A criança em mim
Postado no 17 de agosto de 2020 1 Comentário
Por: Bianca Latini

A criança em mim
Não é sobre ser infantil
É sobre não deixar de ser criança
É sobre escrever as linhas que o coração dita
Cantar, marota, aquela canção
que não sai da cabeça e faz os pés sorrirem de tanta inquietação
É sobre não ter juízo, nem reprimenda, muito menos amolação
Fazer piada de tudo
Jogar bola de gude na pista da rota da vida
Soltar pipa, voar a criatividade, tecer a imaginação
É sobre não perder a essência do gosto da coisa…coisa doce e brilhante, feito maçã do amor
É sobre banhar-se de chuva de risadas que despenca sobre o vestido rodado, faz gargalhar e depois encarar a rouquidão
É sobre ter asas e super poderes, mesmo depois de saber que os heróis ficaram congelados nos quadrinhos
É sobre viver as possibilidades do ser que não se esgota de maneira estanque
Viver cada dia de um jeito: um dia sendo professora, no outro cozinheira de bolos, no outro médica de peixes ou quem sabe astronauta ou perfurador de sonhos…
É sobre não ouvir o que os outros pensam
porque a tua alma fala tão alto contigo,
que não é possível escutar nada mais
É sobre brincar até dizer chega,
até as pestanas começarem a querer fechar, tipo cortina pesada
E ir deitar exausto, de pés já limpos e cabelo molhado
Talvez com alguns arranhões e algumas cicatrizes
Mas feliz por ter vivido o dia como se só existe ele.
Por Bianca Latini
Jesus está voltando?
Postado no 13 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino
Jesus está voltando?

Reparei uma faixa na rua com os seguintes dizeres: “Jesus está voltando”.
Me peguei então refletindo sobre isso. Afinal, Jesus está voltando ou ele está no meio de nós o tempo inteiro?
Gosto de pensar em Jesus como uma divindade que nos auxilia na nossa jornada, nada personificado, mas algo muito maior e mais onipresente, com uma bondade imensurável, nada carrasco e punitivo.
E é por isso que eu penso que, independente de conceitos e axiomas religiosos, Jesus não está voltando na sua literalidade, ele já está entre nós.
Vejo Jesus no abraço fraterno de uma criança com os pais, vejo Jesus na flor que brota sem cuidado algum, vejo Jesus no gesto de gentileza que torna o dia mais feliz.
Vejo Jesus até mesmo no nascer do sol, no por do sol, nos dias nublados, na chuva que cai e lava.
Personificar Jesus em um ser que tem um horário de chegada e da saída do nosso planeta é simplório demais para dimensão do que significa para mim e da forma leve que o sinto em cada pequeno momento que poderia passar despercebido, mas com consciência e atenção a gente passa a identificar.
E que venha mais e mais consciência para sentir e agradecer.
Créditos da imagem: pixabay
Verso Construtor
Postado no 12 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Verso Construtor
A vida de quem ponderou a mais,
Transforma qualquer candura e paz
em questionamento.
Deixa, passada, tanta questão imperar,
que sem permitir explicar,
Transfaz ternura em alento.
Não notou o quão gigante
O bem maior que ela, a vida, te quis,
Pois quedou-se matriz
da desconfiança que se tornou mútua.
E, de tanto assim ponderar,
Destronou a alegria, pretensiosa em ficar,
Causou a paciência enxuta.
Mas a vida, tão bela, balança,
Não cansa de transfigurar-se
A querer-te ensinar
O que me havia passado contigo.
E eu, com meus calos, me calo,
Estafado de pretender responder,
Já, inconveniente, bradar,
Na angústia de fazer-te notar,
Que ela, a vida, é bem,
O nosso tempo maior,
Que tão mais descuidado
Se faz incompreendido e perdido.
Mas passa, passa a paciência,
Passa a insistência
E vem a compreensão.
Pois nada mais
é melhor instrumento,
Quando se há de viver o seu próprio tempo
Para uma construção.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 29/03/2020).
Crédito da imagem: pixabay
O tempo do Tempo
Postado no 11 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

O tempo do Tempo
Tão cheio é meu dia
Tão vazio ele parece
Tão cheio de boletos, obrigações, tarefas
Tão vazio de sol, flores e poesia
O Tempo me encara
Pergunta a mim quando darei tempo
Ao tempo que realmente quero levar
“Em breve!”, respondo, “Em breve!”
E o Tempo apenas sorri entristecido
Pois bem sabe ele que de tarefa em tarefa
De boleto a boleto
Apenas preencho o tempo
Com um enorme vazio
Tão cheio é o meu dia
Tão vazio ele parece
Créditos da imagem: pixabay
O parto da náusea
Postado no 8 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

O parto da náusea
A náusea gosta de passear
Vive por aí a disfarçar
Olha pra uns com fome
Pra outros, finge que come
Mas o fato é que está cheia
Em gravidez de lua cheia
Tentando digerir a estase
De comidas de outras fases
De tanto engolir desgosto
Entala no fundo do poço
Instala-se em seu conforto
Esperando a sede chegar
Quem chega também é cheio
E só quer vazar o anseio
De alguém a quem culpar
Então tudo vira resto
Dos vômitos indigestos
Das partes a completar
Créditos da imagem: pixabay
Prioridades e aprendizados
Postado no 6 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

Prioridades e aprendizados.
Já fui de festa, hoje sou mais do Netflix.
Já fui de grito, hoje eu sou de ouvir.
Já fui de guerra, hoje eu sou de paz.
Já fui do apertado, hoje eu me contento somente com o confortável.
Já quis tudo ao mesmo tempo, hoje eu priorizo.
Aprendi que tudo tem seu tempo, da forma mais custosa possível.
Aprendi a valorizar o poder de um diálogo claro, sabendo que o importante não é o peso da argumentação, mas estar atenta para entender o outro lado também.
Aprendi o poder da leitura e de usar isso ao meu favor.
Aprendi a estar com minha solitude e estar bem com isso.
Aprendi a valorizar o abraço apertado da minha filha, uma linda criança.
Aprendi o valor de um ato de gentileza.
Aprendi a selecionar minhas batalhas e não comprar brigas desnecessárias.
Venho aprendendo a silenciar a voz da ansiedade que tenta tirar meu sono.
Aprendi a valorizar o por do sol e a observar as estrelas brilhando tímidas no céu azul infinito.
Aprendi a dosar a liberdade.
Aprendi que cortar ou pintar meu cabelo sozinha não é uma boa ideia, acredite!
Aprendi a ignorar vozes que me diminuem.
Aprendi a observar o florescer de uma planta e os ciclos que ela passa na vida.
Percebi que até a lua tem suas fases, por qual motivo eu devo ser sempre a mesma?
Aprendi a prestar atenção ao ouvir a letra da música (spoiler: isso pode ser frustrante e é um caminho sem volta).
Aprendi que tudo tem mais de um ponto de vista, nada, ressalto, nada, é absoluto.
Venho aprendendo a deixar os ciclos se fecharem, praticar o desapego daquilo que ainda me apego.
Venho aprendendo a arte da paciência.
Apesar de tudo que eu acho que sei, aprendi que, apesar de soar clichê, eu realmente sou uma eterna aprendiz. A graça e o tempero da vida estão exatamente aí.
Peço ao criador de tudo que existe que a vida me permita errar, aprender, sorrir, chorar, mas que em momento algum eu deixe de viver com intensidade e de apreciar sempre o poder da simplicidade de existir e ser feliz.
Créditos da imagem: pixabay
Palavras Caminhantes
Postado no 5 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Palavras Caminhantes
Há palavras que por mim não passam,
Tanto que ficam retidas, feito um congestionamento.
Tentam, mas param; busco percebê-las, mas não aderem.
Funcionam feito vento na roupa, ao que se sente, mas não tocam a pele.
A ponto de quererem saber, para tanto querê-las, meu argumento.
Mas não preciso,
Não falo.
São só palavras,
meu fardamento,
Como toda história sai da caneta e segue ao mundo.
São palavras
as poucas,
as que exigem de nós
todo um verbo,
mas há também um artifício.
Uma rotina que importa,
Como a mesma que construir quase só um edifício
Que comporte espaços de paz
para escrever pelo verso.
Tal como a fé impulsiona o progresso,
É feito o amor ou a tristeza que,
Para a poesia,
São as molas, as bases mais profundas,
Os assuntos.
São palavras,
Tal como fogo sobre óleo, algo que inflama.
Se clausura, nos rouba
a atenção do dia;
à noite, nos toma da cama.
São verdades que trazem um pouco de tudo,
E tão mais nos revigoram em pensamento.
Palavras são alimento,
E, atento a elas, pois,
Mesmo sem compreendê-las,
Acordo,
Escrevo.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 13/05/2020)
Crédito da Imagem: Pixabay
Descarrega!
Postado no 3 de agosto de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

Descarrega!
Menina, tira essa mochila pesada das costas!
Solta essa mala cheia de tralhas que carrega pra todo lado, em qualquer lugar
Solta, liberta, libera, desapega!
Deixa ir, deixa partir!
Desfaz todas as regras, toda métrica, toda ditadura, toda empunhadura
Corre solta, descabelada, rindo de si mesma
Gargalhando de tudo que “dá errado”
Ser livre é perder o controle!
Entrar no fluxo do não julgamento, despir-se da culpa de não ser milimetricamente perfeita
Dispensar a necessidade de ser A MELHOR
Apenas seja e flua e voe e sobrevoe as situações
Com olhar meigo, complacente, generoso e amplo, libertador
Relacione-se com os seres animados, inanimados, sentimentos e momentos
Como se fosse a primeira vez!
Como uma página em branco, apta a ser contemplada: uma aquarela de infinitas possibilidades
Sem mágoas, sem expectativas, sem concepções, sem saudades…
Apenas sinta e perceba o novo, o não-escrito,o não-definido, o não-visto, o não-degustado, o até então não-observado
Confie no poder da presença e seja transformação
Confie no som do soham
No fluxo da gratidão
Alce voo
E depois auxilie outros a fazerem o mesmo!
O voo dos três poderes
Postado no 30 de julho de 2020 Deixe um comentário
Por: Priscila Menino

O voo dos três poderes
Em uma das minhas idas e vindas das minhas viagens, estou em um voo saindo do Rio de Janeiro e voltando para minha amada, idolatrada Brasília, quando me deparo que próximo ao meu assento estavam três importantes figuras públicas.
A minha frente estava um ministro do STF, próximo a ele, estava sentada uma Diretora de uma Agência Reguladora e, finalmente, observei um deputado que já foi motivo de muito assunto nos noticiários há alguns anos, por decorrência de um dos escândalos que o Brasil teve marcado em sua história.
Ironicamente, todos estavam sentados do mesmo lado no avião, apesar de nem sempre estarem no mesmo lado na posição política.
Acabei me pegando escrevendo sobre esse atípico voo, que mais parecia que eu estava na praça dos três poderes do céu, pois havia ali representantes do Poder Judiciário, do Poder Executivo, do Poder Legislativo, respectivamente e euzinha representando o povo (preciso dar uma moralzinha pra mim também rs).
Pensei, primeiramente, em como o Brasil possui tamanho continental, mas é demasiadamente pequeno, considerando que, apesar da diminuição da malha aérea na pandemia, todos estavam em um mesmo voo em uma aleatória segunda-feira comum.
Depois, filosofei um pouco mais e pensei em como nós como meros seres humanos que estávamos em um pássaro de ferro, estávamos sendo controlados por um ser humano.
Apesar dos cargos políticos ou não, todos ali estávamos em uma mesma hierarquia, éramos seres humanos que dependíamos das habilidades do piloto, pois nossas vidas estavam (quase literalmente) em suas mãos.
Pensei na fragilidade da vida e em como a gente estava em uma condição de igualdade, afinal, estávamos todos no mesmo barco (ou mais especificamente no mesmo avião), onde os nossos cargos, profissões, ideologias e tudo mais, não importam, se porventura uma improvável tragédia ocorresse e o avião caísse, somente o Divino poderia escolher nosso destino, pois ali éramos todos meros mortais, na nossa condição mais frágil e vulnerável.
Ao pousar, meu lado leonina pensou: que bom que tudo correu bem, ninguém lembraria de falar de mim com um avião tão cheio de gente pública assim.
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Vinte e Cinco
Postado no 29 de julho de 2020 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Vinte e Cinco
O que há em beijos
Que começam e te deixam?
E ameaçam, com boca próxima,
Não sente culpa; transparecem o desleixo
De um nada mais…
E veem sussurros
Que terminam dando nós nos teus ouvidos,
Que transforma o precavido,
A aventurar-se nesse abraço,
A deleitar-se,
Sentir amor, viver em paz.
O que há nos olhos?
Que mudam as cores só de olhar,
Juram amores, sem jurar.
E fazem os meus olhos
Perderem brilho e contorno, a me entreter,
No entorno que há, desapercebido.
Qual é a graça de tais ensejos
Que fazem a alma e a paz morrerem de alegria,
Permitem até ao amor que jaz sentir melhoria?
Que faz alguém como eu, haver-se bem demais,
Como se houvesse ela tocado o centro
De um coração que, por precaução, sempre atento,
Mas que desprecaveu-se ao vento,
Dado o tempo em que a alma se desfaz,
Já que, sem tais beijos, tornados seus ás,
É tão vazia.
O que, por fim, caberá, sem nada lá haver?
E se perdurou por perceber
Que aqueles olhos brilham tão mais
Do que só euforia.
Pois haviam deixado algo
Que então, meu peito, não arcais,
Pois tomado de jeito, não abstrais
Que só será deixado só,
Algum dia.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 30 de maio de 2020).
Créditos da imagem: pixabay
