Poema 618
Postado no 30 de abril de 2019 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
Eles batiam, sem misericórdia e agressivamente, na porta do meu lar
Eu com medo, me escondia em qualquer canto possível
Mas não adiantava, porque eram meus sonhos inatingidos, querendo se exaltar
Uma imagem que não cessou, enquanto eu não os tornei visível.
PS: Para citar este Poema:
Cargnin dos Santos, Tadany.Poema 618.www.tadany.org®
Facultas
Postado no 27 de abril de 2019 1 Comentário
Por: Mona Vilardo

Hoje, bem mais perto dos 40 do que dos 30 anos, posso dizer que meu estado social é facultativo (como se fosse estado civil, entende?). Se tivesse que preencher algum documento que pedisse tal informação, eu colocaria isso.
Totalmente o contrário de quando era bem jovem, época que procurava estar em todos os lugares ao mesmo tempo e que não tinha muito isso de escolher ou não. Queria me fazer presente. Posso dizer que hoje, meu estado social é muito mais facultativo. Escolho bem mais se quero ir ou não, sem me obrigar a ir. E claro, em se tratando de Rio de Janeiro, a violência e o descaso que cidade se encontra, me impõe que muitas vezes devo realmente escolher não ir.
Faculta vem do latim facultas: Subst. Feminino. Capacidade; permissão; poder; dar a alguém a possibilidade.
Até agora estou falando de coisas “banais”: Festinhas, programas sociais e escolhas que dizem respeito apenas a mim, não colocando em risco a vida de ninguém, muito menos a vida de uma família e, digo mais, de uma sociedade.
Em se tratando de Brasil, em se tratando de Estado ou Cidade, NADA deveria ser facultativo. E essa palavrinha parece estar na moda. Bastou chover demais, tudo vira facultativo. As aulas, que viram facultativas para os alunos apenas (surreal também), é o que há de menos assustador nesse “virar facultativo”.
Na minha cabeça, não é facultativo não conseguir chegar em casa porque o Rio Maracanã transbordou. Não é facultativo alguém precisar dormir no emprego, pois a Rua Jardim Botânico está em estado crítico, onde motoristas sobem em seus carros tentando achar um lugar mais “seguro”, durante um temporal que devasta a cidade do Rio de Janeiro.
Não é e nunca foi facultativo uma ciclovia cair a cada temporal ou ressaca.
Sem nos darmos conta, o caos vai virando obrigatório e não facultativo.
Enquanto isso, o prefeito do Rio de Janeiro, que deve viver em estado facultativo/vegetativo, diz que está tudo sob controle. É facultativo ou obrigatório querer que ele saia desse cargo?
Brasil, meu Brasil brasileiro….
Não é facultativo dar 80 tiros num carro com uma família dentro. De “escolha, permissão ou possibilidade de”… esse ato não tem nada. Ele é PROIBIDO!
Viver é facultativo, mesmo o suicídio sendo um tabu a ser discutido, qualquer um tem o direito de tirar a vida. Mas a vida não é facultativa para os dirigentes de uma nação. Ninguém tem permissão de tirar.
O voto é obrigatório, mas governar me parece, assombrosamente, facultativo.
Para a população nada resta, nem escolhas.
Créditos da imagem: Evandro Teixeira
Nada – Thiago Amério
Postado no 25 de abril de 2019 Deixe um comentário
Às vezes me sinto burro,
às vezes inteligente,
me sinto assim porque só sou eu,
e como só sei que nada sei,
e no fundo nada somos,
a sensação passa e nada.

Poema do Erro Redundante
Postado no 24 de abril de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Inicio meus versos nos erros
Desacertados.
Vindos de um surpreendente inesperado,
Tão bem guardado há anos atrás.
Que impediu o planejamento antecipado.
Na vida, entre uma verdade e um fato,
Em metades iguais.
Quem visou seu desgosto ao largo,
Sem encará-lo de frente.
Fez como quem favoravelmente assente
E pouco caso faz, até.
Com os olhos, trabalhou as palavras nas minúcias detalhistas.
Mantendo patente no rosto, aparente e à vista
O rubor de quem se desolou na mais triste tristeza,
De quem perdeu a confidência na fé.
Que não fizesse daquilo um todo,
Para repetir, no amor, seu novo lançamento;
Tal como um novel feito em debute,
Querendo ter o protagonismo em querer ser o principal.
Mantiveram o mesmo,
Conviveram juntos.
Da fartura da sorte, até o mal
Parco e escasso do que era bom,
Mas que se firmava completo e integral.
Sobre ser feliz…
A última razão que quis foi derradeira,
De que, no amor que dá causa, não houve fatos reais.
Passado o tempo, as cinzas, as faltas,
Buscava a agastada braveza que lhe garantisse algo mais,
Além do somente mais.
Não queria ser apenas redundante,
Tal como os desacertos
Que não se acertam aqui, neste poema.
Pensou que a vida passa ao tempo, rápida, feito instante.
Sem momento para bobagens;
No amor, meias certezas ou verdades.
Feito o erro de quem imponha,
Ao poema,
Um trema.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 04/02/2019)
Crédito da imagem: pixabay
Uma Coruja e a Palavra
Postado no 23 de abril de 2019 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
Um dia estava passeando no paraíso
Observando a magnificência da natureza
Perdendo a visão naquele horizonte preciso
E sentindo-me completo ao ver tamanha beleza
De repente, uma coruja que a tudo contemplava
Girou sua cabeça e com um ar instigante
Disse-me que o lindo dos seres humanos é o poder da palavra
Que seduz a amada, e também ao amante
Que uma palavra tem o poder de transformar
De tornar uma noite em um dia
De criar uma atmosfera harmônica num lar
E de converter uma depressão em alegria
Que uma palavra tem a dimensão de mudar
De trazer paz aonde existe violência
De levar uma mensagem confortante para quem precisar
E de manter no coração uma eterna inocência
Uma palavra tem o dom de criar
De converter verbos e substantivos num poema
De tornar-se notícia para informar
E de transformar uma ideia num teorema
Uma palavra possui a magia de renovar
De transformar ignorância em sapiência
De servir de estímulo para uma nova vida manifestar
E de revelar os presentes e as benesses desta existência
Neste momento a coruja, em êxtase, deu um suspiro profundo
E disse que o seu sonho era poder falar
Porque uma das maravilhas deste mundo
É que as pessoas usem as palavras para se comunicar.
PS: Para citar este Poema:
Cargnin dos Santos, Tadany.Uma Coruja e a palavra .www.tadany.org®
Praias sem sol
Postado no 17 de abril de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Mal o sol sai,
O mar já começa a bravejar.
O que há contigo, sol, que tornas mais árduo o mergulhar?
Salienta na areia a palidez de uma manhã sem temperamento,
Sem o solar de luz, sem vento.
A praia é mais calma, mansa.
Há menos gente, menor o rubor eloquente
Que até arder faz graça na pele; mas se esquece, queima.
Fechado se faz e assim permanece, indulgente, o tempo.
Pouco vi gaivotas tão calmas na praia,
Mas hoje cá uma está andante,
Com pernas bambas, pivotante feito malandro,
A se quedar solitária: quieta como a mais calma rotina.
A falta de gente passagem lhe dá,
De um seguir caminhante, por aí, a passar.
O vento a nada oprime, tampouco se adianta.
Talvez, oportunidade boa que a vida garanta
Ao pássaro que mergulha, após bom planador
Ou ao arrasto que faz o bom pescador.
Mas hoje, aqui na praia, a vida passa contente:
Sem gente, sem bola, criança obstruente, grito ensurdecedor de quem não ouve o mar
E não deixa o mar ouvir a gente.
Há a mais branda calmaria,
Em que nenhuma falta de paz possa opor.
Mas pouco a pouco o sol sai e insiste
Em tornar a manhã menos triste,
Embora, por mim, não haja tristeza onde exista água molhando os pés,
Pondo a alma a salgar.
Até quando o sol não dá foco e matiz
A vida é tão mais calma e feliz onde há
Qualquer pouco e manso vento;
Onde é perto do mar.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 03/02/2019 – Uma manhã sem sol na praia do Rio)
Créditos da imagem: arquivo pessoal. Fev. 2019.
Diva – n° 42
Postado no 16 de abril de 2019 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
No vale de tua beleza infinita
E nas carícias de teus beijos
Perder-me na tua boca tão bonita
E adentrar o meridiano de outros desejos
Sonhos de noites iluminadas, estrelas ao léu
Memórias intensas que não consigo descrever
Viagens cósmicas, teu coração, meu céu
Sussurros de amor que não posso esquecer
Carinho é bom, aprendi com o teu olhar
Poesias de corpos em versos docemente ritmados
Ondas de prazer que invadem nossa praia, formoso mar
É de manhã, sinto os raios do teu sol, encantado
Me debruço sobre tua apaixonante essência
Arrastando-me pela geografia de tua fogosa alma
Teus odores desnudam-me, natural transparência
Fantasias revelando-se, tua doçura, tua calma
Queria apenas ser feliz, e assim fui
Encontrando-me no caminho de teu coração
Exuberâncias de uma vertente que sempre flui
Enfeitiçado por tua liberdade, tua magia, tua paixão.
Para citar este Poema:
Cargnin dos Santos, Tadany. Diva – n° 42.www.tadany.org®
Poema às multidões
Postado no 10 de abril de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Atenção com as ruas ocupadas demais.
Elas trazem em demasia gente, para ti sem importância,
Uma sensação sem elegância que pouco te apraz.
Tantos que passam por ti,
Que te cruzam o caminho sem você se importar.
Não percebes quantos no rosto trazem algo a sorrir,
Ou mesmo quando têm a chorar.
Cuidado com essas ruas,
e com toda essa gente que por ti passa,
pois algo há de arrogância.
Talvez haja o mesmo com quem tu seletas,
Mas que pouco te adornam em relevância.
Por certo, de forma segura, alguma vez me juras
que não notas em quem passa
alguma outorga que a vida traz?
Quem por ti passa, talvez mais não volte,
não mais,
porque tem o mundo alternância.
Percebas que respondes pelo mal que faz,
ou pelo bem que deixas e que jaz, ali, sem importância.
E com toda essa gente que pouco te importa,
ensinas aos teus, que a elas já não conseguem nem ver.
Hoje, nada relevas por elas;
Amanhã, quem sabe
Quanto do tempo quererás reescrever.
Não te notas que quem passa em teu caminho é um caminhante sozinho
que, talvez, também contigo queira se importar?
E não te importas que, por esse desalinho, o mundo piorará mesquinho,
de tantos sozinhos, que não ligam com quem lhes irá passar?
Até corrigiria o poema,
Para que fossem acertados o bastante
e até consoantes
os pronomes que se misturam entre você e ti
em uma singela anedota.
Mas não mexo; deixo tudo como está,
deixe a palavra errar.
Até porque nada disso te importa.
(Diogo Verri Garcia, fev. 2019)
Crédito da imagem: Diogo Verri Garcia. Arquivo pessoal. Zaragoza, 2015.
Ex Animo – N° 94
Postado no 9 de abril de 2019 Deixe um comentário
Por: Tadany Cargnin dos Santos
Na nefasta realidade da ignorância humana
Todos os seres possuem certa culpa
Ao mesmo tempo em que ninguém é culpado
Porque todos é o mesmo que nenhum
E nenhum sempre será ninguém
Na majestosa revelação da sabedoria humana
Cada ser possui certa responsabilidade
Ao mesmo tempo em que todos são responsáveis
Porque cada unidade é parte formadora do todo
E o todo sempre será uma resultante de cada unidade.
Assim, nenhum ser é ignorante porque cada ser é responsável
Todos podem ser sábios porque ninguém é culpado
E a culpa que é de ninguém, nenhum pode ser afetado
Então, o princípio uno que forma o todo
Por todos pode ser, sabiamente, assimilado.
PS: Para citar este Poema:
Cargnin dos Santos, Tadany. Ex Animo – N° 94.www.tadany.com®
Duas Estações
Postado no 3 de abril de 2019 Deixe um comentário
Por: Diogo Verri Garcia

Quem reza por duas orações
Acaba se enganando e caminhando a pé
É como pretender ter dois quinhões,
duas prendas, duas estações;
No mar, duas marés.
Aprenda que nem tudo que alimenta, que é bom em sinergia,
Deve ser dobrado, para ser tido em dubiedade.
É bom viver feliz, na causa que nos contagia,
Mas se pretenderes a mais,
causará furor; virará vaidade.
Veja que te projeta a luz, o sol que aqui brilha.
Assim como na estação toca uma melodia,
em tom que, tanto faz, se maior ou menor.
Há sintonia; se fossem dois sóis, não haveria noite, só dia.
Tocados ao mesmo tempo, confusos aos ouvidos,
os sons não soariam o melhor.
Com essa fala, que passa em tempos
tão longos como fios de cabelos em mecha,
O pensamento feito flecha,
Daquelas que rasgam e acertam
Menos o que se mostrou e mais o que se escondeu.
Eu sei: em um sopro de ingenuidade que aparece, risonha, sincera,
Depois de tempos remidos, em que o peito oprimido soluçou,
Recolhido na sombra, em mar de breu.
Veja: há sempre peças que se apresentam ao jogo
Jogado por francos, incautos,
por bobos…
E não há que cure muitas rezas,
Para viver em um rompante como o mais feliz;
Em outro, mal à beça.
A conclusão é certa:
O andor apadrinhando dois santos
Quer seguir o melhor, mas terá o maior dos prantos.
Não importa o quanto andou,
Não importa se mais bem do que mal fez.
Quem jura manter dois quinhões,
duas estações,
perderá todas as peças, finda a vez.
Quando a tragédia é revelada, amalgamada,
Dói a alma que amou,
mas que deu causa ao que amargou,
Perdeu por querer mais, pois fez.
Muito se saciou, mesmo não querendo ser voraz
Não haverá duas fés,
Não há no mar duas marés,
Não se abonou a insensatez.
Quando a paz acaba,
ressacada:
Inevitavelmente,
Inicia-se a dor. E os porquês.
(Diogo Verri Garcia, Rio de Janeiro, 2018)
Crédito da imagem: pixabay





