Mar em Oração (#repost)
Postado no 9 de setembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

MAR EM ORAÇÃO (#repost)
Seja forte, como o mar é forte,
Mas te amolde e te quebre como as ondas que batem.
Seja leve, como o mar é leve,
Com ondas breves, como as que rompem a tarde.
Seja bravo e te defenda do argumento,
Quanto te calarem o pranto e te pretenderem agonia.
Seja estupendo, feito o mar em tormento,
Se te transgredirem a luz, não permaneças em calmaria.
Veja a onda que explode e prensa o rochedo:
Seja fereza sem raiva; tem equilíbrio, tem paz.
O mar que alimenta e refresca: é servidão sem medo.
O mar que retira, repõe – nas ondas de leva e traz.
E quando o sublime solar pelo céu se exaltar,
Seja como o mar e reflita a luz que lhe toca.
Se acerque dos que te doam a paz sem te cobrar,
Tal qual um corpo de água salgada,
Que se cerca de terras nas bordas.
Mas se o céu te parecer mais cinza,
Não o espelhes na dúvida, olhe para o mais profundo de ti.
Não te tornes pedante, descrente ou ranzinza.
E te acalme: contenha-te do furor, do desamor, do frenesi.
Seja leve, como o mar é leve.
Feito as águas que chacoalham ao vento,
E que repousam tão logo a brisa pausar.
Trazem paz alheia ao amalgamento.
Seguem mansas e resilientes.
Sem apatia, são benevolentes.
Fortes e calmas, bem sabem:
Tudo tem o seu tempo.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 16/08/2018).
*publicado originalmente em 29/08/2018.
Crédito da imagem: pixabay
Alinhavos invisíveis
Postado no 7 de setembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Alinhavos Invisíveis
A vida é tão perfeita
Que alinhava caminhos
Insere atalhos
Desnuda servidões
Sugere encontros
Pincela dificuldades que elevam pontes
E aproxima pessoas que permaneciam equidistantes
Apaga percursos e impõe melhor visão do viajante
Visando exercitar seu olhar atento, seu poder de observação
A vida vai bordando e desbordando
No mais perfeito coser
Aos não crentes, sem explicação.
Gratidão, gratitude, gratiluz
Postado no 3 de setembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Gratidão, gratitude, gratiluz
É engraçado como a gente aprende a se incomodar e banalizar conceitos que a gente nem mesmo sabe direito o significado real.
O mundo vive em um processo de transformação evidente. Seja pela pandemia, seja pelo interesse mais constante das pessoas em assuntos mais holísticos, é fato irrefutável que as gerações estão cada vez mais instigadas com a busca do conhecimento, a descoberta de novos conceitos e desconstrução daqueles dogmas e verdade absolutas que existem desde quando nos entendemos por gente.
Minimalismo, autoconhecimento, meditação, aromaterapia, thetahealing, busca pelo sagrado e vários outros conceitos geram um desconforto em quem insiste em ignorar que a tendência é que haja cada vez mais espaço para esses assuntos estarem em voga.
Eu posso afirmar que há alguns anos atrás eu satirizava a prática da meditação, hoje me ajuda como um refúgio do meu caos interno de pensamentos constantes.
A gente precisa aprender a nos abrirmos mais para as mudanças, estarmos aptos para entendermos todo o processo de evolução.
Mas precisamos também entender que quem não quiser viver isso, não há uma fórmula mágica para enfiar goela a baixo, é uma decisão pessoal e intransferível.
De forma particular e ínfima, posso afirmar o quão bem me faz me permitir buscar mais conexão com meus pensamentos internos, me entender na minha essência.
Quisera eu ter me permitido há anos atrás.
Mas, sabendo que tudo tem seu tempo e acontece da forma como deve ser, cabe a mim sentir a gratidão de poder ser livre para buscar o que é o meu sagrado e respeitar o momento de cada um.
Créditos da imagem: pixabay
Decúbito, 2 de 2
Postado no 2 de setembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

(DECÚBITO, 2 de 2)
A paz, que uma vez se ausentou,
de outra forma retorna.
Em saber que a mão do destino
Raramente erra a porta.
Demonstrou tudo
O que havia entre o nada e o engano.
Clareou a fundo
O que não estava em planos.
Deixou a vida torta,
Crendo falar tão certa.
Foi por Deus,
Vê-se o acaso que traz,
Ver traçada outra meta.
Foi dado o que podia,
A luz que me vinha,
Tudo o que esperava.
Dei horas, palavras
E tanta explicação.
Houve alegria,
paz e felicidade,
Nessa passagem
em que houve verdade,
Mas virou só estação.
Ficou auxílio, em saber com certeza,
Bem como a lembrança,
Trazida por quem
que não mais vem e te beija.
A saudade perderá lembranças com o tempo,
De onde quer que esteja.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 26/04/2020)
Créditos da imagem: pixabay
Postado no 1 de setembro de 2020 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Eis que rompendo o concreto
De uma cinza e arrasadora calçada carioca
Uma pequena e frágil flor
Joga gotas de cores
No descolorido mar do cotidiano
É como a poesia que em mim mesmo nasce
Quebrando as cascas da rotina e do desalento
Lembrando ao poeta concretado
Que embaixo do cimento das tarefas sem fim
Há vida
Há perfume
Há vida
Créditos da imagem: pixabay
Olfativo Viajante
Postado no 31 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Olfativo Viajante
Aroma que me fecunda
Me leva para zonas distantes
Para aquíferos internos
Me retomam o calor do útero
O acolhimento da Mãe Terra
O inebriamento da Natureza
A frutificação do Natural
A infinitude do Astral
A Solitude que me leva à minha magmática estrutura
O ar esfumaçado por névoa que traz lembranças, recordações e esperanças
Dentro do meu quarto
Viajo viagens longínquas
Para outros tempos, outros sonhos, outras vidas
E aqui, sem sair do lugar, teletransporto-me além-mar
Além-existência física, além-concretude,
Encontro luz, que não requer corporificação, materialização ou comprovação
Apenas sinto que vivo além do meu corpo
E me eternizo ao longo da jornada da vida
Aquela que não podemos, a olhos nus, enxergar.
Créditos da imagem: pixabay
Smize
Postado no 27 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Smize
Aprendi recentemente uma nova invenção de palavra propagada por Tyra Banks: smize.
Trata-se de uma mistura das palavras “smile” com “eyes”, ou seja, algo equivalente a sorrir com os olhos.
Em tempos de uso de máscaras como apetrecho obrigatório para nosso dia a dia, fica impossível vermos claramente as expressões faciais, restando então na necessidade de aprendermos a “lermos” olhos e olhares.
Minha filha esses dias me disse: “mamãe, eu te reconheceria de máscara em qualquer lugar do mundo”. Acho que ela, no auge dos seus cinco anos de idade, já adquiriu a habilidade de fazer algo que eu venho aprendendo já adulta: ler olhares e saber identificá-los em meio a multidão. Mais um vez constato: tola sou eu que insisto em achar que eu que sou a educadora da nossa relação.
Penso então que em tempos normais de temperatura e pressão, quantos olhares nos passaram despercebidos? Quantos sorrisos sinceros são ignorados quando temos distrações diversas por aí? Sabemos nós ler o olhar até mesmo daqueles que vivem conosco diariamente? Sabemos sorrir tão livremente, ao ponto dessa alegria escapar pelos olhos?
Divagando por aí, certa vez a moça ouviu dizer que seu sorriso era lindo e radiante, o que causou evidente estranheza, pois seus dentes eram tortos e não pareciam típicos de uma propaganda de pasta de dentes. Acontece que essa moça sorria utilizando os olhos e aqueles eram penetrantes como a alvorada de pássaros no nascer do dia.
Ah, fico estarrecida ao pensar que precisamos ter sido acometidos por pandemia para aprendermos o valor de um sorriso tão sincero que está xerocado através dos olhos.
E já que estamos aprendendo diariamente a lidarmos com o nosso novo normal, que possamos aprender a não deixarmos que nada oculte ou crie barreiras para os nossos “smizes”.
Crédito da imagem: pixabay
Acumuladores
Postado no 24 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Acumuladores
Quando pensamos em “acumuladores”, logo vem à mente aquelas pessoas tralheiras, que guardam muitas coisas materiais, quinquilharias… Aquelas que tem os cômodos de casa todos abarrotados de móveis, roupas, objetos, malas, livros, sapatos, vasos, caixas, ferramentas, pertences…
Mas será que nós, que torcemos o nariz para esses “acumuladores” e chegamos até a sentir cheiro de mofo e de entulho em nossas narinas, quando pensamos nessas pessoas, não pertencemos, também, à categoria em que eles foram enquadrados?
E toda energia ruim que guardamos em nossos corpos e não colocamos para fora?
E os vários escritos que escrevemos e nunca lemos ou partilhamos com alguém?
E o arsenal de ideias que brotam em nossas mentes, mas não colocamos em prática? Entopem as nossas artérias criativas, sem ter vasão, escoamento…
E o monte de beijos e abraços que não distribuímos, por medo de ser carente, inadequado, meloso ou fora de contexto?
E a infinidade de elogios que não transmitimos ao outro, a quem admiramos por toda a vida, naquele momento, naquele dia, por uma atitude ou, simplesmente, porque ele estava especialmente bonito ou gentil num determinado instante?
E as raivas, dissabores, amargores, frustrações que acumulamos debaixo do tapete sem nunca faxinar? Sem nunca passar um pano, varrer ou ao menos constatar que eles estão lá?
E os anos de conhecimento adquirido que lotam nossos cofres mentais, sem nunca termos feito quaisquer atos de cessão, partilha, doação, transferência, aporte, ou até mesmo cheque em branco para algum necessitado?
E as inúmeras tarefas e listas de produtividade a que nos impomos, assoberbando nossos dias, atolando nosso tempo livre, impossibilitando o ócio contemplativo, o frescor do vazio?
E os incontáveis quereres, talentos, lazeres, prazeres, dos quais nunca desfrutamos por julgarmos não ter tempo, idade ou legitimidade para tanto?
E aquelas listas sem fim de desejos secretos que guardamos em baús, envelopes, gavetas, sótãos, porões?
E quanto à variedade de medos e limitações a que nos impomos, numa quase inocente sabedoria de guardar relíquias?
Sem falar na quantidade de informações tóxicas, inúteis e sem sentido que deixamos sobrepujar às horas de brincadeiras com nossos filhos, aos momentos de risadas com nossos companheiros, os jantares com nossa família, aos encontros com nosso amigos?
E o monte de julgamentos, preconceitos e moldes pré-fabricados que obstruem nossas veias e não permitem nosso sangue fluir?
Ainda: tantos sonhos que deixamos dormindo no quartinho dos fundos da nossa casa corpórea?
E as camadas de cascas, carapaças, máscaras, vestimentas artificiais e convenientes que acoplamos à nossa verdadeira alma, essência, espírito ou qualquer outra palavra que signifique o nosso Eu mais profundo….sem depois não sabermos, nem mais, quem realmente somos?
E então?! Quem são mesmos estes acumuladores soterrados em escombros e bugigangas sem serventia??
O Abrilhantado Sol
Postado no 19 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

O Abrilhantado Sol
Caminha o sol,
Que aos poucos vai.
Anda, anda,
Na elegante calma
De alguém que bem se preze.
Inaugura a intocada friagem
De uma manhã tão leve.
Descobre a névoa,
Que enrosca o mundo feito lençol,
Pois que vai subindo aos poucos,
esquentando,
abrilhantando,
o sol.
Toca no rosto das moças,
Deixando rubores melhores
Que os das mais geladas brisas.
Descobre cores,
Tão mais belas, todas tão menos cinzas,
Imagino como seria
Morar onde não houvesse uma manhã com esse sol.
É ele que percorre as cortinas,
A tocar quem se demora na cama.
Em fim de tarde ou quão mais cedo,
se toca os olhos:
havendo chama, logo revela a quem se ama.
E torna o mundo formoso,
Enquanto segue,
Passo a passo,
caminhando acima.
O sol,
Que desta janela prisioneira
Já transparece tanto brilho.
Toma-me saudades do verão,
Da aglomeração da qual não mais partilho
Até o curso normal retomar..
Há o sol,
a levantar
De maneira perfeita e certa
no Rio.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 18/08/2020)
Crédito da imagem: pixabay
Chamado
Postado no 18 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Chamado
Ó, inconsciente!
Que caminhas em teus caminhos
Esmagando a vida sob teus passos,
Cego à beleza à tua volta
Perdido no Norte que achas ter.
Pensas que encontrarás o que procuras
Deixando as cicatrizes que gera em teu entorno?
Aprende a caminhar, ó inconsciente!
Caminhe com tal suavidade,
Que a Vida se alimente com teu andar.
Mire a beleza à tua volta
E deixe que ela ilumine teu interior.
Permita o Amor desnortear-te!
E sentirás que tua busca
Sempre esteve mais perto do que nunca imaginaste.
Créditos da imagem: pixabay
