Suspiros existenciais

Por: Tadany Cargnin dos Santos

O silêncio que não quer falar

O sexo sem amor dos casados

Desencontros de encontros inesperados

Vida e suas ânsias, humano discordar

Bares que bebem nossas amarguras

Pornografias midiáticas de nossas ilusões

Trabalhos que nublam nossas visões

Suspiros existenciais, entardeceres de almas puras

Jardins sem rosas, recheados de espinhos

Olhares lúgubres, casais solteiros

Borboletas sem asas, voar derradeiro

Corpos num mesmo teto, agrupadamente sozinhos

Rodovias sem destinos, trevos de agonias

Corações despedaçados, anemia amorosa

Venenos em palavras, poesia indecorosa

Realidade ao inverso, desumana utopia.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Suspiros existenciais.www.tadany.org®

Desafio do café

Por: Mona Vilardo.

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Quando um ano começa temos em mente que muitos desafios virão!

Mudar de emprego ou de casa, emagrecer, começar a academia na segunda feira, terminar aquele namoro que só te faz andar pra trás, ser uma pessoa melhor. Quem nunca se propôs algum desses desafios?

Joga tudo isso fora. O maior desafio dos primeiros 20 dias do ano se chama #10yearschallenge.

Ele dominou as redes sociais, pior que Big Brother num começo de ano. Tirou o foco da política e colocou o foco – como está se tornando cada dia mais – no EU!

E claro, como toda exposição que se prese, um jeitinho ali, um filtro mais bonito aqui e está pronta a minha mudança em 10 anos mostrando ao mundo como eu fiquei mais bonito, muito mais interessante e os anos só me ajudaram! EU me amo e ai de quem discordar!

Assim seguimos na rede: falando muito de nós mesmos, dizendo oi apenas virtualmente e postando a foto do prato de camarão. Biscoito maisena com requeijão ninguém mostra, né?

Não estou condenando quem usa suas redes para fotos e coisas pessoais, estou apenas refletindo sobre quem o faz em excesso, sem filtro e controle. Algo a se pensar como sociedade mesmo. Algumas postagens dos #10yearschallenge foram bem divertidas, mas a importância que se dá para certas modas me assusta um pouco, e vejo isso se refletir em assuntos mais relevantes.

Continuando… essa semana resolvi procurar fotos antigas na casa da minha mãe, um verdadeiro acervo organizado por ano, evento, filho X e filho Y. Minha mãe é tipo a maga da arrumação! Eu nunca postei isso pra vocês? Que furo virtual!

O que achei nessa busca por fotos foi bem mais que 10 anos. Foi memória!

Resolvi tirar foto da foto e enviar de bom dia para algumas grandes amigas. Amigas que não vejo sempre mas que fizeram parte de uma época importante da minha vida.

Ganhei o dia! Não teve print de tela da conversa para postar depois, mas teve muito papo. Não teve selfie, mas nos sentimos lado a lado. Teve recordações de uma época sem rede social.

Postei algumas fotos no meu Instagram, ao meu ver uma rede ainda um pouco mais intimista do que o Facebook, e o resultado desse achado foi um almoço e um café marcados com elas.

O desafio que me coloquei esse ano é esse: encontrar com pessoas que fizeram parte da minha história, amigas e amigos que se construíram junto comigo. Quem sabe ao final do encontro tiramos uma foto e lançamos a moda “10yearsmemory?

Essa moda tem mais sentido e é bem mais sentida: um café com memórias.

CARA do TEu seR

Por: Thiago Amério

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A palavra que vos digo,

sem ao menos precisar,

sete letras pode ter.

Esta é só a informação,

prescindindo (de) explicação,

que os profanos podem ver.

E o porquê (com circunflexo),

de tão pouco (em meus versos)

é fácil de decifrar:

se é a cara do teu ser,

incapaz até de ver,

não importa o “arraiá”:

ou não tem pelo viver,

ou se ganha até morrer…

quem sou eu para julgar!

O Tempo da Incerteza Resoluta

Por: Diogo Verri Garcia

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O coração não tem tempo.
Um tempo certo para achar seu compasso.
Um momento exato pra saber se quer ter intento,
ou desafinar-se, entrar em descaso.

O coração quer ter um tempo.
Não explicações, pois a lógica é plana
e ele não a conhece.
Se exato fosse, seria melhor que a razão,
Que se acha senhora do amor e se esfalece.

O coração quer ter certezas,
mas nunca as tem: são variáveis e expectativas.
Cruzadas, em mil situações, incertezas e besteiras.
Acredita ser, para amar,
mais capaz do que já foi em qualquer dia.

O coração se alegra,
tanto qual se corrói, em autêntica autofagia.
Acena feliz, justo para quem o apequena.
Na hora inexata,
Se exila e destrói, quando o amor lhe maltrata.
E acredita ser, para amar,
incapaz em todo e qualquer próximo dia.

O coração se encanta por destrezas.
Quanto a encontrar o amor,
espera ter a certeza instintiva.
E, de tanto esperar, possa ser que perdeu.
O momento passou, outro alguém resolveu
e a escolha certa virou só narrativa.

O coração quer ter coragem
Para falar para aquela que,
com as palavras certas, aquiesce.
O coração deveria se calar
E não agir com mais besteiras,
justo com quem não as merece.

O coração é um órgão isento.
Isento de qualquer prudência mínima de acerto.
Não se acerta nem com a razão.
Cabe a Deus carregá-lo com zelo.

(Diogo Verri Garcia, Rio, 21/10/2018).


Crédito da imagem: Pixabay

Ex Animo – N° 55

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Enquanto o corpo descansava e a mente sonhava

O Senhor materializava as maravilhas de um novo dia

Enquanto o corpo trabalhava e a mente criava

O Senhor nos brindava com vigorosas moléculas de energia

Enquanto o corpo jogava e a mente relaxava

O Senhor nos distribuía abundantes doses de alegria

Enquanto o corpo desmanchava e a mente transmutava

O Senhor, como uma luz, nos iluminava e nos unia

Enquanto o corpo brilhava a e mente raciocinava

O Senhor, em todas as coisas, se manifestava com delicada e inteligente magia.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. Ex Animo – N° 55. www.tadany.org®

Azul ou rosa?

Por: Thiago Amério

Azul ou rosa
Não importa a cor
Quem julga por roupa
Segrega com dor

Ser humano é feito
De dignidade e valor
E com todo respeito
Aceita todos os jeitos
E iguala o amor

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Ps.: reflexão real em Praga, Czech.

Poema à Praia

Por: Diogo Verri Garcia

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Nossos melhores caminhos levam à praia,
Onde vige a lei de Deus,
A regra do vento, o compêndio das águas,
Onde não sobra espaço para problemas teus.

Que ficam na praia, nada a lastimar.
Ficarão por lá, sem voltar contigo.
Até teus erros já gostam da praia.
Lá encontraram leveza, porque lhes é permitido.

O vento toca o rosto,
a água abre os caminhos.
Se veio algum desgosto contigo, veio:
voltará sozinho.

Os grãos de areia que te encontram na praia
São obra do mar
e ao tempo convém
dispersá-los ao sol,
entregues a quem os tocar,
Como orações pequenas que são,
de paz e bem.

(Diogo Verri Garcia. Rio de Janeiro, 14 de janeiro 2019).

Tua Geografia

Por: Tadany Cargnin dos Santos

No céu de tua boca

Encontrei noites de luzes

Na caverna de teu hemisfério

Plantei minhas prazerosas cruzes

 

Nas curvas de teus quadris

Deslizei o gozo da paixão

Na doçura dos teus lábios

Comprendi o sabor da imensidão

Na pradaria de tuas costas

Senti o aroma cálido do desconhecido

No suave dançar de teus pés

Entendi o gozo de ser abduzido

Na geografia de tua estrutura

Fui aluno aplicado, alegre e diligente

Na matemática de nossa travessura

Um mais um não eram dois, éramos equivalente.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Tua geografia.www.tadany.org®

Flutuantes inspirações

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Por: Mona Vilardo

 – Porque que quando colocamos os pés no chão a brincadeira acaba? – Mafalda após parar o balanço.

Dia 2 de janeiro li a frase da Mafalda, essa personagem argentina cheia de voz.

Passei a virada do ano em Salvador praticamente embalada com o refrão “Tira o pé do chão” de Ivete Sangalo. Salvador e Ivete se completam como acarajé e vatapá, (acho melhor que pão com manteiga em se tratando da primeira capital do Brasil), não acham?

 Se completam também as tirinhas da Mafalda e movimentos de revolução – ou seria melhor dizer evolução?

Gosto das duas: Mafalda e Ivete, e me identifico com brincar de balanço e tirar o pé do chão. Uma metáfora sobre viver com alegria e leveza. Não se trata de um “deixa a vida me levar”, mas sim de manter um olhar lúdico nessa a montanha russa que é a vida.

Sendo atriz, a canção de Chico Buarque “Beatriz” sempre me encantou, e um verso em especial parece que fala diretamente a mim: “Me ensina a não andar com os pés no chão”.

Beatriz tem várias dentro de si: é moça, é contrário, é divina, é mentira e comédia. Como nós que também somos vários ao mesmo tempo. Milhões em um.

Mafalda, Ivete e Chico: acho que tenho boas inspirações para me acompanhar no ano que começa! Tirando o pé do chão se caminha a passos largos!

Topografia do terror

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o antigo quartel general 

da “polícia” de hitler 

virou um memorial 

aberto todo dia 

gratuito a quem for ver 

sem nenhuma área verde 

 

Porque nada pode crescer 

no lugar onde se ordenava

a morte por ser autêntico 

Judeus, ciganos, homossexuais,

Deficientes, todos diferentes 

E ao mesmo tempo iguais 

Na fatalidade inconsequente

 

Morte. Terror. Vazio doente.

Na busca por culpados

Sacrificaram inocentes.

Multiplicaram assassinatos.

Coisificaram inimigos.

Incendiaram abrigos.

O holocausto contra a vida.

 

Alemães se julgaram donos

Da verdade e da superioridade 

Esqueceram quem nós somos

E aniquilaram a humanidade 

 

Agora resgatam essa memória 

Para não mais esquecer 

E entrar pra a história

O que não pode se perder:

A dignidade do ser humano

E o respeito em todo jeito de ser