Estilo

Por: Mauricio Luz

Estilo

Quando a mente se entrega
E a razão cala
Eis o momento
O coração fala

E detalha o que não pode ser detalhado
Define o que não pode ser definido
Liberta o que não pode ser reprimido
Rompe os limites do infinito.

Viva eu a vida
De maneira mais gostosa
Seja eu mais poesia
E menos prosa.

Por: Mauricio Luz


Créditos da imagem: Pixabay

Leitor Também Escreve: Karine Nepomuceno

A Flor

Oh! Flor…Quantos lhe causaram dor?
Quantos não quiseram lhe regar?
Quantos ainda querem te ver florir?

Não se preocupe, tudo acontece no seu tempo.
Tempo esse que pra você parece não ter fim.
Acalme-se!
Sua hora vai chegar.
Não tenha medo.
Continue a regar até a hora de você poder florir novamente .

Poucos são aqueles que vão saber a verdadeira causa de tuas dores, mas muitos vão querer saber de onde vem a beleza de tuas flores.

Não se assuste!
As pessoas sempre apontam nossas belezas e realizações, mas poucas sabem de todo processo que você teve que passar.

Eu, mesmo de longe fico aqui,rezando,regando até a hora de te ver florir.
Tudo que mais quero é ver suas flores se abrirem e você sorrir.

Karine Nepomuceno


Créditos da imagem: Unsplash

O Jardim Maria

Por: Bianca Latini

O Jardim Maria

Era ela Maria
Um dia ela ousou sonhar
Ou acordar do sonho…
Depende da perspectiva…
Esfregou bem os olhos e viu a visão desembaçar
A névoa desanuviar
Sentiu, no peito, a vontade de se libertar
Seu corpo queria gritar
Desacorrentar
Em suas visualizações frequentes
Rasgava o tailleur
Tirava os sapatos
Catapultava-se daquele ambiente tão apertado
Espremido
Quase um comprimido encapsulado
Não era terreno fértil, descampado, arado
Era buraco profundo
Onde só tinha espaço para regras, cerceamentos, métricas, pompas, circunstâncias, pronomes de tratamentos
Quase remontava as épocas medievais, os senhores feudais e todos os protocolos comportamentais
Ali, naquele Castelo com Torres altas,
Tentou inebriar-se em contentamento
Passaram horas, dias, passaram tempos…
E nada do brilho nos olhos ou sentimento de pertencimento!
Pelo contrário:
Queria sair do armário
Desengavetar seu genuíno talento
O sufocamento lhe deu ainda mais vontade de respirar
As barreiras, mais vontade de ultrapassar
Os jardins, gana de regar
E, enfim, florescer a semente que nasceu para germinar

Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Pixabay

Oceano da Vida

Por: Mauricio Luz

Oceano da Vida

Ele sabe que deve partir
O Oceano é seu verdadeiro lar
Não o meio, mas o fim.
A insegurança de suas ondas,
A violência de suas tempestades e calmarias,
É tudo o que deseja possuir
E ser possuído.
Os portos seguros que surgem
São meros lembretes do que realmente ama.
Como sentir-se vivo em total segurança?
Como mergulhar em si mesmo,
Sem o Mestre dos ventos e das águas
A ensinar-lhe as faces do medo e da coragem?
Como conhecer o mundo
Ficando parado no mesmo lugar?
Seu barco é pequeno e frágil,
Os elementos o testam e o provocam,
Jogam com seus temores e anseios,
Zombam de seus sonhos,
Encharcam de dúvidas as suas certezas.
Mas ele continua, mesmo vacilante
Abraçado à casca de noz que é seu navio.
E enquanto navega,
Reflete o mar à sua volta,
Tanto mistério, tanta luz e sombra,
E tanta beleza, e tanta magia!

Por: Mauricio Luz


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Cardápios das decisões da vida

Por: Priscila Menino

Cardápios das decisões da vida

Quem nunca passou pela indecisão das decisões da vida, que jogue a primeira pedra.
Quando crianças, nossos pais ditam nossos destinos imediatos e sonham/planejam nossos destinos mediatos.
Quando a gente vai crescendo, na mesma proporção, crescem as cobranças para que tenhamos um futuro que parece certo aos olhos daqueles que já viveram a vida e imaginam que podem nos proteger de cometer os mesmos erros que eventualmente eles tiveram quando jovens.
Nesse ponto nos é colocado um cardápio de opções para escolhas dos nossos futuros, baseados, evidentemente, nas expectativas dos nossos pais.
Não é por mal (na maioria das vezes), mas por uma tentativa de cuidado, quase que um instinto irracional de proteção da prole.
Acontece que cada vez mais os cardápios estão sendo ignorados pelas novas gerações, já estão ficando obsoletos e descartados.
Como boa Brasiliense, esperava-se que eu tivesse um cargo público “estável”, com uma vida by the book que eu cheguei a ter por um tempo, mas, como uma bomba relógio, essa tentativa explodiu e me esfregou na cara que o que eu queria não eram as opções do cardápio, elas já não me faziam feliz.
Aliás, a felicidade é um dos controles de qualidade que todos esses cardápios deveriam ter, mas há vários outros requisitos tidos como prioritários antes desse critério de avaliação.
Os pais “das antigas”, aqueles tradicionais, a rigor, não colocariam no cardápio, por exemplo, que seu filho pudesse ser músico ou artista plástico ou ativista político, mas essas opções fazem parte do combo da felicidade para eles, acompanhado de satisfação e engajamento ideológico.
Acho que os cardápios já estão em processo de revisão natural, adaptando-se aos novos cenários que já estão latentes e, de verdade, torço por isso.
Torço ainda mais para que a felicidade seja basilar em qualquer tipo de opção, seguida de respeito e amor, afinal, é isso que os pais sempre quiseram garantir para seus filhos, não é mesmo?

Por Priscila Menino


Créditos da imagem: Pixabay

Leitor Também Escreve: Jaqueline Dergan

Plenitude

Acalmo meu coração
Abro mão de minhas compulsões
Cobiças
Anseio pela vida e pela libertação
Libertação de mim mesma
Quero a simplicidade
Conectar-me com a natureza
Conectar-me comigo mesma.
Busco desenfreadamente minha essência
Busco o contentamento
Contentamento…
No equilíbrio sei que está o segredo de todas as coisas.
De amar. De desejar. De viver.
Que meus desejos não ultrapassem o meu equilíbrio.
Que eu alcance a dádiva de sorrir em paz com cada coisa que não seja possível de se ter no exato momento em que as quero. Talvez nunca.
Que ainda assim, eu possa agradecer, e me sentir plena, pelo simples fato de viver.

Por: Jaqueline Dergan


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Os Verdadeiros Castelos

Por: Bianca Latini

Os Verdadeiros Castelos

Não gosto de mesmice
Muita coisa deste mundo, pra mim, é tolice
Dinheiro, dinheiro, dinheiro
Ganhar, perder, reter e ter cada vez mais
Catalisador da vida em looping
Opressor de nossas expressões mais verdadeiras
Se nos apegarmos, viveremos sempre em precipício
Com medo de despencar e jamais voltar
Com medo de não sobreviver
De não pagar contas, de não ser gente
E viver como indigente
Esse pedaço de plástico, papel
Por nós, transforma-se em
Respeitoso Quartel
Quartel General
Ditando nossos ritmos
Engendrando nosso tempo
Costurando nossas artes para que se calem e nada falem
Para não despertarmos o rebanho
Para continuarmos, a dele, fazer parte
O mote é não acordar do Sonho, da Ilusão
Somos levados a acreditar que os NOSSOS sonhos mais íntimos, guardados a sete chaves, é que são tolos, fúteis, inservíveis
Matamos nossas sementes, antes mesmo delas sequer começarem a germinar
Praticamos aborto logo nos primeiros sopros de vida
Embora defendamos Leis protetoras do mundo externo
Corrompemos, fissuramos, rachamos e, por fim, desmoronamos nossos profundos castelos, que parecem irreais
Mas não são!
Eles sim: nossa verdadeira riqueza, ainda que etérea
Eles não precisam de paredes, torres, calabouços
Eles existem por si mesmos
Carecem de entendimento
Existem apenas no Sentir…
Saibamos NÓS nos PERMITIR

Por Bianca Latini


Créditos da imagem: Pinterest

Clássicos da Literatura: George Orwell

“O assustador, refletiu Winston pela décima milésima vez enquanto forçava os ombros dolorosamente para trás (com as mãos nos quadris, giravam o tronco da cintura para cima, um exercício considerado benéfico para os músculos das costas), o assustador era que talvez tudo aquilo fosse verdade. Se o partido era capaz de meter a mão no passado e afirmar que esta ou aquela ocorrência jamais acontecera – sem dúvida isso era mais aterrorizante do que a mera tortura ou a morte.
O Partido dizia que a Oceânia jamais fora aliada da Eurásia. Ele, Winston Smith, sabia que a Oceânia fora aliada da Eurásia não mais de quatro anos antes. Mas em que local existia esse conhecimento? Apenas em sua própria consciência que, de todo modo, em breve seria aniquilada. E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido – se todos os registros contassem a mesma história –, a mentira tornava-se história e virava verdade. ‘Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado’, rezava o lema do Partido. E com tudo isso o passado, mesmo com sua natureza alterável, jamais fora alterado. Tudo o que fosse verdade agora fora verdade desde sempre, a vida toda.”

George Orwell (1984)


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Posicionamento

Por: Juliana Latini

Posicionamento

De onde vem a sua força?

Dos braços, da conta bancária, dos outros?

Pois digo que a força vem da fraqueza!

Quando nos sentimos fracos, temos condições de experimentar os males de tudo aquilo que nos oprime, entristece, até que resolvemos reagir!

Inicia-se um movimento interno, como uma engrenagem, para declarar um basta! De dizer: “Não suporto mais essa situação. Já chega!”

Daí vem a força de dizer o primeiro não.

Como uma foice diante de um capinzal, onde cada golpe no matagal se transfigura como um não, vamos abrindo espaço, até que a luz do sol começa a nos alcançar novamente, diminuindo aquela sensação de sufocamento. O alvo vai ficando mais claro, mais possível, mais palpável.

Ao perceber esse horizonte, renovamos nossas forças e continuamos o trabalho. Um trabalho, cabe dizer, que não tem remuneração, a não ser, o bem estar de ter novamente o espaço necessário que precisamos para existir, para respirar com calma, para sermos nós mesmos.

Nesse terreno, agora bem delimitado, reforço as minhas estacas e descubro o valor de saber os meus limites, de me posicionar com os outros e não permitir que nada, nem ninguém entre sem o meu consentimento.

Aprendi que o não é um fechar de porta desse espaço interior. Se não me faz bem, preciso dizer não.

Daí em diante, é preciso duas coisas. A primeira é limpar todas as toxinas que deixaram essa terra amarga e, para isso, não conheço outra receita a não ser perdoar o que passou. A segunda é manter essa nova condição, usando a força despendida com a confusão interior, para impulsionar aquilo que realmente gera crescimento.

Trabalhar nessa terra exige planejamento, execução e fé que em determinado tempo os frutos surgirão.

Os sonhos adormecidos são fincados na terra em forma de sementes. Cuidando diariamente para não deixar o capim dominar novamente. Sem pressa. Pois contra o tempo, não tem como lutar.

Só digo que a constância, a paciência e o posicionamento atuam como adubo nesse processo de amadurecimento.

Juliana Latini (05/04/2021)


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Regresso das Águas

Por: Diogo Verri Garcia

Regresso das Águas

Até olhos d’água intermitentes,
aclaram-me, tão mais que se preenchem,
pois em muito aflitos.
Entremeiam um curso em plano caudaloso,
Em tenaz pranto honroso;
tímido,
resiliente aos vãos agitos.

Que se isentam no ameno inverno,
no qual não faz frio
para que seja agoureiro,
Mas ruborizam a névoa clara
Que se escondem ao menor verão.
São os olhos que secam;
dissimulam até findar janeiro,
Pois em dois meses mais,
terão exposição.

São olhos que reforçam tais torrentes,
Tornam-me tão seco e, a mais,
Tão só,
desprecavido.
Como que toda sede que impusesse a sua marca,
eis que olhos d’água
não correm sua lágrima;
No verão, tê-los por esperar, já sei:
é descabido.

Sede que é de marca tão maçada,
Não sinto nem náuseas.
O desconforto é ligeiro mais
que perturba até minh ‘alma.
Ao que destorce, em pensamentos,
as mínimas razões da mente.
Mas do que dizeis quanto a tais correntes?
Vez que aparentam que sentem
nada mais que um nada.
São, todas, cursos d´água.
Tão naturais, tão somente.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 06/04/2021)


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