Poemas Pálidos
Postado no 28 de agosto de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Sorrateiramente, sem violência,
Poemas vêm e vão.
Como passagens de trem, como o verão.
Nem todos são vigentes,
confortáveis ou frequentes.
Há poemas que são pálidos;
outros, que são quentes.
Quando encorpam, avançam e arrastam
Feito forças do vento abrasivo, que é bravo.
Quando desandam, são blocos de verso
que não causam, nem intencionam.
Sem sabor, não tencionam furor, tampouco sucesso.
Mas quando empolgam, traçam bem o caminho
E tornam-se oportunos para quem os lê.
Quando inspiram,
Nutrem paixões que arrepiam.
Fazem o poeta parecer afortunado, face a quem o vê.
Mas depois, cansam:
de tanto repetidos, versos entediam.
Caminha o poema como receita instintiva
Que tem métrica, rima, etecetera e tal
Mas que de nada serve, sem quentura nem clima.
Porque se é só verso e rima,
Sem alma, não é poema;
Não é formal. Não é verso. É normal.
(Diogo Verri Garcia, Rio, 04/02/2019)
Créditos da imagem: pixabay
Sequestro na ponte
Postado no 22 de agosto de 2019 Deixe um comentário
Por: Thiago Amério

Ônibus lotado.
Gente atrasada.
Vida corrida.
Vida escorrida.
Um tiro comemorado.
Muita atenção.
Helicóptero.
Político.
Mansão.
Dívida.
Quem é vítima de quem?
Uma sociedade suicida
Ou mais um louco homicida.
Nunca se saberá.
Enquanto se comemora morte
Ficamos sem um norte
Quando se mata um pouco da gente
A gente morre também
Ou você acha que também não é refém?
Salva 30. Perde 100.
A conta não fecha.
Enquanto juntos não formos além.
Amém.
(Thiago Amério, 22 de agosto de 2019)
Crédito da imagem: pixabay
A mais tenaz calma
Postado no 21 de agosto de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Quando não sei ao certo
O que é certo,
O que vai dar certo
E o que restará parado
se algo der errado.
É o momento que mais inquieta
Quando causa silêncio
o excesso de coisas que repetem e acontecem
quando só resta prece
para devolver o real silêncio.
Quando totalmente fico mudo,
Mas ela não se deixa calada
Com gestos sinceros, sorriso aberto,
Faz que não percebe a calma
que tão mais me desagrada.
Quando fiz algo mais,
Por ter feito menos.
Quando traço uma culpa voraz
por meus erros pequenos.
Ela, nem assim, se desalegra.
É um sorriso que cativa,
que traz um alento de riso e de paz
e feito um afago,
agrega.
Então me ponho falando
Sem ela nem suspeitar
Que traço meus próprios planos,
Conduzo-me em contornar
Por alguns internos reclamos.
Sempre por pensar fugaz,
por não saber pensar sereno.
Ela, quando o sorriso alegra,
Pouco a pouco, a resolução
começa a ser sincera, torna-se tenaz.
Quando sua voz não sossega,
não causa falta, nem sobrecarrega.
É ela, a calma, a paz.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 28/04/2019)
Crédito da imagem: pixabay
Quando se perde um voo
Postado no 17 de agosto de 2019 2 Comentários
Por: Mona Vilardo

✓ Mala feita – check
✓ Separar a roupa mais confortável para viajar – check
✓ Chegar no aeroporto com antecedência – super check
✓ Ter certeza de que a mala não ultrapassou o peso determinado – check (ufa)
✓ Beijos são distribuídos e adeus são dados – ckeck (a vida é feita de encontros e desencontros)
Chegou a hora de tirar o sapato, o cinto, o celular, o casaco. Nessas horas eu sempre imagino uma área de embarque com todo mundo nu. Sério! Imagina só, ia ser mais rápido pra todo mundo. Pra quem embarca, pra quem apalpa… enfim! Minha cabeça que vôo longe…
Você passou tranquila em todo esse processo chato de tirar tudo, levantar os braços, ser simpático (todo mundo faz cara de simpático na imigração, não mintam) e… colocar toda a roupa de volta. Roupa não, acessórios. Roupa seria no caso de todos estarmos nu, mas essa parte não existe, é apenas fruto da minha imaginação fértil.
✓ Ir direto dar uma olhada no horário do seu voo – check…não!!!!! No check. (o voo já está com previsão de atrasar)
É a segunda vez que acontece isso comigo: atrasos por causa de tempestades. A única explicação que vem na minha cabeça é que São Pedro não anda colaborando em nada com os meus retornos pra casa. #oquefizpravocêsãopedro?
– Mas qual o problema o voo estar atrasado?
– Problema nenhum, a questão é a conexão que eu pego logo em seguida. Tenho apenas 20 min para ir de um portão ao outro e tentar, veja bem, tentar embarcar na minha conexão de volta pra casa.
Um voo perdido atrasa o abraço apertado que eu quero dar logo e o beijo de amor que eu tenho pra dar. Um voo perdido faz demorar ainda mais todas as histórias que eu quero contar em detalhes. E claro, atrasa também a abertura da mala que eu quero abrir e dizer: – Lembrei de você!
Perdi o meu voo!
A todo momento pessoas perdem voos, conexões e demoram a chegar em casa. Acontece quando perdemos ônibus, trem, ou qualquer outro meio de transporte.
É nessas horas, que eu queria fechar os olhos e poder já estar no lugar que eu quero, do lado de quem eu quero.
Tá aí, esse seria um superpoder que eu queria ter. Tem gente que queria ficar invisível pra ver se alguém fala mal dela, tem gente que queria ser super veloz e chegar primeiro que o outro em tudo que é lugar. O que eu escolheria par ser meu superpoder, eu acho que é bem mais simples: apenas querer estar logo onde minha morada está, tipo num piscar de olhos.
Já dizia Mario Quintana: viajar é trocar a roupa da alma. Concordo com ele, mas também acho que voltar pra casa é bem melhor. E sem atrasos, de preferência!
Os miradores
Postado no 14 de agosto de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Havia um monte em que todos iam.
E a um prédio mais alto, feito um mirador,
Para ver a altura em que a chuva molhava,
Pouco lhes importando
se quanto mais alto a friagem chegava,
Pois o pisco causava calor.
Nela, meus olhos encontravam o frio.
Entregando um clima nem um pouco mais tenro,
de um ar seco, sem aragem,
causador de arrepio.
Simples, mas de incômodo agradável, ameno.
Era uma tarde já glaciada,
Prometedora de um momento gelado,
em Santiago.
E lá do alto,
Viram o sol que, por pouco, tornou-se a render
Por uma lua que vestiu-se descoberta.
Deixou de esplender,
para se eclipsar.
Olhando a todos,
Deixando a multidão parada,
Os miradores cheios,
as ruas desertas.
Agasalhavam-se todos tão menos que eu.
Mesmo de alma calorosa, quem mais precisava.
Mas vi maratonista chileno que pela noite correu
Em trajes próprios de quem do frio zombava:
Louco ele; o que não faço eu,
posto que me resfriava.
No frio, os passos são enxutos,
de um caminhar apertado
em um dia frígido,
e de um anoitecer ainda mais gélido,
quanto mais alto…
Completando o tempo que, se deixar, quase neva,
Logo ali, bem ao lado,
Em Santiago.
(Diogo Verri Garcia, Santiago, 06 de julho de 2019)
Crédito da imagem: pixabay
O Carioca Hipotérmico
Postado no 7 de agosto de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Protegei-me, alguém,
do tão frio incauto
Que flagela e traz maus-tratos
À medida que esfria.
Eis que logo aos quinze graus,
Carioca já sofre hipotermia.
Não vejo razão nos que acham
esse agorento frio, no Rio, tão fofo.
Não há lareira em minha sala,
Devo descer roupas quentes da mala,
No mercado, armários de vinho esvaziam,
Pois, aqui, o inverno faz até calor, nunca frio.
E meus livros já temem o mofo.
Juro que acalento a frieza do tempo,
Não sendo este, pois, só um sem intento reclamo,
Eis que em outros lugares que tão bem guardo e amo,
deve haver alguns dias friorentos,
Vendo cair a neve sobre os arbustos e pisos,
Assistindo à branquidão criar um respirar gelado.
Pois que, assim, juro que até procuro o frio,
Seja rente, em Petrópolis, já na serra do Rio;
Seja mais longe, em Santiago.
Contudo,
Por cá, esse tempo não causa bem, não assente.
Os bares não têm aquecedor ambiente,
As praias nos expõem a um vento que sopra engabelado,
Pois deveria ser algo quente ao soprar pelas beiras.
É lugar em que não se projetam lareiras,
apenas ar-condicionado.
Por isso, rogo ao vinho que quiser levar,
A todo alguém que me possa ouvir.
Peço por um lugar quente,
Se não for muito pedir,
se não houver motivo a negar;
E por rever o tal calor que não demora.
Pois carioca não merece
ter tanto frio no Rio, sua casa,
Só fora.
(Diogo Verri Garcia, Rio, 05/08/2019)
Petição inicial – Autor convidado – Rafaelclodomiro do Poerídica
Postado no 6 de agosto de 2019 Deixe um comentário
Como a arte em conjunto é muito mais forte, continuo neste espaço, o terreiro do artista.
Desta vez é do companheiro Rafael Clodomiro. Seja bem-vindo e que a arte sempre seja reposta!
(Thiago Amério)

Petição inicial
Eu, solteiro, largado,
quero expor os FATOS e contar detalhes chatos da história que nós vivemos.
Em seguida preciso abordar sobre o DIREITO a se aplicar diante dos erros que cometemos.
E no final, num primeiro plano, vou PEDIR a restituição do dano das mágoas que não esquecemos.
Dream Big
Postado no 3 de agosto de 2019 5 Comentários
Por: Mona Vilardo

Chicago, cinco e dezessete da manhã. Se tem uma coisa que eu não me acostumei aqui foi com a diferença do fuso horário em relação ao Brasil – mesmo sendo o 16° dia dos meus 17 dias aqui. Nossa, não me acostumaria nunca no Japão. Mas, isso é assunto para outra história.
A primeira vez que vim aos EUA, eu tinha 15 anos. Não…não foi presente de aniversário de debutante, como você deve ter pensado logo. Nos meus 15 anos eu quis a tradicional festa, com troca de vestido ao badalar da meia noite e valsa com pai, irmão e o melhor amigo da época.
Mas, como que um “duplo presente”, dois meses depois da festa vim aos Estados Unidos cantar em Kansas e, de quebra, passar um dia em um parque da Disney no retorno ao Brasil. Nada mal para um Coral de umas vinte crianças e jovens viajando sem os pais e fazendo o que mais gostava: cantar e brincar. Que grande sonho ganhar dois momentos significativos quando se completa o tão esperado 15 anos.
Exatos vinte anos se passaram, e eu me dei de presente uma viagem para NY com o objetivo de assistir 6 espetáculos da Broadway em 7 dias. Mais um grande sonho da época de estudante de teatro, onde ir na Broadway era algo inalcançável pra mim.
Chicago, dia dois de agosto, cinco e quarenta e cinco da manhã. Três anos se passaram da minha ultima vinda aqui. Hoje é o penúltimo dia de um sonho que começou a ser elaborado há um ano atrás, junto com uma amiga da época do coral (coral esse, que meu deu a oportunidade de conhecer a Áustria) – mas isso também é assunto pra outra história.
Em Chicago, venho com o mesmo propósito da primeira vez que estive nos EUA: fazer música. Sendo que agora, não sou mais a adolescente de 15 anos. Agora, os meus alunos que têm 15 anos…
Primeiro dia de aula na Biblioteca de Oak Park, somando a turma da manhã com a da tarde, um total de 50 alunos, com idades que variam de 7 à 15 anos.
Criança e jovens com suas histórias de vida totalmente desconhecidas entre eles, e claro, para mim. A maioria das crianças olham pra mim com a cara de “ Quem é essa brasileira branca, que veio lá do outro canto do mundo pra achar que vai me ensinar algo?”
Num canto da sala, uma menina bem retraído tira da mochila uma fronha, que ela mesma pintou, onde está escrito “DREAM BIG”, ela me mostra e eu peço pra tirar uma foto.
Essa mesma menina se divide em momentos de muita participação nas aulas e em momentos de extrema carência afetiva, onde ela me agarra o braço e pergunta: – Onde você vai sentar? (ela rapidamente senta ao meu lado)
Sua voz? É linda, cristalina, muito afinada e se empenha para cantar músicas africanas e brasileiras.
As aulas terminam, nove dias se passam e meu primeiro passeio turístico é conhecer o famoso prédio John Hancock, com sua vista 360 ° da cidade e algumas janelas que vão virando pra baixo, com o turista segurando em duas barras de ferro – praticamente um exame de labirinto, ao meu ver.
Admirar a vista – check
Ser uma daquelas pessoas agarradas naquele ferro, se imaginando cair – pra quem tem fobia de altura tem coisas que nem o Mastercard paga. (no check)
Resolvo dar uma volta na lojinha, e, entre canetas, copos e camisas da cidade do vento, me chama atenção uma pulseira escrita: DREAM BIG.
Logo me recordo da garotinha do primeiro dia de aula, de todo ensinamento que também levo daqui e do meu maior propósito nessa viagem: fazer com que, através da música, esses alunos sonhem grande. A história clichê mas verdadeira de que a música transforma e une todas as pessoas numa só linguagem.
Semana passada, foi aniversário do compositor Flávio Venturini que canta uma canção que diz “…sonhos não envelhecem”…
Talvez um dia, eu volte aqui e encontre aquela mesma garotinha com seu grande sonho e cante essa música pra ela. Cante essa música pra todos, que já não serão tão jovens assim, mas seus sonhos sim.
Amanhã volto para o Brasil. Comigo, levo no braço, praticamente uma aliança escrita “DREAM BIG “. Na alma e no coração, levo a certeza de que fiz diferença na vida desses 50 alunos e deixei, em cada criança e adolescente, mais um grande sonho. Seja ele qual for.
Sobre Poetas e Balastros
Postado no 31 de julho de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

A hora passa.
Pouco fiz nesse último quarto de hora,
Na última meia hora,
No último dia.
Que rapidamente se assenta.
Mas antes de parar, ele dispara.
É veloz, feito projétil que vara
E desorienta.
As poucas palavras que, hoje,
nem no papel contive,
São fruto das questões,
das ponderações sobre o que se vive
Quanto ao que Deus tencionou guardar.
O que será que houve? O que será que há?
Percebido sobre esse questionado dia
que, entre produções no papel,
até teve algum proveito,
Percebo que as mãos não mais amansam,
mas dá-se um jeito.
Noto que o poeta não sabe do que é merecedor,
Se a vida é ardor,
Se a vida é triste.
Mas, tanto faz, resiliente quem escreve se faz,
De tanto dissabor que registra e, registrando, assiste.
Sobre as palavras mal feitas,
Os papéis que não foram amassados,
posto que os apago em tela.
Hoje, formam parágrafos que nenhuma bancada sequer os aceita,
Tomam conclusão que o eclesiástico rejeita,
Criam questões sobre os desígnios de Deus,
Que até ateus poderão falar:
O que há com a fé, o que há?
Mas creio que a poesia trata até do que não se sente,
A ponto que, quando se sofre a dor, tornou-se já resiliente.
A certo passo de não saber ao certo,
O que há com o credo de desimportar.
O que há, poeta? O que há?
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 30/07/2019)
Crédito da imagem: pixabay
O que vai além das Colheitas
Postado no 24 de julho de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Saiba dar a mesma desimportância
Que outros e tantas circunstâncias
Na vida vão lhe dar.
Não dedique estoque para palavras alheias
Pois nem no plantar, nem nas colheitas,
Os calos que são teus, poderão suplantar.
Não percas a tua elegância,
Nem te ponhas em inconstância
Com as certezas que na alma tens,
se não são teus os pensamentos.
Saiba que flores não morrem de espinhos
Mas despetalarão sozinhas
Eis que ninguém lhes segura ao vento.
Afinal, tem gente que pilota a vida
Como parca aventura, mostra-se desinibida,
Que nunca nota gente amiga, que lhes tenta alertar.
É um fluxo tão assim desgovernado,
Que por pouco não termina errado,
Entre alguns prantos e um penar.
Por isso não se iluda
com as multidões das avenidas,
Que lhe sopram ideias, dizem-se sabidas.
Siga a vida como quem já quer onde chegar.
Se tuas metas deixarem-te desacompanhado,
Não se acanhe, adite o planejado.
Pois todos tem defeitos – só para avisar.
Nem tudo são acertos – só para aceitar.
Há sempre um outro jeito – só para quem tentar.
(Diogo Verri Garcia, 25/04/2019)
créditos da imagem: pixabay

