma nova vida.
Ao sentir essa dor ancestral, pude me conectar com toda a humanidade em qualquer tempo da história.
Aprendi que mesmo com a dor, posso pensar em coisas boas como o amor e a gratidão.
Aprendi que a dor faz parte da vida e que não devemos ter medo de senti-la, pois corremos o risco de nos anestesiarmos da própria vida.
Aprendi a ser mais humana e a ter compaixão com aqueles que sentem dor.
Aprendi que mais do que nunca precisamos nos conectar com o nosso interior.
Aprendi o quanto é importante ter ao nosso lado alguém de confiança que nos dê a mão e passe junto conosco esse momento.
Aprendi que quando vencemos a dor, renascemos e sentimos uma grande satisfação.
Ficamos mais fortes ao colhermos os bons frutos que ela nos trouxe; seja um filho, uma cura, um entendimento.
Aprendi que realmente podemos suportá-la.
Ao encararmos a dor e conhecermos o seu ritmo, aprendemos a dançar
a dança da vida.

Juliana Latini


Créditos da imagem: Pexels