Poema 618

Por: Tadany Cargnin dos Santos

Eles batiam, sem misericórdia e agressivamente, na porta do meu lar

Eu com medo, me escondia em qualquer canto possível

Mas não adiantava, porque eram meus sonhos inatingidos, querendo se exaltar

Uma imagem que não cessou, enquanto eu não os tornei visível.

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Poema 618.www.tadany.org®

Facultas

Por: Mona Vilardo

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Hoje, bem mais perto dos 40 do que dos 30 anos, posso dizer que meu estado social é facultativo (como se fosse estado civil, entende?). Se tivesse que preencher algum documento que pedisse tal informação, eu colocaria isso.

Totalmente o contrário de quando era bem jovem, época que procurava estar em todos os lugares ao mesmo tempo e que não tinha muito isso de escolher ou não. Queria me fazer presente. Posso dizer que hoje, meu estado social é muito mais facultativo. Escolho bem mais se quero ir ou não, sem me obrigar a ir. E claro, em se tratando de Rio de Janeiro, a violência e o descaso que cidade se encontra,  me impõe que muitas vezes devo realmente  escolher não ir.

Faculta vem do latim facultas: Subst. Feminino. Capacidade; permissão; poder; dar a alguém a possibilidade.

Até agora estou falando de coisas “banais”: Festinhas, programas sociais e escolhas que dizem respeito apenas a mim, não colocando em risco a vida de ninguém, muito menos a vida de uma família e, digo mais, de uma sociedade.

Em se tratando de Brasil, em se tratando de Estado ou Cidade, NADA deveria ser facultativo. E essa palavrinha parece estar na moda. Bastou chover demais, tudo vira facultativo. As aulas, que viram facultativas para os alunos apenas (surreal também), é o que há de menos assustador nesse  “virar facultativo”.

Na minha cabeça, não é facultativo não conseguir chegar em casa porque o Rio Maracanã transbordou. Não é facultativo alguém precisar dormir no emprego, pois a Rua Jardim Botânico está em estado crítico, onde motoristas sobem em seus carros tentando achar um lugar mais “seguro”, durante um temporal que devasta a cidade do Rio de Janeiro.

Não é e nunca foi facultativo uma ciclovia cair a cada temporal ou ressaca.

Sem nos darmos conta, o caos vai virando obrigatório e não facultativo.

Enquanto isso, o prefeito do Rio de Janeiro, que deve viver em estado facultativo/vegetativo, diz que está tudo sob controle.  É facultativo ou obrigatório querer que ele saia desse cargo?

Brasil, meu Brasil brasileiro….

Não é facultativo dar 80 tiros num carro com uma família dentro. De “escolha, permissão ou possibilidade de”… esse ato não tem nada. Ele é PROIBIDO!

Viver é facultativo, mesmo o suicídio sendo um tabu a ser discutido, qualquer um tem o direito de tirar a vida. Mas a vida não é facultativa para os dirigentes de uma nação. Ninguém tem permissão de tirar.

O voto é obrigatório, mas governar me parece, assombrosamente, facultativo.

Para a população nada resta, nem escolhas.


Créditos da imagem: Evandro Teixeira

Nada – Thiago Amério

Às vezes me sinto burro,

às vezes inteligente,

me sinto assim porque só sou eu,

e como só sei que nada sei,

e no fundo nada somos,

a sensação passa e nada.

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Poema do Erro Redundante

Por: Diogo Verri Garcia

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Inicio meus versos nos erros
Desacertados.
Vindos de um surpreendente inesperado,
Tão bem guardado há anos atrás.
Que impediu o planejamento antecipado.
Na vida, entre uma verdade e um fato,
Em metades iguais.

Quem visou seu desgosto ao largo,
Sem encará-lo de frente.
Fez como quem favoravelmente assente
E pouco caso faz, até.
Com os olhos, trabalhou as palavras nas minúcias detalhistas.
Mantendo patente no rosto, aparente e à vista
O rubor de quem se desolou na mais triste tristeza,
De quem perdeu a confidência na fé.

Que não fizesse daquilo um todo,
Para repetir, no amor, seu novo lançamento;
Tal como um novel feito em debute,
Querendo ter o protagonismo em querer ser o principal.
Mantiveram o mesmo,
Conviveram juntos.
Da fartura da sorte, até o mal
Parco e escasso do que era bom,
Mas que se firmava completo e integral.

Sobre ser feliz…
A última razão que quis foi derradeira,
De que, no amor que dá causa, não houve fatos reais.
Passado o tempo, as cinzas, as faltas,
Buscava a agastada braveza que lhe garantisse algo mais,
Além do somente mais.

Não queria ser apenas redundante,
Tal como os desacertos
Que não se acertam aqui, neste poema.
Pensou que a vida passa ao tempo, rápida, feito instante.
Sem momento para bobagens;
No amor, meias certezas ou verdades.
Feito o erro de quem imponha,
Ao poema,
Um trema.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 04/02/2019)


Crédito da imagem: pixabay

Uma Coruja e a Palavra

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Um dia estava passeando no paraíso

Observando a magnificência da natureza

Perdendo a visão naquele horizonte preciso

E sentindo-me completo ao ver tamanha beleza

 

De repente, uma coruja que a tudo contemplava

Girou sua cabeça e com um ar instigante

Disse-me que o lindo dos seres humanos é o poder da palavra

Que seduz a amada, e também ao amante

 

Que uma palavra tem o poder de transformar

De tornar uma noite em um dia

De criar uma atmosfera harmônica num lar

E de converter uma depressão em alegria

 

Que uma palavra tem a dimensão de mudar

De trazer paz aonde existe violência

De levar uma mensagem confortante para quem precisar

E de manter no coração uma eterna inocência

 

Uma palavra tem o dom de criar

De converter verbos e substantivos num poema

De tornar-se notícia para informar

E de transformar uma ideia num teorema

 

Uma palavra possui a magia de renovar

De transformar ignorância em sapiência

De servir de estímulo para uma nova vida manifestar

E de revelar os presentes e as benesses desta existência

 

Neste momento a coruja, em êxtase, deu um suspiro profundo

E disse que o seu sonho era poder falar

Porque uma das maravilhas deste mundo

É que as pessoas usem as palavras para se comunicar.

 

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany.Uma Coruja e a palavra .www.tadany.org®

Praias sem sol

Por: Diogo Verri Garcia

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Mal o sol sai,
O mar já começa a bravejar.
O que há contigo, sol, que tornas mais árduo o mergulhar?
Salienta na areia a palidez de uma manhã sem temperamento,
Sem o solar de luz, sem vento.
A praia é mais calma, mansa.
Há menos gente, menor o rubor eloquente
Que até arder faz graça na pele; mas se esquece, queima.
Fechado se faz e assim permanece, indulgente, o tempo.

Pouco vi gaivotas tão calmas na praia,
Mas hoje cá uma está andante,
Com pernas bambas, pivotante feito malandro,
A se quedar solitária: quieta como a mais calma rotina.
A falta de gente passagem lhe dá,
De um seguir caminhante, por aí, a passar.

O vento a nada oprime, tampouco se adianta.
Talvez, oportunidade boa que a vida garanta
Ao pássaro que mergulha, após bom planador
Ou ao arrasto que faz o bom pescador.

Mas hoje, aqui na praia, a vida passa contente:
Sem gente, sem bola, criança obstruente, grito ensurdecedor de quem não ouve o mar
E não deixa o mar ouvir a gente.
Há a mais branda calmaria,
Em que nenhuma falta de paz possa opor.

Mas pouco a pouco o sol sai e insiste
Em tornar a manhã menos triste,
Embora, por mim, não haja tristeza onde exista água molhando os pés,
Pondo a alma a salgar.
Até quando o sol não dá foco e matiz
A vida é tão mais calma e feliz onde há
Qualquer pouco e manso vento;
Onde é perto do mar.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 03/02/2019 – Uma manhã sem sol na praia do Rio)


Créditos da imagem: arquivo pessoal. Fev. 2019.

Diva – n° 42

Por: Tadany Cargnin dos Santos

No vale de tua beleza infinita

E nas carícias de teus beijos

Perder-me na tua boca tão bonita

E adentrar o meridiano de outros desejos

 

Sonhos de noites iluminadas, estrelas ao léu

Memórias intensas que não consigo descrever

Viagens cósmicas, teu coração, meu céu

Sussurros de amor que não posso esquecer

 

Carinho é bom, aprendi com o teu olhar

Poesias de corpos em versos docemente ritmados

Ondas de prazer que invadem nossa praia, formoso mar

É de manhã, sinto os raios do teu sol, encantado

 

Me debruço sobre tua apaixonante essência

Arrastando-me pela geografia de tua fogosa alma

Teus odores desnudam-me, natural transparência

Fantasias revelando-se, tua doçura, tua calma

 

Queria apenas ser feliz, e assim fui

Encontrando-me no caminho de teu coração

Exuberâncias de uma vertente que sempre flui

Enfeitiçado por tua liberdade, tua magia, tua paixão.

Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. Diva – n° 42.www.tadany.org®

Poema às multidões

Por: Diogo Verri Garcia

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Atenção com as ruas ocupadas demais.
Elas trazem em demasia gente, para ti sem importância,
Uma sensação sem elegância que pouco te apraz.
Tantos que passam por ti,
Que te cruzam o caminho sem você se importar.
Não percebes quantos no rosto trazem algo a sorrir,
Ou mesmo quando têm a chorar.

Cuidado com essas ruas,
e com toda essa gente que por ti passa,
pois algo há de arrogância.
Talvez haja o mesmo com quem tu seletas,
Mas que pouco te adornam em relevância.

Por certo, de forma segura, alguma vez me juras
que não notas em quem passa
alguma outorga que a vida traz?
Quem por ti passa, talvez mais não volte,
não mais,
porque tem o mundo alternância.
Percebas que respondes pelo mal que faz,
ou pelo bem que deixas e que jaz, ali, sem importância.

E com toda essa gente que pouco te importa,
ensinas aos teus, que a elas já não conseguem nem ver.
Hoje, nada relevas por elas;
Amanhã, quem sabe
Quanto do tempo quererás reescrever.

Não te notas que quem passa em teu caminho é um caminhante sozinho
que, talvez, também contigo queira se importar?
E não te importas que, por esse desalinho, o mundo piorará mesquinho,
de tantos sozinhos, que não ligam com quem lhes irá passar?

Até corrigiria o poema,
Para que fossem acertados o bastante
e até consoantes
os pronomes que se misturam entre você e ti
em uma singela anedota.
Mas não mexo; deixo tudo como está,
deixe a palavra errar.
Até porque nada disso te importa.

(Diogo Verri Garcia, fev. 2019)


Crédito da imagem: Diogo Verri Garcia. Arquivo pessoal. Zaragoza, 2015.

Ex Animo – N° 94

Por: Tadany Cargnin dos Santos

 

Na nefasta realidade da ignorância humana

Todos os seres possuem certa culpa

Ao mesmo tempo em que ninguém é culpado

Porque todos é o mesmo que nenhum

E nenhum sempre será ninguém

Na majestosa revelação da sabedoria humana

Cada ser possui certa responsabilidade

Ao mesmo tempo em que todos são responsáveis

Porque cada unidade é parte formadora do todo

E o todo sempre será uma resultante de cada unidade.

Assim, nenhum ser é ignorante porque cada ser é responsável

Todos podem ser sábios porque ninguém é culpado

E a culpa que é de ninguém, nenhum pode ser afetado

Então, o princípio uno que forma o todo

Por todos pode ser, sabiamente, assimilado.

 

PS: Para citar este Poema:

Cargnin dos Santos, Tadany. Ex Animo – N° 94.www.tadany.com®

Duas Estações

Por: Diogo Verri Garcia

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Quem reza por duas orações
Acaba se enganando e caminhando a pé
É como pretender ter dois quinhões,
duas prendas, duas estações;
No mar, duas marés.

Aprenda que nem tudo que alimenta, que é bom em sinergia,
Deve ser dobrado, para ser tido em dubiedade.
É bom viver feliz, na causa que nos contagia,
Mas se pretenderes a mais,
causará furor; virará vaidade.

Veja que te projeta a luz, o sol que aqui brilha.
Assim como na estação toca uma melodia,
em tom que, tanto faz, se maior ou menor.
Há sintonia; se fossem dois sóis, não haveria noite, só dia.
Tocados ao mesmo tempo, confusos aos ouvidos,
os sons não soariam o melhor.

Com essa fala, que passa em tempos
tão longos como fios de cabelos em mecha,
O pensamento feito flecha,
Daquelas que rasgam e acertam
Menos o que se mostrou e mais o que se escondeu.
Eu sei: em um sopro de ingenuidade que aparece, risonha, sincera,
Depois de tempos remidos, em que o peito oprimido soluçou,
Recolhido na sombra, em mar de breu.

Veja: há sempre peças que se apresentam ao jogo
Jogado por francos, incautos,
por bobos…
E não há que cure muitas rezas,
Para viver em um rompante como o mais feliz;
Em outro, mal à beça.

A conclusão é certa:
O andor apadrinhando dois santos
Quer seguir o melhor, mas terá o maior dos prantos.
Não importa o quanto andou,
Não importa se mais bem do que mal fez.
Quem jura manter dois quinhões,
duas estações,
perderá todas as peças, finda a vez.

Quando a tragédia é revelada, amalgamada,
Dói a alma que amou,
mas que deu causa ao que amargou,
Perdeu por querer mais, pois fez.

Muito se saciou, mesmo não querendo ser voraz
Não haverá duas fés,
Não há no mar duas marés,
Não se abonou a insensatez.
Quando a paz acaba,
ressacada:
Inevitavelmente,
Inicia-se a dor. E os porquês.

(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 2018)


Crédito da imagem: pixabay