Verso Encaminhante
Postado no 10 de junho de 2020 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

(Verso Encaminhante)
Desceu a rua inteira,
Só por tentar caminhar.
Passou, insistiu e voltou,
Só para tentar ver o mar.
Aquele momento tão preso,
Tornado e tornava-se tormento.
Deixava a vida vazia
Sem cor, de uníssono sabor
já ansioso,
mais insólito e isento.
Ao menos, por sentir a vida por lá,
tão perto do mar,
caminhou tanto, e assim viu o céu, se expôs mais ao sol.
Faz dias que não notava alguma gente.
Não sentia aquela rasa corrente
Que corta logo em frente à praia.
A qual refresca,
Tudo aquilo e tudo mais quer que saia, porta afora.
Há algum movimento.
Queria ter o som da chuva a explodir no para-brisa,
Queria a mais sutil surpresa, daquela que não se avisa.
É a profunda beleza que há no redescobrimento.
Notando, só de sair ao vento,
Que existia um mundo em linguagem nada concisa.
Sentia falta da brisa,
Sentia falta, lá fora, da vida.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 03/06/2020)
Créditos da imagem: pixabay
Ignorância
Postado no 9 de junho de 2020 Deixe um comentário
Por: Mauricio Luz

Ignorância
A um sábio perguntei
Como o coração dominaria.
Por violência ou magia
O que fazer eu teria?
Sem olhar para mim
Ele me respondeu:
“Como tantos no mundo
Você ainda não entendeu”
“Se não pode o navegante
Mudar o rumo dos ventos
Como pode você querer
Dominar seus sentimentos?”
“Faça como o marinheiro inteligente
Ou a gaivota que no ar flutua
Ajuste as velas! Solte as asas!
Apenas sinta o vento, e flua!”
créditos da imagem: pixabay
Quem Grita?
Postado no 8 de junho de 2020 Deixe um comentário
Por: Bianca Latini

QUEM GRITA?
O tempo está girando rápido
Feito catavento em litoral
Pulsando frenético feito placa luminosa em curto circuito
Ele está gritando com a gente!
Fazendo-nos seguir ritmo de preparação física de atleta para as olimpíadas
Ele corre e tentamos ir atrás
Ele urge e escapa das nossas mãos
Entramos em transe, em parafuso
Achando que fizemos pouco
Que não somos capazes
Que somos ineficientes e lentos
Que somos correntistas negativados, devedores, insolventes
Hoje em dia não chove mais canivete
Chove downloads, informações, notícias
Novidade da novidade, previews, tendências, papers, videos, lives…
E só de saber que todo dia vai chover na tv, no celular, até nas conversas de bar
Fico querendo ir para algum lugar onde não chova essa chuva
Queria muito poder ter tempo para ouvir a chuva de outrora, com barulho de água batendo na folhagem verde, levantando cheiro de terra
Mas daí eu te pergunto:
Será que o tempo está mesmo gritando com a gente ou somos nós que gritamos com ele?
Créditos da imagem: pixabay
Perspectivas #0 a #3
Postado no 7 de junho de 2020 Deixe um comentário
Caros leitores,
Publicamos agora no site os quatro primeiros textos do projeto Perspectivas, já anteriormente apresentados em nossa conta de Instagram (@literarteweb). A seguir:
- Perspectivas #0 – “Carta em Entrevista“, poema de Diogo Verri Garcia, declamado em três vozes (de Bianca Latini, do próprio autor e de Erika Nunes, nossa leitora);
- Perspectivas #1 – “Fotografias“, texto de Bianca Latini, em duas vozes (da própria autora e de Rodrigo Cabral);
- Perspectivas #2 – “Varias Queixas“, poema de Victor Cabral, em três vozes (das leitoras Angela Maria Cabral, Manoela Magalhães e do próprio autor);
- Perspectivas #3 – “Nada mais, só o tempo“, poema de Diogo Verri Garcia, em duas vozes (da leitora Thais Velloso e do próprio autor).
O projeto perspectivas, sob curadoria de Bianca Latini, visa permitir nosso leitor emprestar sua voz aos poemas do Literarte.
Relembrando que, para participar do projeto, é só escolher um dos poemas dos nossos autores e enviar o áudio (pode ser uma gravação simples em Whatsapp, no que recomendamos que o telefone seja posto em modo silencioso, para assim evitar o som das notificações, além de o leitor procurar um local sem ruídos). Ao recebermos dois ou três áudios de um mesmo poema, será inserido o vídeo no ar: no Instagram e também aqui.
A produção do vídeo é nossa: aos nossos leitores, cabe só a interpretação do texto (fale conosco por direct do Instagram ou por aqui, para informarmos o número para envio).
Ao fim, o vídeo de apresentação do projeto, por um dos nossos autores, Thiago Amério.
Início, meio e fim (Raquel Alves Tobias)
Postado no 7 de junho de 2020 Deixe um comentário
Por: Raquel Alves Tobias

Início, meio e fim
Um dia nasceu uma rosa, bela e iluminada.
Viveu num planeta árido onde tudo era escasso. Lidou com pragas, chorou por cortes. Passou por secas e por enchentes.
Por vezes ficou à sombra do que cresceu ao seu lado. E assim, sem luz, já não produzia a própria energia.
Seu perfume doce não mais pairava no ar.
Sobrevivia do resto da rega da vizinhança. Estava cinza, contaminada e havia perdido quase todas as suas pétalas.
Mas, um dia chegou um jardineiro. A viu, ali, em profundo desespero.
Contaminada, machucada, despetalada. Envergada e em queda para o solo seco e desnutrido no qual se encontrava.
Ele encheu os olhos de lágrimas e acariciou suas poucas pétalas restantes. Se abaixou, e de joelhos, respirou a sobra do seu perfume. Ainda era doce e fazia bem ao coração.
Desse dia em diante passou a regá-la, selecionou os melhores adubos. Limpou em volta o que lhe cercava e abriu espaço para que ela visse e fosse vista.
Assim ela pôde sentir a luz integralmente em suas folhas. Percebeu sua limitação por ter vivido apenas de finos feixes perdidos entre as sombras.
Aquilo era assombrosamente maravilhoso. Voltou a produzir sua própria energia. Passado algum tempo, teve suas pétalas revigoradas. Novas ocuparam o lugar das cicatrizes que as velhas deixaram ao cair. Já era possível sentir o seu perfume a longas distâncias. Aquele que adocicava o coração.
Certa vez o jardineiro lhe sussurrou: você ainda está muito longe do que pode ser. E ela ruborizou ao modo das rosas.
Aprendeu a traçar caminhos, a sorrir.
Foi amada e aprendeu a amar.
Está crescendo e quer se manter a florir.
Nesse momento, regada do perdão de si mesma, entendeu a vida que nasce quando se persevera.
Aprendeu a dar início, meio e fim.
A surgir e ressurgir do vazio.
A viver.
Você não desistiu.
Você sorriu.
Você amou.
O amor não desiste.
Ele ensina a voar.
(R.A.T)
Créditos da imagem: acervo pessoal.
E a sua vida, é boa? (Priscila Menino, autora convidada)
Postado no 6 de junho de 2020 Deixe um comentário
Hoje publica conosco mais uma autora convidada, desta vez de Brasília-DF, Priscila Menino
Priscila Menino, advogada, escritora, pós-graduada no Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade – ICTQ em Regulação e Qualidade na Indústria Farmacêutica, professora, Membro do Drug Information Association, Membro do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo, membro do Biotechnology Innovation Organization, foi Presidente da Comissão de Direito Sanitário da Associação Brasileira de Advogados-ABA, atuante em Direito Sanitário há mais de sete anos, tratando de assuntos afetos ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.
Por: Priscila Menino (autora convidada)

E a sua vida, é boa?
Eis que estou despretensiosamente imersa em meu ritual noturno para dormir, quando sou surpreendida com uma pergunta da minha filha de cinco anos: “mamãe, você acha que sua vida é boa?”.
Era mais provável cair um meteoro com um unicórnio colorido o guiando até minha casa, do que estar preparada para uma pergunta dessas inesperadas.
Quase que de imediato, respondi apenas: “sim, mamãe tem você comigo e isso me faz feliz e ser feliz me faz ter uma vida boa”.
Muito embora eu tenha respondido isso a ela naquele momento, aquela breve perguntinha não saia da minha cabeça, como um jingle ruim de uma propaganda que cola na cabeça e você se pega cantarolando inoportunamente.
Já pensou sobre a definição do que é ter uma vida boa e como este conceito pode mudar de formas drásticas ao longo da nossa vida?
Para minha filha, ter uma vida boa hoje pode ser apenas a simplicidade de não fazer o dever de casa e comer guloseimas até enjoar, assistindo algum youtuber gritando de maneira efusiva, mas, daqui uns anos, pode ser que ter uma vida boa seja, na contramão, manter hábitos alimentares saudáveis e uma vida social afinada, considerando que a adolescência é uma fase cruel e confusa (quase sempre).
Ha uns anos atrás, eu achava que uma vida boa era quase o oposto do que tenho hoje, eu quebrei todos os meus próprios paradigmas, eu aprendi a ver a vida de uma forma mais leve e mais tranquila, sem me apegar tanto ao que esperavam para mim como uma “vida boa de uma família tradicional brasileira”.
Se me falassem que eu já teria sobrevivido a um divórcio bem antes dos 30 anos, teria uma enooorme dificuldade em controlar e organizar meus horários, me dividindo entre ser mãe, ser profissional, estar com saúde mental em dia e com o CrossFit frequentado cinco vezes por semana, ainda roeria as unhas e usaria óculos de graus enormes, eu definitivamente acharia que minha vida seria o oposto de ser boa.
Mas, parando para pensar, eu realmente tenho uma vida boa sim, pois agora eu sei que ela será sempre boa, mesmo com os percalços que eu sei que vão surgir, afinal, aprender a lidar com a relatividade dessa definição de “vida boa” e permitir que isso seja sempre mutável é o que me dá base para acreditar nessa premissa.
E se minha filha me perguntar novamente, eu apenas direi: “filha, minha vida não é boa, ela é excelente e sempre será assim, enquanto eu confiar que tudo vai ficar bem, mesmo que tudo saia do controle em certos momentos”. (É evidente que ela não entenderá nada, mas lá na frente, ela há de concordar com a maluquinha da mãe dela, não tenho dúvidas disso).
Créditos da imagem: arquivo pessoal.
Por Victor Cabral
Postado no 5 de junho de 2020 1 Comentário
Por: Victor Cabral

Naquele dia lhe lavei os cabelos
Quantas vezes tirei os anéis de seus dedos
Embrulhei em abraços os seus medos
Te dei todos os sonhos do mundo, sem mesmo tê-los
No café que te trouxe na cama
Nas noite de amor, lenha pra chama
As conversas sem nexo, fugindo do tema
Contra a distância voraz, os nossos esquemas
Nos banhos tão quentes, mais quentes ficamos
A cozinha apertada, os temperos que usamos
Adoçaram o azedo que impera no mundo
Abram caminhos: você vai na frente e eu em segundo
Se minhas palavras não alcançam o profundo do peito
E minhas mãos apartadas não tem tanto jeito
Que a intenção seja forte, quiçá o bastante
Pra trazer a clareza pra esse instante
Eu Te Amo
Poema em clausura
Postado no 3 de junho de 2020 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Poema em clausura
O verso era longo demais,
Para permitir caminhar por aí.
Para ter cada passo firme,
ou passo que jaz.
Para ter o caminhar sincero
como o poema que mais
caminha sozinho,
mesmo sem ter doçura.
Porque o verso pensou:
-será que sou só literatura
Ou se sou traço de algo mais,
feito a rima que traz,
calor, amor e candura?
O verso não estava preso,
Só o poeta andava enclausurado,
Enquanto o mundo vivia a doença.
Ao ver a cidade parada,
Ao ver nada mais ser lotado,
Aguardava que a vida
retomasse em convalescença.
Era forma de ter o mundo sem deixar o lugar,
De reviver seus antigos e novos amores,
Sem nem poder ir beijar.
Mas o verso, bem que podia sair, andar, mas não quis.
O verso poderia zarpar, mas fincou raiz
Porque achou triste demais ser verso alegre
Em tempo em que a tristeza se faz, para uns, o albergue
E achou que era falho também ser verso triste,
Em momento em que ter esperança
É o bem que existe.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 03/06/2020)
créditos da imagem: pixabay
Templo que habito
Postado no 1 de junho de 2020 1 Comentário
Por: Bianca Latini

Templo que habito
Meu corpo é o templo
Onde minha alma mora
E minha alma quer se expandir
Pretende romper as cercas
E olhar por trás das montanhas altas
Ela quer ser solta, livre
e sentir-se efervescente em alegria, pertencente, flutuante, gaseificada, tilintante
Para isso, meu corpo precisa se movimentar
Para estar, com minha alma, em correspondente sincronia
É como uma dança de movimentos oscilantes
Experimentando todo tipo de sensação,
os membros respondem
aos comandos ocultos dos nossos quereres, desejos, reprimendas, mutilações
A cada soltura, a cada não julgamento, a cada liberação de braços, pernas, pescoço e umbigo,
Vou esvaziando e sendo preenchida
Ouvindo música e me reesculpindo
Tirando as mordaças, deixando cair as carapaças
Ao longo dos rodopios, chutes e fluidez no salão,
Vou me despindo daquilo que construí
Esfacelando somatizações, cristalizações, crostas e esconderijos
Restauro meu DNA
Como se nascesse outra vez
Ou como se rasgasse a tela poluída e começasse a pintar, de novo, folha em branco
É como um lavar d’alma
Esgotamento que traz suor e vigor
Deixa a face ruborizada e a pele viva
Calor por dentro do corpo
Que arde em brasa
E choca com o ambiente externo, que agora está frio
Neste momento, percebo, realmente, o que está fora e o que está dentro.
Erika Mariano, inaugurando o Pesca Poética
Postado no 31 de maio de 2020 Deixe um comentário

Hoje lançamos “Pesca Poética“, um espaço dedicado a lançar no oceano do Literarte as escritas, pensamentos, versos e entregas que talvez estejam escondidas pelo mar das palavras, no fundo de um caderno. É um incentivo às falas do nosso público leitor , a ganharem vida exterior.
O projeto toma lugar ao lado das publicações semanais , feitas pelos nossos autores.
Iniciando o Pesca Poética, Erika Mariano, com “O Caro Amor“. Tal como ela se define:
“A paulistana mais carioca que conheço. Arquiteta e urbanista, técnica em edificações, apaixonada por artes, sempre aprendiz. Trabalho com o que mais gosto. Sou uma entusiasta da vida. Forrozeira. Meio de transporte: bicicleta. Um amor na vida: a minha gatinha Raíssa…”
O caro amor
Por: Erika mariano
Quando me dei conta já era tarde
Acabei me deixando levar
você me encheu de presentes
Tudo para me fazer amar
coisas que eu sempre quis
Começou com um olhar
Depois veio o sorriso
A atenção, Gentilezas…
Aí vieram as danças,
As roupas emprestadas,
Os beijos
Os abraços, o ninar
E eu ali distraída
Ganhei admiração
Você me observando sentada na janela
Suas mãos passeando pelas minhas costas
Ganhei luares
Fotos, músicas,
desenhos, filmes e
Outras danças
Carona na bicicleta
Banho de mar
Cama com véu
Preguiça de acordar…
Riquezas assim
Quero sem parar
