O mar no caminhar daquela moça
Postado no 19 de março de 2021 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

O mar no caminhar daquela moça.
Acompanho de perto aquela moça,
Que lindo coração.
Se jogou na vida, levou porrada do destino, levantou.
Caiu outras vezes, mas continua levantando.
Leva muitos nos ombros, mas segue firme no salto.
Aliás, não posso deixar de falar dela sem falar da sua alma feminina.
Veio do piso de chão, mas sempre teve seu toque de menina moleca, seu charme natural.
Se faz de durona, mas ninguém sabe que chora assistindo filme de comédia romântica.
Odeia incomodar, aliás, ela sempre acha que está incomodando, mal ela sabe o quanto a presença dela traz alegria.
Seu estopim é curto, não pise no calo dela, ou verá uma leoa pronta para atacar, bruta como só ela.
E falando em leoa, defende sua cria com unha e dentes, é bonito de se ver a harmonia deles.
Seu coração é enorme e, se você for da afeição dela, ela te apoiará sempre.
Leal como tal, quem falar mal de um amigo dela, ela compra a briga e faz até inimizades, se preciso for.
Ela é guerreira, se vira como pode, sempre buscando seu lugar ao sol.
Mas na verdade, até o sol admira o brilho dela. E que brilho.
Deve ser por isso que ela ama tanto o mar, seja por estar presente até nas letras do nome dela, ou seja pelos raios de sol que batem na água e reluzem no seu caminhar.
Siga, moça, continue a brilhar…
Por Priscila Menino
Créditos da imagem: Pixabay
Mamanguá
Postado no 17 de março de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Mamanguá
Sabe quando você conhece um lugar
E ele te penetra e te emudece?
Porque nenhuma palavra seria
tão precisa ou eficaz para descrevê-lo?!
No quesito sensação
Poderia falar em inebriamento
Beleza exuberante
Natureza viva
Cores em seu esplendor
Povo e sua raiz
Gente Simples
Feliz
Gente da terra
Do mar
Gente que nasceu banhada
Em água salgada
Verde esmeralda
E traz em suas prosas e suas contaçōes de histórias
A cristalinidade
Desse manancial
Crianças que são crianças
Brincam sem brinquedos de plásticos
Elas interagem com a natureza pulsante
Sobem árvores, catam frutos, sentem a textura da areia
Pulam decks que interligam suas casas
às ruas aquáticas
Não há buzinas, fumaças, engarrafamentos
Apenas rastro de espuma
dos propulsores de barcos,
dos remos das canoas, dos caiaques,
de seus navegantes
Mamanguá
Fiorde ou Ria?
Independente da tecnicidade
Sua atmosfera é mágica
Suas montanhas, seus manguezais,
suas águas, sua cria
Deixará em mim sua marca de exuberância e simplicidade
Sua fotografia e seus contornos estarão sempre vivos na janela da minha alma
Sua atmosfera deixará no no calor da pele enorme saudade…
Por Bianca Latini
Em 08/03/2020
Créditos da imagem: Arquivo pessoal
Postado no 15 de março de 2021 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Ser poeta
é um sentimento engraçado
Que apreende a pequenez do muito
e dá razão à grandeza dos traços
de versos que havia
Onde nada mais existia.
A obra dele tem condão
no porquê descompassado
de dar tão certo.
De tratar-se no simbolismo do acerto,
E quedar-se desperto,
Por sublimar a riqueza,
Que os torna versos bem mais
Do que as razões de quem tem só tudo mais,
Mas traz a alma vazia.
Do trabalho seu,
de subjetivação corpulenta
há seja o que nos desorienta, seja o que dá resultado.
Quer formalizando o anverso,
Quer formulando o retrato
Da imagem que a razão de si faz
Quando a vida argumenta;
Na franqueza que traz
já no décimo quarto,
não dá estrofe do verso,
mas no confinamento de um peito apertado.
Encontrado no março
que só apreende a quem se ama.
Pois é o que cabe, é o que jaz.
Há trama, há drama
E uma forma a mais de haver poesia.
Que só não compreende
Quem tem a alma, de todo, vazia.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 14/03/2021 –
Dia Nacional da Poesia)
Créditos da imagem: Arquivo pessoal (14/03/2021)
Clássicos da Literatura: Cecília Meireles
Postado no 13 de março de 2021 Deixe um comentário

Mulher ao espelho
Hoje que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz.
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se tudo é tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira
a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seu
se morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
Cecília Meireles
Créditos da imagem: Unsplash
MULHER
Postado no 12 de março de 2021 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Ser Mulher é ser beleza em seu nascedouro
Em tempos atuais, ficamos maravilhados com invenções ultrassônicas, tecnológicas, futuristas, quase roteiro de ficção científica
Mas quer achar invenção mais incrível do que um Ser com a potencialidade de gerar Gente?! Com um útero aqueduto para outro Ser Humano?!
Você pode não querer ser mãe e nunca gerar um filho, mas você é preparada para isso
A Natureza, milimetricamente, perfeitamente, sabiamente, proveu-te com esse poder
Ser Mulher é carregar, desde cedo, muitas cobranças, melindres, pudores…
Somos quase convocadas e escaladas para a Nobre Seleção das Santas, Puras, Perfeitas, Recatadas, Comportadas, Embonecadas, Minuciosamente Talhadas
Ser Mulher é muitas vezes querer andar na contramão da feminilidade para alcançar postos, lugares, espaços, ganhar vozes, fazer valer direitos, conquistar significantes respeitos
E depois bater no peito por aportar nossas desbravadoras caravelas nos destinatários cais
Ser Mulher é ser polivalente, trifásica, furtacor
É também ser sugada por isso!
Desde sempre escutamos que nós, mulheres, damos conta de tudo e que os homens são desajeitados, monofocais, unidirecionais; que não tem espectro multivertente
Sim!! Somos multiverso e constelação inteira!
Mas que possamos apenas SER!
Sem pressão, sem ditadura, sem obrigação
Ser Mulher é ter ciclo e incomodar-se, erroneamente, com ele desde menina
Em algumas culturas, sangrar é estar temporariamente impura
Ahhh….se soubéssemos ver beleza nas marcações da Natureza…
Pararíamos de querer esconder e nos livrar de nossas grandes riquezas…
Veneramos as estações: outono, inverno , primavera, verão
Mas somos incapazes de acolher nossas fases…
Ao invés de apreciarmos, observarmos e respeitarmos, ardemos em CULPAS…
Que possamos ser camaleoas, bruxas, alquimistas
Queimar nossas fogueiras
Transmutar nossos medos
Escrever nossos próprios enredos
Que possamos descobrir a Liberdade, em meio ao cerceamento físico, mental, emocional
Que consigamos nos nutrir e nos inspirar com a nossa própria criação e saibamos celebrar a natureza, tão mágica, que existe em nós
Que consigamos dar as mãos, umas às outras
E saibamos reverenciarmo-nos, admirarmo-nos e fazer auto-flerte
Que, juntas, sejamos elos de uma mesma corrente:
A Corrente do Amor, do Autorrespeito, do Autocuidado, dos Talentos Diversos, que, unidos, complementam-se
Que possamos SER, FLUIR, NOS PERMITIR, ULTRAPASSAR, EVOLUIR… com todo arcabouço de desafios, intempéries, martírios…
Acima de tudo, EXISTIR na essência MULHER
Somos potência, mesmo no Deserto!
Não longe, mas todas bem perto.
Por Bianca Latini
Em 08/03/21
Créditos da imagem: Pinterest
Autora Convidada: Luísa Almeida
Postado no 10 de março de 2021 Deixe um comentário

Uma luz
Invade e brilha
Ilumina e expande
Da sombra, uma festa
A suavidade embala
O perfume exala
Força que cria e procria
Tem voz, às vezes se cala
Transforma dor em cor
Da vida, o sabor
Do simples, o sofisticado
Traz um recado
É flor
Brota do concreto
Cresce para o infinito, abstrato
Um porta retrato
É sucesso
E quando tudo parece dar errado, é poder
É o lapso do engrandecer
Força que vem do alto
O poder de um salto alto
É beleza que dá o tom
Lindo é o seu batom
É você, mulher
Sabendo o que quer
É luz
E o mundo, conduz
Luísa Almeida
Autora Convidada: Jade Prata
Postado no 8 de março de 2021 Deixe um comentário

Não é Não
Uma mulher não nasce,
se liberta
diariamente.
Se despe das hipocrisias que lhe são jogadas
impunemente,
pedras no seu caminho
em seu corpo sozinho
e resistente.
Pedras de culpa
pela maçã ou shortinho,
que ela repudia firme.
Mil e uma vezes
– Não!
Contra ouvidos dementes
e mãos insistentes:
– Não é não!
Uma mulher não nasce,
dá a mão à outra mulher
e fenixilidade à vida!
Dura (re)construção dos espelhos:
para superar a memória afetiva/cativa
e não baixar a vista ao patrão
é preciso ser criativa
com sororidade como partida.
– Não é não!
Uma mulher não nasce mulher,
pênis ou vagina não a definem.
Não existe um medidor de feminilidade,
mas existem classificações que oprimem.
Não há mulher inteira,
sempre nos falta uma parte,
Se algo integral é o que queira,
procure um pão que te alimente.
Não diga que paciência é um dom
e fazer três coisas ao mesmo tempo é natural,
pois para tocar na banda
foi preciso aprender o tom.
E se ela desafina, “Amor”
você desbaratina
e ela se dá mal.
Uma mulher não nasce mãe sagrada,
não se mantem virgem ou recatada,
não tem vocação de “Maria” ou coitada.
Aprende-se: mãe
a cada dia e madrugada,
às vezes certa outras errada
alimenta o amor a mamadas
e faz da maternidade sua estrada.
Mas, se a hora é equivocada,
se há alguma coisa errada,
se ela foi estuprada,
ou se ser mãe não é sua pegada.
– Não é não!
Seu corpo, suas regras, sua decisão.
Nenhuma a menos na mesa de operação!
Jade Prata, Rio, 04/06/2016
Rede
Postado no 8 de março de 2021 Deixe um comentário
Por: Juliana Latini

Rede
Ao som do vai e vem das ondas, proseei com um antigo pescador, enquanto tecia a rede na beira mar,
Aquela imagem do movimento das mãos do pescador tecendo, se repetia em mim, e uma alusão me saltou sobre a trama da vida.
Muitas mãos me apoiaram desde o momento em que cheguei ao mundo.
Mesmo assim, muitas vezes não reconheci ou até mesmo mal agradeci.
Mas, verdade é que se não tivessem sido estendidas para mim, não seria o que sou hoje.
Algumas mãos, como mães; outras, como irmãs.
Suspiro só de lembrar.
Saudades e sorrisos me surgem.
Vontade de abraçá-las.
Um Viva a todas as mulheres que cuidam, incentivam e tecem verdadeiras relações, com fios que conectam e fortalecem!
Um Viva a todas as mulheres dessa rede que me fez.
Estamos todas enredadas entre nós.
Até que meus pensamentos foram interrompidos pela fala do pescador:
“A gente nasce aprendendo e morre não sabendo”..
“Verdade, temos muito a aprender”.., concordei com o ancião. “Precisamos ser humildes para reconhecer e agradecer”.
E assim, terminou a nossa prosa.
Por: Juliana Latini
Créditos da imagem: Pixabay
Prisão
Postado no 6 de março de 2021 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Prisão
Não tem paredes a serem quebradas
Ou grades a serem partidas
Não tem portas a serem rachadas
Ou celas escurecidas
Mas até onde chega a mente
Até onde a vista alcança
Não há prisão mais inclemente
Que a ausência de esperança
Por: Mauricio Luz
Créditos da imagem: Pixabay
Verso Pacificador
Postado no 5 de março de 2021 1 Comentário
Por: Diogo Verri Garcia

VERSO PACIFICADOR
Que a paz que o mundo rege,
também te regre,
e em muito, assim,
te faça leve
e te dê tão mais.
Que te encaminhe ao monte
onde fortes ventos,
soprem donde
Se acalmam
os mais bravios temporais.
Paz: que seja, ela sim, tua luz;
Que haja em ti apenas,
De tudo, um tanto mais.
Paz,
Que respire a cada ar contigo.
Que nela haja teu abrigo,
Para que não a chames mais.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 04/03/2021)
Créditos da imagem: Pixabay
