A morte
Postado no 28 de junho de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

A morte
Tão temida…
Tão proibida…
Seu nome desperta calafrios
Sua ocorrência, desespero, sentimento de despenhadeiro
O que se perdeu, o que não volta mais
O desconhecido…
O arrependimento daquele que ficou, pelo que não se fez, não se disse, não se doou, não
acolheu
Parece uma ida para um lugar de não encontro
Como se quem partiu virasse alma penada, isolada, sentenciada
E quem ficou permanecesse no boeiro do inconsolação, vale do vespeiro, finitude, derradeiro
Imutabilidade, saudade, misto de lembrança e remorso
Preenchimento e vazio
Era, foi, não está mais, pra onde foi, onde estará? E eu? Como será? Não hei de
aguentar…difícil demais…sem ar…irei sufocar…
Mas não!
Te asseguro que este lugar aqui foi feito para respirar
Inspirar
Transpirar
Transmutar
Ultrapassar
Resignificar
Desmistificar
Despir
Aprender a confiar
No sentido da vida
Na grandeza da existência, além do corpo
Entender que a energia jamais morre
O sentimento genuíno jamais perece
As lembranças não podem ser cremadas
E a essência vital impassível de sepultamento
Assim, desfaz o tormento
Não é um ponto final
É apenas um sobrestamento
do encontro em matéria
A energia nunca deixa de pulsar
Não há com o que se desesperar
Flua e encontre todos os dias o ser querido, que você achava ter perdido para sempre..
O amor não morre, ele apenas se transforma.
Por Bianca Latini Em 20/06/21
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Estratégia
Postado no 25 de junho de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Estratégia
Sonhar para um milhão de amanhãs
Planejar para dez mil amanhãs
Estudar para mil amanhãs
Agir para todos os amanhãs
Amar como se não houvesse amanhã
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Discrição
Postado no 24 de junho de 2021 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Discrição
Se é pra pensar, e pensando,
falar.
Prefiro acabar-me em silêncio.
Que, assim, silenciosamente sinto,
Das dores minhas só, minto,
e faço o meu próprio compêndio.
Pois pra poder falar, tenho a certeza
Que a leitura é só minha.
E cada página virada,
Haja tristeza ou beleza,
uma ou outra haverá,
apenas comigo,
sozinha.
Mas se tiver de falar,
Só por falar,
Em tua cobrança.
Alerto ser melhor minha abstenção.
Que há palavras
a machucar,
dada a grande inconstância.
Assim, prefiro manter discrição
Da saudade que partiu,
e me sorriu.
Deixou lembrança e a deixei,
Pois não chorei,
Mas nem assim me deixou.
Porque somente agora percebi
Que não sorri.
E da saudade, até você me lembrou.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 28/03/2021)
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Aperte o play, viva!
Postado no 23 de junho de 2021 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Aperte o play, viva!
Ali estava ela, com o controle na mão, o braço esticado e pronta para apertar o play.
Mas faltava algo, não conseguia ir em frente, a tela estava pronta, mas ela não.
“Era só apertar um botão”, eles diziam, não entendiam a hesitação repentina.
“Cadê aquela coragem?” “Cadê a força de vontade?”, eram tantas conversas paralelas e desconexas, mas ela não queria dar atenção, afinal, eles não sabiam o turbilhão de pensamentos em explosões colidindo na cabeça dela.
Dar um play na vida e se permitir viver demanda não só coragem, mas é quase que um ato de fé e ela já não sabia mais se estava pronta ou não, não queria ter que lidar com tantas variáveis, queria a falsa sensação de segurança da estabilidade.
De repente, cerrou os olhos, mordeu os lábios, contou até três e apertou aquele botão vermelho, era hora de se permitir sentir, de buscar as tantas possibilidades possíveis.
Ela não sabia o que o destino traria, evidentemente tinha seus medos e monstros, mas confiou que viver e sair do estado de pause era mais do que necessário.
A tela se iluminou, o filme da vida recomeçou. Ela apertou o play, reviveu, vai valer a pena, eu asseguro!
Por: Priscila Menino
Créditos da imagem: Pixabay
Insaciáveis
Postado no 21 de junho de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Insaciáveis
A gente está sempre achando que precisa um pouco mais
Mais um curso, mais um saber, mais muitos passos pra se conhecer
Mais uma formação, mais um diploma, mais um idioma
Mais um certificado, mais uma transferência de conhecimento
Uma palestra, um workshop, uma especialização
Mais, mais, mais…
Viramos obesos mentais!
Retemos e não absorvemos
Damos input, mas não fazemos refresh
Não ruminamos
E depois…se não digerimos, regurgitamos
Acabamos escravos de uma percepção equivocada de que ainda falta um longo caminho a percorrer, de que o alimento não saciou
E que ainda é preciso beber e comer
Mas não!
Estamos errados, cegos, desconectados
Já está tudo aqui
Sempre esteve
Desde o dia em que estreamos
Por muitas eras
Uma semente idosa
De onde sempre brota um broto novo
A oportunidade da vida
As lembranças esquecidas
Basta sentir para recordar
Apenas fechar os olhos e deixar vir
Tudo aquilo que sempre esteve aqui
Jaz
Refaz
Reconta
E adormece
Nos braços da serenitude
Acorda no orvalho
Deixa as gotículas despertarem teu ser
E vivificarem em ti o que te trouxe a esta viagem
Por Bianca Latini
Em 05/06/21
Créditos da imagem: Pixabay
Concentração
Postado no 18 de junho de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Concentração
Por favor, não me incomode
Agora estou em meu mundo
Construindo outros mundos
Estou desperto, não me acorde
Pois dos Universos que crio e criei
Há infinitos pedaços de mim
Que as palavras que tranço e trancei
Levam a lugares sem fim
E se minha imaginação não faz
Se o meu fazer não imagina
Fico como planta que jaz
Sem semente, e não germina
Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Alegria de Viver
Postado no 17 de junho de 2021 Deixe um comentário
Por: Juliana Latini

Alegria de Viver
O tempo do relógio, com a sua espiral, determina o nosso ritmo.
Acelera-nos e nos faz correr.
Gira como uma máquina espremedora, enquanto nos vemos sugados, sem energia, sem força, sem criatividade.
Corro o risco de viver no automático e andar como uma sonâmbula pelas ruas.
Preciso de um despertador que me lembre o tempo da minha natureza interior, que me conecte com todo o Universo, pois sou parte dele.
Desperto-me. Abro os olhos.
Dou fim àquela experiência hipnótica.
Sinto a calma.
Não é possível apressar o tempo da natureza.
A paz se revela como um passarinho que repousa na minha janela.
Percebo o movimento da vida, a alegria de estar viva e ouço a música de uma grande orquestra, composta por mares, ventos, chuvas, insetos, aves. Percebo que faço parte dessa música, pois posso ouvir a batida do meu coração.
Tun Tun Tun Tun
A vida pulsa dentro de mim.
Tun Tun Tun Tun
Eu começo a entrar no meu ritmo e passo a respirar de forma consciente.
Lá no fundo, posso ouvir: “Não se preocupe com o dia de amanhã. O dia de amanhã cuidará de si mesmo”.
Sinto o ar entrando fresco, limpo, renovado, ao passo que as impurezas vão saindo.
Esse movimento cíclico ocorre em sintonia com ritmo do mar, que vai e vem.
Cada minuto não é mais igual ao outro, cada pessoa não é igual a outra.
O tempo não é só investimento para o futuro, para se poupar ou se perder.
O tempo é um presente.
Juliana Latini
*Texto inspirado em conversa com Daniel Munduruku
Créditos da imagem: Unsplash
Turbulência
Postado no 16 de junho de 2021 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Turbulência
Chega!
Não procure.
Chega!
Apenas dure.
Aperte e pulse.
Quando a máscara cair,
ao primeiro sinal de rarefação,
puxe-a para liberar o fluxo.
Então, respire.
Fundo.
Primeiro você.
Depois o mundo.
Raquel Alves Tobias
Créditos da imagem: Pixabay
Leitor Também Escreve: Jaqueline Dergan
Postado no 15 de junho de 2021 Deixe um comentário

Coração Mar
Meu querido coração
às vezes manso
tempestuoso
às vezes ruidoso
Brinca de ser mar
De infinitas cores
nuances
Mergulha em si mesmo e se bate como ondas
Em minhas angústias faz-se pequeno
Como se o mar se resumisse a pingo
Espremido
Aprisionado
Mas ao alvorecer
gigante
Infinito
Renascido
A luz vem e o mar que antes era pingo
Volta a seu lugar de imensidão
De vida
De libertação
Ahh coração
Como é bom te conteplar
Perceber que és forte
Vivo
Perceber que és mar.
Por: Jaqueline Dergan
Créditos da imagem: Pixabay
Aguar-se: Banho
Postado no 14 de junho de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Aguar-se: Banho
Poderia ser apenas um banho
Simplesmente água
Mas é lavagem de fora que lava dentro
Leva embora a irritação, o cansaço, o dia pesado
Deixa a poeira dissipar pelos cabelos do jato do chuveiro
Cabelo transparente
É água corrente
Me deixo, me largo
É água quente
Pode ser inverno ou verão
Não tomo ducha fria, de cara, não!
Pode até ser… num segundo momento…
Mas, de primeira, só se eu estiver numa tremenda suadeira
Me lavo, me derreto
Às vezes canto, noutras apenas deixo a fumaça embaçar os vidros, o espelho, meus pensamentos…
É um relaxamento, permissão,
Autorização para se esvair, se derreter e não se conter
Deixar descer pelo ralo o dia perdido com obrigações, insatisfações, lamentos…
Saio leve, com a pressão mais baixa, o peito mais vazio, o cabelo mais molhado e o corpo preparado para dormir embalado
Banho…
Sorte a minha poder tê-lo todo santo dia!
Por Bianca Latini
Em 05/04/21
Créditos da imagem: Pinterest
